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terça-feira, 28 abril, 2026
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Ministério da Saúde reconhece ONG Zoé por atuação em comunidades da Amazônia durante Expoepi

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Organização foi homenageada em Brasília por ações que integram saúde pública e preservação ambiental

O Ministério da Saúde homenageou a ONG Zoé – Saúde para quem cuida da Floresta Amazônica durante a cerimônia de abertura da 18ª Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi), realizada no dia 14 de abril, em Brasília (DF). O reconhecimento foi entregue pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao cofundador da organização, Plínio Averbach, destacando a relevância do trabalho desenvolvido pela entidade junto a populações ribeirinhas e indígenas da Amazônia.

A Expoepi é considerada o principal fórum nacional de compartilhamento de boas práticas em saúde coletiva. O evento reúne anualmente profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), pesquisadores e representantes de movimentos sociais que atuam no fortalecimento da vigilância em saúde. Nesta 18ª edição, o tema central — vigilância ambiental e mudanças climáticas — dialoga diretamente com a missão da ONG Zoé, que atua na interseção entre saúde humana e conservação do bioma amazônico.

Segundo Plínio Averbach, o reconhecimento simboliza a validação de um modelo de atuação que busca reduzir desigualdades no acesso à saúde. “Esse reconhecimento do Ministério da Saúde valida nosso modelo de levar especialistas ao encontro de quem mais precisa, integrados ao SUS, respeitando os territórios e as culturas locais. É a confirmação de que cuidar de quem cuida da Amazônia é também uma agenda de saúde pública nacional”, afirmou.

Atuação em regiões de difícil acesso

Fundada no final de 2019 e sediada em São Paulo, a ONG Zoé nasceu com o propósito de levar assistência médica especializada a comunidades ribeirinhas dos rios Tapajós e Baixo Amazonas, além de atender o povo indígena Zo’é. Com o passar dos anos, a organização ampliou sua atuação para outras populações indígenas e localidades remotas da região Norte do país.

O modelo de trabalho da ONG é baseado na realização de expedições médicas multidisciplinares. Nessas missões, equipes compostas por médicos de diversas especialidades, enfermeiros, psicólogos e profissionais de apoio percorrem áreas de difícil acesso, muitas vezes chegando apenas por via fluvial ou aérea.

Em cerca de seis anos de atuação, a Zoé já realizou 47 expedições nos estados do Amazonas e do Pará. Ao todo, foram contabilizados 21.904 atendimentos, envolvendo 410 voluntários ativos. As ações incluem consultas em especialidades como clínica geral, pediatria, dermatologia, ginecologia, odontologia, oftalmologia, além de atendimentos em saúde mental.

Além dos atendimentos clínicos, a organização também promove a distribuição de medicamentos e óculos, bem como ações educativas voltadas à prevenção de doenças e promoção da saúde nas comunidades atendidas.

Parcerias com o poder público

Um dos diferenciais da atuação da ONG Zoé é a integração com o Sistema Único de Saúde (SUS). A organização mantém parcerias com o Ministério da Saúde, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e administrações municipais de cidades paraenses como Belterra, Santarém, Óbidos e Oriximiná.

Essa articulação permite que os atendimentos realizados durante as expedições estejam alinhados às políticas públicas de saúde, garantindo continuidade no cuidado dos pacientes mesmo após a saída das equipes médicas das comunidades.

Nos últimos anos, a ONG também expandiu sua presença em Terras Indígenas, incluindo o atendimento a povos como os Waiwai e os Zo’é. O trabalho nessas áreas exige não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade cultural e respeito às tradições locais, aspectos que são enfatizados pela organização.

Pesquisa e inovação em saúde

Outro eixo importante da atuação da Zoé é o desenvolvimento de pesquisas científicas voltadas à avaliação da efetividade e do custo-benefício do modelo de atenção itinerante especializada. A proposta é gerar evidências que possam subsidiar políticas públicas e ampliar o alcance desse tipo de iniciativa.

A atuação em regiões remotas da Amazônia apresenta desafios logísticos e estruturais significativos, o que torna ainda mais relevante a busca por soluções inovadoras e sustentáveis para o atendimento em saúde.

Reconhecimento e certificações

Além da homenagem recebida durante a Expoepi, a ONG Zoé acumula outros reconhecimentos institucionais. A organização é auditada pela BDO, possui certificação do Instituto Doar e, em 2024, foi contemplada com o Prêmio Humanizar Saúde, concedido pela Teva Brasil.

Essas certificações e premiações reforçam a credibilidade da instituição e destacam a transparência na gestão de recursos, aspecto fundamental para organizações do terceiro setor.

Impacto social e ambiental

A atuação da ONG Zoé vai além do atendimento médico. Ao levar assistência a comunidades que vivem em áreas estratégicas para a preservação ambiental, a organização contribui indiretamente para a proteção da floresta amazônica.

A lógica é simples: ao cuidar da saúde das populações locais, fortalece-se a permanência dessas comunidades em seus territórios, o que ajuda a conter práticas ilegais como desmatamento e exploração predatória.

O tema da Expoepi deste ano — vigilância ambiental e mudanças climáticas — reforça essa conexão entre saúde e meio ambiente. A presença da Zoé entre os homenageados evidencia a importância de iniciativas que atuam de forma integrada nesses dois campos.

Como contribuir

A ONG Zoé mantém suas atividades por meio de doações e do trabalho voluntário de profissionais de diversas áreas. Qualquer pessoa pode contribuir com a iniciativa, seja por meio de apoio financeiro ou engajamento nas ações da organização.

As doações podem ser realizadas pelo site oficial da instituição, e mais informações sobre as expedições e projetos estão disponíveis nas redes sociais da ONG.

O papel da Expoepi

Criada para promover o intercâmbio de experiências bem-sucedidas na área da saúde pública, a Expoepi desempenha um papel estratégico na disseminação de práticas inovadoras. O evento funciona como uma vitrine para iniciativas que podem ser replicadas em diferentes regiões do país.

Ao reconhecer o trabalho da ONG Zoé, o Ministério da Saúde sinaliza a importância de modelos alternativos de atendimento, especialmente em contextos onde o acesso aos serviços tradicionais é limitado.

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