O chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio debateram as tarifas impostas sobre o Brasil e a cooperação em temas relacionados com o crime organizado.
A conversa ocorreu no intervalo das reuniões do G7, que estão sendo realizadas nesta sexta-feira na França. Não houve uma reunião a portas fechadas. Mas o chanceler brasileiro debateu com o americano em duas ocasiões. Uma delas ocorreu antes da foto oficial dos participantes da reunião de chanceleres do G7.
Em outro momento, Rubio e Vieira conversaram após a sessão da manhã do encontro organizado pela França.
O objetivo do governo brasileiro é o de manter uma interlocução no mais alto nível com os EUA, na esperança de impedir que o lobby bolsonarista possa obter resultados em pressões realizadas na Casa Branca. Neste fim de semana, tanto Flávio como Eduardo Bolsonaro devem insistir na classificação de grupos do narcotráfico brasileiro como entidades terroristas. Os filhos do ex-presidente participam de um encontro da extrema direita americana, em Dallas.
Já o Itamaraty aposta nos canais oficiais como forma de conter o lobby bolsonarista.
No diálogo desta sexta-feira, o americano e brasileiro atualizaram o andamento das negociações que os grupos técnicos estão realizando, principalmente no que se refere à demanda do Brasil para a retirada das tarifas que ainda pesam sobre alguns produtos brasileiros.
Ainda que Trump tenha aliviado o tarifaço contra o Brasil, cerca de 22% do fluxo comercial continua sendo afetado por barreiras.
No tema do crime organizado, o Brasil insiste que quer uma parceira para lutar contra os grupos que contam com ramificações no país e nos EUA.
Fontes diplomáticas indicaram que não se tratou do interesse dos americanos de declarar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas.
O Brasil é contra e já declarou isso aos americanos. Qualquer decisão nesse sentido, portanto, será tomada de forma unilateral pelos EUA.
O governo Lula, porém, insiste que tem demandas para que os americanos também contribuam com a luta contra o contrabando de armas e lavagem de dinheiro.
Ainda não existe uma data para o encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva no Salão Oval com Donald Trump. Mas o governo brasileiro já trabalha com a ideia de que a reunião terá de esperar uma definição da guerra no Irã.



