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Em 1º de outubro, é comemorado no Brasil o Dia do Idoso. Normalmente, a data é aproveitada para debater questões fundamentais, ligadas aos desafios da terceira idade, como a inclusão digital ou o acesso à saúde. Mais comuns ainda são as denúncias sobre negativa de acesso à direitos, como convívio familiar, assistência psicológica, sexualidade e aposentadoria.
Embora tudo isso seja essencial, pouca atenção é dada para as potencialidades dessa fase da vida. Uma resolução da ONU define como um dos princípios norteadores dos debates contemporâneos sobre o envelhecimento a ‘autorrealização’, entendida como a possibilidade de aproveitar as oportunidades para o total desenvolvimento das suas potencialidades.
Por isso, o Brasil de Fato MG reuniu histórias de pessoas que estão promovendo grandes mudanças em suas vidas, descobrindo potencialidades e enfrentando novos desafios depois dos 60 anos, provando que a mudança e a busca por nossos sonhos não têm idade.
Virada no trabalho
Por vezes, ao fazer a escolha sobre em qual área profissional seguir, o que nos guia são as possibilidade práticas do nosso contexto, preocupações com a questão financeira ou a disponibilidade de formação. Em alguns casos, essa escolha, feita ainda na juventude, pode amadurecer e mudar.
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Foi o que aconteceu com Eliane Ribeiro. Engenheira civil com 40 anos de atuação, aos 62, ela decidiu se desafiar, mesmo trabalhando oito horas por dia, em uma transição de carreira. Ribeiro já vinha, a cerca de cinco anos, estudando por conta própria uma série de outras áreas do conhecimento, mais próximas das ciências humanas e de uma formação ligada à espiritualidade.
Recentemente, ela teve a oportunidade de iniciar um curso de formação de docentes e não perdeu tempo. “Estou estudando à noite, todos os dias. Fazia algum tempo que eu não estudava tanto assim, com tanto compromisso e em um fluxo intenso. Está sendo muito gratificante”, relata.
Já tendo atuado como docente em cursinhos populares e como professora substituta, a licenciatura era um desejo antigo, mas diversos empecilhos atrasaram esse sonho. Agora, ela relata como a experiência tem sido animadora.
“É uma turma muito boa, as pessoas são excelentes, os professores também, e o conteúdo do estudo tem dado uma visão muito mais ampla sobre a didática e o ensino. Eu gosto de dar aula e essa formação é um conhecimento a mais para poder aplicar dentro de sala”, explica.
Apesar da alegria, ela avisa que a jornada é também um desafio, já que implica em uma dedicação de um ano, concomitante ao trabalho diário. As maiores dificuldades estão ligadas ao cansaço. “O que também está acontecendo é que a cabeça fica ligada demais. O curso é exigente e acabo tendo que estudar no final de semana”.
Mas o apoio dos amigos, da família e dos coletivos dos quais ela faz parte a motivou para continuar o projeto. “É muito importante se satisfazer, ter desafios e perceber que você é capaz. Vai ser uma alegria muito grande conseguir essa nova formação. Sempre vi a velhice com muito respeito e, por isso, tenho a consciência de que essa fase te dá maturidade e um nível de experiência muito bom”, conclui.
Nova chance de estudar
Para quem teve negado o acesso à educação básica durante a infância e adolescência, conseguir fazer isso depois de mais velho é ainda mais revolucionário. A história de Vera Lúcia de Zuza é prova viva disso. Aos 75 anos, ela voltou à alfabetização.
Nascida em uma família com muitos irmãos, Zuza teve que trabalhar desde muito cedo, o que a impediu de continuar os estudos. Ao longo da vida, já mãe de cinco filhos, tinha receio de deixá-los com outras pessoas para voltar à escola.
“Graças ao meu bom Deus, eu tive um esposo maravilhoso, que nunca me humilhou por não ter sido alfabetizada, não saber ler e nem escrever. Ele sempre falava comigo: ‘volta para estudar, minha querida’, só que eu não tinha coragem de deixar meus filhos”, relembra.
