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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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MEC acerta ao financiar cursinhos populares, mas precisa proteger Fundeb, defende professor — Brasil de Fato

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O professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Daniel Cara avaliou como positiva a decisão do Ministério da Educação (MEC) de destinar R$ 108 milhões a cerca de 500 cursinhos populares em 2026. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ele destacou o papel dessas iniciativas na democratização do acesso à universidade.

“Eu tenho uma admiração enorme por esse modelo. Eu considero que esse é um caminho de educação popular que, de fato, tem feito a diferença, tem ajudado a democratizar a universidade, junto com a política de cotas, obviamente”, afirmou. Segundo o educador, o investimento deve ser “comemorado”, porque os cursinhos populares “sobrevivem com muito pouco recurso” e, em muitos casos, dependem de emendas parlamentares.

“Os cursinhos populares fazem muita diferença para a democratização do acesso à universidade, recuperam muitas vezes aquilo que não foi possível aprender durante o ensino fundamental e o ensino médio, e eu considero que foi um acerto do Ministério da Educação essa notícia”, acrescentou.

Cara ressaltou que o fortalecimento dos cursinhos também contribui para ampliar o acesso ao ensino superior público, espaço que ainda reflete desigualdades raciais e sociais. “A universidade ainda não deixou de ser elitista, não vou dourar a pílula, mas avançou demais. É um avanço inimaginável, e muito disso se deve aos cursinhos populares”, disse.

O professor elogiou as transformações nas universidades após a Lei de Cotas de 2012, mas manifestou uma preocupação com a atual prioridade do MEC em cursos técnicos voltados ao mercado de trabalho. “O estímulo está na educação profissional muito vinculada ao interesse das empresas. Esse não é o caminho. O caminho é a universidade”, defendeu.

Financiamento e valorização dos profissionais da educação

Sobre o projeto que propõe fixar o piso dos técnicos e administrativos da educação básica em 75% do piso do magistério, Cara classificou a proposta como “uma revolução”. O texto já foi aprovado em comissões da Câmara e prevê que o reajuste seja financiado com recursos do Fundeb. “Isso vai ter o mérito de dinamizar a economia de diversos municípios brasileiros. Eu defendo a total isonomia: o piso salarial do magistério teria que ser o piso de todos os profissionais da educação.”

Ele também criticou as tentativas recorrentes de reduzir recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). “O governo federal tem agido numa perspectiva um pouco ingênua. Ele acha que é possível apaziguar a sanha do mercado financeiro e da Faria Lima. E não tem nada que segure a sanha da Faria Lima”, alertou.

Para o professor, a educação e a saúde devem ser tratadas como áreas intocáveis no orçamento público. “Os recursos da educação e da saúde são princípio. São os três grandes esforços do Estado brasileiro, junto com a Previdência”, apontou.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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