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segunda-feira, 6 julho, 2026
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Morre Tiago Pitthan, advogado que organizou próprio velório

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Tiago Martins Pitthan morreu aos 49 anos, em Campo Grande (MS), pouco mais de um mês após organizar uma celebração que chamou de seu próprio velório. Diagnosticado com câncer de estômago em estágio avançado e sem possibilidade de cura, ele decidiu reunir familiares, amigos e até desconhecidos para participar da despedida enquanto ainda estava vivo.

No domingo (5), já internado, Tiago publicou seu último vídeo nas redes sociais. Na gravação, deixou uma mensagem de serenidade e gratidão. “Estou bem, em paz, feliz. Valeu a pena. Tudo valeu a pena. Tive uma vida boa e é isso. Eu venci. Um beijo do Bom Sujeito”, afirmou.

A declaração refletia a forma como escolheu enfrentar a doença desde que recebeu o diagnóstico. Em vez de concentrar esforços em controlar o inevitável, decidiu aproveitar intensamente o tempo que ainda tinha.

Em 30 de maio, promoveu uma grande festa em um antigo galpão de cervejaria, em Campo Grande. O evento contou com apresentações de bossa nova, samba e rock, além de rodas de conversa, um flash mob e um artista que registrou a celebração em uma aquarela produzida ao vivo.

Outro momento marcante foi sua apresentação na guitarra. Mesmo sem experiência anterior com o instrumento, Tiago começou a aprender após o avanço da doença para realizar um antigo sonho: subir ao palco e tocar diante dos amigos.

Diagnóstico e tratamento

O câncer foi descoberto em março de 2024, depois de meses de sintomas. Durante uma viagem de Réveillon a Bonito (MS), Tiago percebeu que não conseguia mais se alimentar normalmente, sentindo saciedade logo nas primeiras garfadas e episódios frequentes de vômito.

Exames identificaram um adenocarcinoma gástrico, o tipo mais comum de câncer de estômago. Inicialmente, a expectativa era realizar uma cirurgia para retirada do órgão, mas, durante o procedimento, os médicos encontraram metástases no intestino, no peritônio e sinais de comprometimento pulmonar, descartando a possibilidade de cura.

Apesar do prognóstico, Tiago manteve a rotina pelo maior tempo possível. Continuou trabalhando, praticando atividades físicas e seguindo com os tratamentos. Com a progressão da doença, perdeu peso e passou a enfrentar limitações provocadas pelo câncer e pelos efeitos da quimioterapia.

Pouco antes da festa, voltou a Bonito, onde desceu cerca de 70 metros de rapel no Abismo Anhumas. No dia seguinte, saltou de paraquedas. “Lá em cima não tem câncer. Só tem eu e aquele mundão”, disse na ocasião.

Planejamento da despedida

Além de organizar a celebração da própria vida, Tiago deixou encaminhadas questões práticas para facilitar a vida da família. Separou senhas, definiu o destino de objetos pessoais e conversou com pessoas próximas sobre os detalhes que considerava importantes. Apenas o velório tradicional ficou a cargo dos familiares.

Nos últimos meses, voltou a morar em Campo Grande para ficar perto dos pais. A mãe, que inicialmente receberia seus cuidados, tornou-se sua principal cuidadora durante o tratamento.

Na fase final da doença, fazia quimioterapia paliativa e imunoterapia, com o objetivo de retardar a progressão do câncer e preservar a qualidade de vida.

 





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