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sábado, 18 abril, 2026
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Massacre de Eldorado do Carajás completa 30 anos ainda sob o peso da impunidade

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Por Adão Pretto Filho*

A luta pela terra no Brasil há décadas é marcada por conquistas, resistência, mas também por episódios de luto, de dor. E este dia 17 de abril é uma dessas datas. Há exatos 30 anos, passávamos pelo mais cruel dos ataques que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) sofreu em sua história, o massacre de Eldorado do Carajás.

Neste dia, 21 trabalhadores rurais sem terra foram mortos pela Polícia Militar do Pará enquanto participavam de uma marcha pacífica por reforma agrária. A violência, executada por 155 policiais na rodovia PA-150, não é apenas um episódio do passado — é uma ferida aberta que nos lembra do quanto ainda precisamos avançar nas questões agrárias em nosso país.

Lembro de Adão Pretto, meu pai e o primeiro deputado oriundo do MST. Ao saber do massacre, foi um dos primeiros a chegar a Eldorado do Carajás. Sua trajetória sempre esteve ligada à defesa da reforma agrária e dos direitos dos trabalhadores do campo, e sua presença naquele momento simboliza o compromisso histórico de quem nunca se omitiu diante da injustiça.

Mesmo após 30 anos, a impunidade ainda prevalece. Dos 155 policiais envolvidos na ação, apenas dois foram condenados, mais de 15 anos depois da matança promovida. Esse dado revela muito sobre a dificuldade do Brasil em responsabilizar crimes cometidos contra os mais pobres e evidencia como a violência no campo segue sendo tratada com descaso.

De acordo com levantamento da Comissão Setorial da Terra (CTP), entre 1985 e 2022, ocorreram 302 mortes no campo, com aumento de casos em períodos de avanço da extrema-direita.

Dentre nossos desafios atuais, entendo que precisamos enfrentar a desinformação que ainda recai sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. O movimento, que frequentemente é alvo de ataques e distorções, representa, na prática, produção de alimentos saudáveis, sustentabilidade, solidariedade e compromisso social.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, concentramos a maior produção de arroz orgânico da América Latina. A produção de leite em território nacional supera os 2,5 bilhões de litros por ano.

Em momentos de crise, o movimento tem papel fundamental. Durante a pandemia e nas enchentes que atingiram o estado Rio Grande do Sul, o MST esteve na linha de frente, organizando e distribuindo alimentos para quem mais precisava.

Diante disso, a reforma agrária segue sendo uma necessidade urgente. O Brasil precisa ampliar assentamentos, fortalecer políticas públicas para o campo e garantir que mais famílias possam produzir com dignidade. É fundamental enfrentar o latifúndio improdutivo, a grilagem de terras, o desmatamento e a violência no campo.

Seguimos na luta, buscando avanços concretos. Não é possível aceitar que um país com tamanha extensão territorial e capacidade produtiva conviva com mais terra sem gente do que gente sem terra. A memória de Eldorado do Carajás permanece viva — e nos impulsiona a seguir, com firmeza, em busca de um Brasil mais justo.

 

*Por Adão Pretto Filho é deputado estadual (PT-RS)





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