O tempo passou, os filhos cresceram, casaram-se e foram morar em suas próprias casas. Vera Lúcia perdeu o esposo e passou a se sentir muito sozinha. O reencontro com a escola se deu por meio de uma aula de dança no Sesc, que, posteriormente, passou a oferecer também a alfabetização, na qual ela se matriculou.
Depois, ela se transferiu para as aulas ofertadas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Com o apoio dos filhos, ela se diz muito alegre por ter voltado a estudar, embora “a matemática esteja pegando um pouco”.
“Estou amando. Tenho muito orgulho da minha história e sou muito feliz. Tenho filhos maravilhosos para mim e uma vida tranquila. Adoro estudar, porque é muito bom, mesmo com 75 anos, me sinto linda, maravilhosa e formosa, cheia de amor para dar”, conta.
Brilhar aos 60+
Nem só de formação educacional se fazem os recomeços, para Helvio Matzner, por exemplo, a revolução foi ligada justamente a sua percepção como uma pessoa chegando à terceira idade.
Engenheiro eletrônico de formação, ele trabalhou mais de 40 anos com eventos e, hoje, aos 70, é modelo fotográfico, colunista em diversas revistas e atua na divulgação da pauta do envelhecimento.
Tudo começou com a compreensão de seu próprio envelhecimento, ao construir um projeto de noites temáticas voltadas à terceira idade para uma rede hoteleira.
“Eu percebi que eu cheguei nos 60 e caiu uma ficha. Comecei a estudar sobre envelhecimento, a ver notícias de como as pessoas estavam envelhecendo e realmente procurar esclarecimentos sobre o que é envelhecer”, conta.
Uma grande inspiração nessa guinada foi sua mãe, que também aos 60 anos passou a se dedicar à pintura, uma atividade que nunca tinha realizado. Depois de dois anos se dedicando autonomamente à arte, ela enviou a foto de um de seus quadros para um concurso realizado por um instituto estadunidense e foi premiada. Na sequência, ela abriu uma escolinha de pintura em Peruíbe, cidade em que morava, e chegou a ter 48 alunos, todos com mais de 60 anos.
“Esse foi provavelmente o meu maior incentivo e acredito que seja um incentivo para as pessoas idosas no geral: entender que temos uma habilidade que estava adormecida. Temos que começar a ter outros olhares depois dos 60, procurar alguma coisa que a gente se identifique, que traga prazer em viver” explica.
Mais recentemente, durante o último ano, Helvio deu início ao projeto Brilhar aos 60+, uma página no Instagram que se dedica a prestar informações às pessoas com mais de 60 anos sobre atividades voltadas ao público.
“Mostramos que o envelhecimento traz novas condições de vida, mas não impede de realizarmos nossos sonhos. Existe uma pesquisa, feita durante 60 anos, que chegou à conclusão de que a melhor fase do ser humano é dos 60 aos 70 anos. É a idade em que temos a maior capacidade de usar a memória, e a atividade cerebral está plena”, explica Matzner.
Um novo amor
O recomeço no amor também está presente na vida de diversas pessoas velhas. É o caso da comunicadora social, Janielda Soalheiro, de 68 anos, que entende que recomeçar é um pouco difícil, mas sempre é gratificante. Tendo se casado muito jovem, ela é mãe de três filhos e sentia, quando estava próxima de completar 60 anos, que seu primeiro casamento já não fazia mais sentido.
“Já tinha vivido muitas coisas, mas queria viver outros caminhos, outros momentos. Assim, me divorciei e resolvi ficar um tempo fora do Brasil”, conta.
Na busca por novos começos, ela passou a frequentar aulas de dança de salão e conheceu seu atual companheiro. “Ele tinha muitas aspirações como as minhas, mas eu não queria namorar, só queria viver a vida, ter liberdade e sonhar, já que a vida é muito curta”.
Assim foi no início, mas logo ela entendeu que esse sonho de liberdade era compartilhado também por ele. “Saíamos para dançar aqui e ali. Nos divertimos com os amigos e, com o tempo, eu vi que essa pessoa coincidia com meus anseios. Ele também queria passear, viajar e ir ao teatro. Assim, nós começamos a namorar “, relembra.
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Fonte: Brasil de Fato



