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quinta-feira, 24 setembro, 2026
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MP aponta Beto Louco e Primo como líderes de esquema no setor de combustíveis

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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) aponta os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, como líderes de uma organização criminosa investigada por suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Os dois estão foragidos da Justiça.

As suspeitas são investigadas na Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com a Receita Federal. A ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e mira uma estrutura financeira que, segundo os investigadores, teria sido utilizada para esconder a origem e os beneficiários de recursos movimentados pelo grupo.

A operação cumpre mandados de busca e apreensão em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. A Justiça paulista também determinou bloqueios de contas e a indisponibilidade de imóveis e ativos financeiros relacionados aos investigados, à distribuidora Terrana e a fundos citados no processo.

Investigação apura compra da Terrana

Um dos principais focos da investigação é a aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana. Para o Ministério Público, a operação teria sido estruturada para esconder os verdadeiros beneficiários do negócio.

A suspeita é que empresas e fundos de investimento tenham sido utilizados em diferentes etapas para movimentar recursos e dar aparência regular às transações. A distribuidora seria usada para abastecer uma rede de postos ligada ao grupo investigado.

Entre as estruturas analisadas está o Radford Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado, que tinha a Usina Itajobi como cotista. Também aparecem na investigação as empresas Berna Holdings e Branson Holdings, formalmente registradas em nome de Paulo Nárcelio Simões do Amaral. Segundo o Gaeco, ambas tinham capital social de R$ 1 mil.

A apuração também identificou duas Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) relacionadas ao Banco Genial, nos valores de R$ 60,5 milhões e R$ 99,8 milhões.

Segundo os investigadores, os recursos teriam sido empregados na aquisição do Fundo Derby 44, atualmente chamado Wels, e da Tramp Oil (Brasil), hoje Branson Oil, apontada como proprietária da totalidade das cotas da Terrana.

Outra empresa investigada é a 7Seven Apoio e Serviços Administrativos. De acordo com o MP, ela teria sido utilizada para movimentar dinheiro por meio das chamadas “contas bolsão” e realizar pagamentos a funcionários da distribuidora.

Executivos do mercado financeiro estão entre investigados

A investigação também apura a participação de empresários e executivos ligados ao mercado financeiro na montagem e operação da estrutura.

Entre os investigados estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-sócio e ex-diretor do Banco Genial, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá. O Ministério Público atribui a eles participação na estruturação de garantias bancárias e no financiamento das operações investigadas.

Outro alvo é Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, proprietário da Entre Investimentos e ligado ao Fundo Celebration. Freixo também é delator nas investigações envolvendo o Banco Master.

Segundo o Gaeco, empresas ligadas ao empresário teriam funcionado como “contas de passagem”, utilizadas para movimentar dezenas de milhões de reais destinados ao Fundo Radford e à Usina Itajobi.

A Credihome SCD, atualmente Octa, também aparece na apuração. A instituição, adquirida pelo Grupo Entre, teria aberto uma conta para a Usina Itajobi um dia antes da emissão das CCBs relacionadas ao financiamento das operações.

Segundo os dados apresentados na investigação, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações consideradas atípicas envolvendo Freixo, com R$ 71 milhões em créditos e R$ 128 milhões em débitos. O MP também aponta repasses superiores a R$ 1,2 bilhão envolvendo empresas de consultoria ligadas ao grupo.

Mensagens indicariam tentativa de afastar empresas do grupo

A investigação também analisa mensagens encontradas em celulares apreendidos após a primeira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025.

Segundo o Ministério Público, as conversas indicariam uma tentativa de reduzir os vínculos formais entre a Terrana e Beto Louco e Primo depois do avanço das investigações.

O material menciona o contador Gunar Marcondes da Silva, o gerente Gustavo Nascimento de Oliveira e Ioná Patricia de Lima Andrade. A coordenação das medidas é atribuída pelos investigadores a Primo.

De acordo com o MP, em setembro de 2025 foi elaborado um conjunto de medidas para afastar formalmente a Terrana das demais empresas relacionadas ao grupo. Entre as providências discutidas estavam a transferência de funcionários para outro endereço e a retirada da marca Terrana das fachadas de postos.

Os investigadores afirmam ainda que havia uma orientação para apresentar publicamente a empresa como integrante de um “programa de franquias em revisão”.

MP rejeitou proposta de colaboração

Segundo informações apresentadas pelo MPSP no caso, Beto Louco e Primo também tentaram negociar acordos de colaboração premiada com o Ministério Público paulista.

As propostas foram rejeitadas pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa.

De acordo com o material da investigação, a recusa teria ocorrido após a avaliação de que os empresários omitiram informações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis conexões com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Também teriam sido identificadas inconsistências em informações envolvendo possíveis relações com agentes públicos e políticos.

Outro lado

Procurada, a defesa de Antonio Carlos Freixo Junior informou que não irá se manifestar.

Em nota, o Banco Genial afirmou que Humberto Tupinambá deixou de integrar a diretoria e o quadro societário da instituição em maio de 2026. O banco também disse ter fornecido informações ao Gaeco, realizado comunicações ao Coaf e adotado medidas adicionais de governança e controle.

Veja a nota na íntegra:

“O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição.

Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis.

No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época.

A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles.

Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados.

A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários.“





ICL Notícias

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