Um grupo crescente de pessoas na África Central diz ter visto a criatura misteriosa conhecida como Mokele-mbembe. Ela é um ser lendário do Congo que se parece com um dinossauro. Porém, um problema muito maior pode estar por trás desses relatos.
A lenda de Mokele-mbembe conta que ele é um monstro gigante habitante de pântanos, florestas e rios da bacia do Congo. O nome significa “aquele que interrompe o fluxo dos rios” na língua lingala. Sua aparência é descrita como um dinossauro de pescoço longo com o tamanho aproximado de um elefante.
No começo do século XX, os habitantes da região contaram essa história para os exploradores europeus e ela se espalhou pelo imaginário popular. Isso gerou obras literárias da área da criptozoologia, que compara seres lendários de diversas culturas com animais extintos. Obras como “Jurassic Park” surgiram desse tipo de literatura.

Leia mais
Lenda revela uma triste realidade no Congo
Segundo o National Geographic, a população local tem visto a criatura misteriosa com mais frequência neste século do que no passado. A principal hipótese é de que esses relatos estejam ligados às mudanças ambientais na região.
O desflorestamento na bacia do Congo já derrubou 23 milhões de hectares de floresta entre 2000 e 2016. Isso fez com que os animais fossem forçados a sair de seus habitats e levou a encontros mais frequentes com os humanos.
Assentamentos na região dependem fortemente da agricultura de corte e queima, que desmata áreas de floresta para cultivar mandioca, amendoim, banana e milho. Agricultores derrubam árvores e arbustos e queimam a vegetação restante para enriquecer o solo com cinzas, oferecendo fertilidade de curta duração.
Normalmente, dentro de dois a cinco anos o solo fica esgotado, o que força os fazendeiros a limpar novas terras. Isso perpetua o ciclo de destruição de ecossistemas locais.

“Em assentamentos maiores, onde os habitats estão sendo empurrados para dentro e as pessoas não estão acostumadas a ver animais grandes, elas de repente os encontram o tempo todo”, disse Laura Vlachova, uma conservacionista tcheca, à National Geographic.
Com o aumento desses casos, os habitantes podem estar se confundindo e vendo algo diferente da realidade, principalmente devido a uma crença já existente.
“São as pessoas nesses assentamentos desmatados que me dizem que viram Mokele-mbembe. Acho que o que isso realmente mostra é como o folclore está começando a refletir a realidade de um ecossistema em declínio”, conclui Vlachova.
Fonte: Olhar Digital