Cuba vive um momento de tensão. A crescente presença militar dos Estados Unidos no Caribe tem se tornado uma ameaça cada vez mais concreta. Com navios de guerra, tropas e armamentos estratégicos posicionados na região, o governo de Donald Trump avalia cenários de uma ofensiva contra a ilha depois de meses de pressão econômica e política contra o governo comunista.
Segundo reportagem publicada na quarta-feira (27), pelo veículo americano Politico, especializado em política e bastidores de poder nos EUA, a estrutura militar já estaria posicionada e dependeria apenas de uma decisão final de Donald Trump para uma eventual ação.
Segundo a reportagem, os Estados Unidos mantêm hoje no Caribe a maior presença naval fora do Oriente Médio, com um grupo de ataque do porta-aviões USS Nimitz, destróieres e cruzadores equipados com mísseis guiados, além de drones e aeronaves de vigilância monitorando o território cubano há meses.
Embora a estrutura atual seja ligeiramente menor do que a mobilizada em janeiro, durante a operação que capturou Nicolás Maduro, o reforço militar amplia as opções de Washington, permitindo desde ataques pontuais até ações especiais contra integrantes da cúpula do governo em Havana, capital do país.
A ação, porém, preocupa as autoridades norte-americanas, já que uma invasão terrestre de grande escala na ilha exigiria o envio de tropas adicionais. O Pentágono também enfrenta a pressão do tempo, parte dos navios deslocados para a região já ultrapassa o período habitual de operação no mar, além do desgaste das tripulações e da sobrecarga da frota, simultaneamente empregada em operações no Oriente Médio.
Durante reunião do gabinete nesta quarta-feira (27), o secretário de Estado Marco Rubio — que é filho de imigrantes cubanos — afirmou que o país está “em sérios apuros” e classificou a proximidade geográfica da ilha como uma preocupação para os EUA.
“Ter um Estado falido a 145 quilômetros de nossas costas é uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos”, disse Rubio.
No entanto, toda essa movimentação militar pode funcionar como estratégia de intimidação. O analista Mark Cancian, ex-funcionário do Pentágono e atual analista sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, acredita que a presença do porta-aviões Nimitz provavelmente tem caráter dissuasório. “É provável que o Nimitz esteja lá principalmente para intimidar, embora possa ser usado em uma operação militar, se necessário”, disse.
“Ataques aéreos são possíveis para destruir suas defesas antiaéreas e permitir operações aéreas mais amplas ou, talvez, destruir sua liderança com a intenção de estabelecer uma relação semelhante à que temos com a Venezuela. Raúl Castro seria o primeiro alvo deles”, completou.
Procurada pela reportagem do jornal americano, a Casa Branca encaminhou questionamentos ao Pentágono, enquanto a Marinha dos EUA evitou comentar os atuais destacamentos. O Comando das Forças Navais do Sul não respondeu ao pedido de comentário.



