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Mortes violentas no Brasil caem 8,4% em 2025 e chegam ao menor patamar em 14 anos

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Por Tulio Kruse e André Fleury Moraes

(Folhapress) – O Brasil teve 40.775 mortes violentas intencionais registradas em 2025, uma queda de 8,2% em relação anterior, mostram dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgados nesta quinta-feira (23). A taxa de assassinatos ficou abaixo dos 20 mortos por 100 mil habitantes pela primeira vez na série histórica iniciada em 2012, alcançando o índice de 19,1.

Foram 3.445 mortes a menos do que em 2024. Com isso, o país chegou ao menor patamar da estatística pelo quarto ano consecutivo. O resultado segue a tendência de diminuição dos assassinatos no país, que se mantém desde 2018.

As mortes violentas intencionais —categoria criada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública para refletir a violência do país de forma mais precisa— reúne as estatísticas de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes violentas de policiais e mortes decorrentes de intervenções policiais.

Todas essas categorias tiveram redução no número de vítimas, exceto as mortes causadas pelas forças de segurança. A letalidade policial, na direção contrária da tendência, teve aumento de 5,4% no ano passado e foi responsável por 6.602 mortos. Esse foi o número mais alto de mortes registrado desde que o Fórum passou a acompanhar a estatística.

No período de 14 anos analisados nas estatísticas do Anuário —e também na comparação de 2024 e 2025—, todas as regiões do país tiveram reduções em suas taxas de assassinatos por 100 mil habitantes. O país como um todo teve queda de 31% no índice desde 2012.

O Amazonas, que viveu um aumento da violência desde o fim da década passada, teve queda de 32% nas mortes violentas intencionais entre os anos de 2024 e 2025 —a mais expressiva entre as unidades da federação.

Por outro lado, sete das 27 unidades da federação tiveram aumento na violência em 2025 —Rio Grande do Norte (aumento de 19,6% nas mortes), Rondônia (7.5%), Acre (6,3%), Distrito Federal e Roraima (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%).

'Ele queria se entregar', diz mãe que reconheceu filho entre vítimas no RJ
Corpos são levados para praça na Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. (Foto: Raull Santiago/Arquivo pessoal)

“Os estados que não tiveram redução, na verdade, são estados em que se gente verifica um conflito maior dentro das dinâmicas criminais organizadas”, diz o sociólogo David Marques, gerente de programas do Fórum.

Ele diz que o aumento na violência no Rio Grande do Norte, que destoa do restante do país, ocorreu como consequência de disputas territoriais entre facções criminosas, especialmente devido à “ascendência que o Comando Vermelho tem buscado exercer, ampliar seu domínio territorial nos estados do Norte e do Nordeste”.

O Amapá foi a unidade da federação mais violenta do país pelo quarto ano seguido, com 42,5 mortes a cada 100 mil habitantes, mesmo reduzindo esse índice. Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal foram os únicos estados com taxa abaixo de 10 mortes a cada 100 mil pessoas.

Ao longo de 14 anos, quase 738 mil pessoas foram assassinadas no país. É como se uma população maior do que aquela do município de Ribeirão Preto, o 7º mais populoso do estado de São Paulo, fosse morta de 2012 a 2025.

Das dez cidades mais violentas em 2025, quatro estão na Bahia e três no Ceará. Maranguape (CE), na região metropolitana de Fortaleza, foi a cidade com maior número de mortes violentas intencionais do Brasil pelo segundo ano consecutivo. Ali, bairros são divididos entre o domínio do CV e da facção local Guardiões do Estado.

No ano passado, reportagem da Folha mostrou, que moradores são monitorados quando entram e saem das comunidades e chefes do tráfico decidem quem pode morar em determinado local e quem deve ser expulso.

Pichações nos muros da cidade trazem orientações a visitantes, que devem retirar capacetes e baixar os vidros dos carros ao passar em determinadas vias.

Regiões

O Nordeste teve redução de 35,5% da taxa desde 2017 —ápice de mortes violentas, com média de 49 assassinatos a cada 100 mil habitantes na região—, mas continua com o índice mais alto do país em 2025 (31,6). É a única região com mais de 30 vítimas para cada 100 mil pessoas.

No Centro-Oeste houve queda de 50% na taxa ao longo do período de 14 anos, a maior redução de violência em todo o país.

O Sudeste tornou-se a região com a menor taxa de assassinatos com 11,9 mortes por 100 mil habitantes, ficando em situação melhor que a região Sul (que teve taxa de 12,6).

“Apesar da queda consistente de quase todas as Mortes Violentas Intencionais, permanecem em crescimento duas modalidades particularmente preocupantes: os feminicídios e as mortes decorrentes de intervenção policial”, diz o texto de apresentação do Anuário.

Segundo a análise, os dados mostram “que a redução geral da violência letal não beneficia igualmente todos os grupos sociais e não muda opções político-institucionais sobre padrões de uso letal da força”.





ICL Notícias

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