Por Cleber Lourenço
O advogado-geral da União, Jorge Messias, confirmou ao ICL Notícias nesta terça-feira (31) que seu nome será formalmente enviado ao Senado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação marca uma mudança de postura do governo, que vinha segurando a indicação diante de incertezas sobre o apoio necessário para aprovação.
Em declaração, Messias adotou um tom voltado à articulação política e à construção de consenso junto aos parlamentares. “Darei continuidade à minha jornada no Senado com humildade e fé. Buscarei novamente o diálogo com todos os senadores e senadoras, pois este é um momento que exige entendimento”, afirmou.
O indicado também destacou que pretende sustentar sua candidatura com base na defesa da estabilidade institucional.
“Continuarei meu empenho pela pacificação e estabilidade. Como profissional do direito, sempre valorizei o diálogo e a conciliação como as melhores maneiras de resolver conflitos. Reafirmarei meu compromisso com essas credenciais”, completou.
Nos bastidores, membros da articulação política do Palácio do Planalto afirmam que a decisão de formalizar a indicação foi tomada com base na avaliação de que o ambiente no Senado se tornou mais favorável. A expectativa do governo é realizar a sabatina e levar a votação ao plenário ainda no primeiro semestre.
A indicação de Messias conta com um fiador relevante dentro do próprio Supremo: o ministro André Mendonça. Evangélico, assim como o indicado, Mendonça também enfrentou resistência no Senado durante sua própria indicação, especialmente quando a Comissão de Constituição e Justiça era comandada por Davi Alcolumbre. À época, o processo ficou travado por meses antes de avançar.
A decisão de Lula de enviar o nome neste momento foi tomada sem comunicação prévia a Alcolumbre, o que foi interpretado por integrantes do governo como um gesto político deliberado. Segundo membros da articulação política, a leitura no Planalto é que há votos suficientes para a aprovação e que eventual tentativa de segurar a indicação poderia gerar desgaste ao próprio presidente do Senado.
Ainda de acordo com esses interlocutores, o movimento também reflete uma inversão na relação de forças. Na avaliação interna, Alcolumbre hoje depende mais do governo do que o contrário, o que reduz o espaço para resistência prolongada.
Com o envio da mensagem presidencial, Mesias agora aguardará Alcolumbre para que o nome siga para a Comissão de Constituição e Justiça, onde Messias será sabatinado. Para ser aprovado, precisa do apoio da maioria absoluta dos senadores.



