Os mercados globais operam sem direção única, nesta sexta-feira (27), após forte liquidação recente, à medida que sinais de desescalada na guerra entre Estados Unidos e Irã reduziram parcialmente a aversão ao risco. O S&P 500 havia atingido na véspera seu nível mais baixo desde o início do conflito, em meio ao pior movimento mensal das bolsas globais desde 2022.
A trégua ganhou força após declaração de Donald Trump indicando mais tempo para negociações com o Irã. O gesto foi interpretado como tentativa de conter os impactos econômicos e políticos da guerra, que já pressiona os preços de energia e o humor do eleitorado estadunidense.
Apesar do alívio nas ações, os juros seguem em alta nos mercados desenvolvidos, refletindo preocupações persistentes com inflação. Títulos soberanos recuaram em países como Austrália, Nova Zelândia e Japão, com maior intensidade nos papéis de longo prazo, enquanto os MSCI All Country World Index ainda caminha para o pior mês em mais de três anos.
No mercado de commodities, o petróleo continua como vetor de risco. O Brent Crude Oil recuou inicialmente após a extensão do prazo diplomático, mas voltou a subir e permanece em patamar elevado, sustentando temores inflacionários.
Na agenda, o foco se volta aos dados econômicos. No Brasil, a divulgação da Pnad Contínua de fevereiro deve indicar leve alta do desemprego, enquanto indicadores industriais e do setor externo complementam o quadro. Nos EUA, o destaque é o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan, termômetro relevante das expectativas das famílias.
Brasil
O Ibovespa encerrou a sessão de quinta-feira (26) em queda de 1,45%, aos 182.732 pontos, interrompendo uma sequência de três altas consecutivas, em meio ao aumento das incertezas no cenário internacional. O movimento foi influenciado principalmente pela instabilidade nas relações entre Estados Unidos e Irã, marcada por discursos contraditórios e baixa previsibilidade diplomática.
No câmbio, o real perdeu força após a queda da véspera, com o dólar comercial avançando 0,69%, cotado a R$ 5,256. No mercado de juros, os contratos futuros (DIs) registraram alta ao longo de toda a curva, refletindo a deterioração das expectativas.
Europa
As bolsas europeias operam no campo negativo nesta sexta-feira, após o presidente dos EUA, Donald Trump, estender a pausa em curso nos ataques à infraestrutura de energia do Irã.
STOXX 600: -0,72%
DAX (Alemanha): -0,80%
FTSE 100 (Reino Unido): -0,31%
CAC 40 (França): -0,44%
FTSE MIB (Itália): -0,60%
Estados Unidos
Os índices futuros dos EUA se movimentam próximos da estabilidade, após uma sessão volátil na véspera, com os agentes à espera dos dados da confiança do consumidor enquanto acompanham as negociações entre Estados Unidos e Irã para um possível cessar-fogo.
Dow Jones Futuro: -0,04%
S&P 500 Futuro: +0,02%
Nasdaq Futuro: +0,01%
Ásia
As bolsas asiáticas fecharam mistas nesta sexta-feira, seguindo o fluxo de Wall Street na véspera, que teve queda generalizada com as incertezas sobre um possível cessar-fogo no Oriente Médio.
Shanghai SE (China), +0,63%
Nikkei (Japão): -0,43%
Hang Seng Index (Hong Kong): +0,38%
Nifty 50 (Índia): -1,70%
ASX 200 (Austrália): -0,11%
Petróleo
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta sexta-feira depois que o presidente Donald Trump disse que o Irã permitiu que 10 petroleiros atravessassem o Estreito de Hormuz nesta semana como um “presente” para os Estados Unidos.
Petróleo WTI, +1,57%, a US$ 96,03 o barril
Petróleo Brent, +1,61%, a US$ 109,66 o barril
Agenda
Nos Estados Unidos, saem os dados da confiança do consumidor de março.
Por aqui, no Brasil, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na quinta-feira que o conservadorismo da política monetária em 2025 deu à autarquia “gordura” para analisar os efeitos da guerra no Oriente Médio, acrescentando que o mercado entendeu corretamente o fato de a “calibragem” da taxa Selic se referir a cortes dos juros. Durante coletiva de imprensa sobre o Relatório de Política Monetária, Galípolo avaliou que o momento atual é de ter “tempo para entender” os efeitos econômicos da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg



