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sábado, 21 fevereiro, 2026
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Moraes revela palestras em quartéis que prepararam atos de 8 de janeiro

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Por Cleber Lourenço

 

No julgamento desta terça-feira (9) no STF, o ministro Alexandre de Moraes revelou que palestras realizadas em quartéis tiveram papel central na preparação da intentona de 8 de janeiro de 2023. Segundo o magistrado, o mesmo discurso proferido por Jair Bolsonaro em lives ainda em 2021 — questionando a legitimidade das urnas eletrônicas e atacando a Justiça Eleitoral — foi reproduzido nesses encontros dentro de unidades militares, servindo como combustível para convencer apoiadores e militares de que uma intervenção seria legítima.

“Esse mesmo discurso foi utilizado pelos golpistas que foram presos dia 8 de janeiro e disseram que havia palestras nos quartéis fomentados por essa organização criminosa de que deveriam invadir a sede dos Três Poderes e chamar o Exército para que decretasse a intervenção federal”, afirmou Moraes, ligando diretamente as falas de Bolsonaro ao planejamento que antecedeu os ataques.

O relator reforçou que não se tratava de simples retórica política, mas de um esforço articulado para incutir a ideia de ruptura institucional. A presença de figuras como o general Augusto Heleno, então ministro do GSI, e Anderson Torres, ministro da Justiça, foi destacada como fundamental para dar credibilidade à narrativa. Heleno, lembrado como um general quatro estrelas, aparecia nas transmissões de Bolsonaro para reforçar simbolicamente a ligação com as Forças Armadas.

Moraes recordou que toda vez que os militares se alinharam a projetos políticos que se apresentavam como porta-vozes do povo, o resultado foi golpe, estado de exceção ou ditadura. Nesse sentido, as palestras nos quartéis serviram como canal de difusão dessa visão distorcida, transformando falas de Bolsonaro em orientações de ação para grupos que, em janeiro de 2023, partiram para a invasão das sedes dos Poderes.

Moraes

Em sessão realizada hoje no STF, o ministro Alexandre de Moraes lê seu voto no julgamento da tentativa de golpe (Foto: Antonio Augusto/STF)

Moraes: ataques eram disseminados por máquina de desinformação

Além disso, o ministro ressaltou que os ataques eram acompanhados por uma máquina digital de desinformação. Cada declaração de Bolsonaro era massivamente disseminada pelas chamadas milícias digitais, multiplicando seu alcance e conectando a narrativa presidencial às conversas e encontros nos quartéis. Esse circuito, segundo Moraes, mostrava a engrenagem da conspiração: discurso público, reforço simbólico de generais e ministros, difusão digital e, por fim, palestras presenciais dentro de instalações militares.

Na avaliação de Moraes, os atos de janeiro não foram fruto de um movimento espontâneo, mas de um projeto estruturado, deliberado e de longa duração. O objetivo era corroer a confiança da sociedade no sistema eleitoral, desacreditar o Judiciário e preparar terreno para soluções autoritárias. As palestras nos quartéis, nesse contexto, funcionaram como o elo que transformou a narrativa política em mobilização prática, criando a ponte entre a retórica golpista e a ação que atacou a democracia brasileira.



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