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segunda-feira, 2 março, 2026
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Março: mês das resistências – ICL Notícias

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O mês de março é extremamente simbólico para as comunidades negras, seja no continente africano ou no continente americano. Em março de 1960, aconteceu o Massacre de Sharpeville, em Johanesburgo, na África do Sul, onde morreram 69 pessoas e cerca de 180 ficaram feridas. Momento em que a opinião pública do mundo passou a protestar com mais intensidade contra o apartheid.

Nove anos depois, a ONU implementou a data como Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. A chacina deixou mais de quinze mil pessoas, que faziam um grande protesto contra a Lei do Passe que obrigava a população negra a portar um cartão que continha os locais onde era permitido sua circulação, brutalmente atacadas por policiais.

Entre 7 a 21 de março de1965, outra importante conquista: as Marchas de Selma, um momento histórico na luta do povo negro americano, aconteceram a partir de Selma, cidade no Alabama, até a capital Montgomery, reunindo cerca de 600 pessoas, que juntas marcharam e reivindicaram seus direitos básicos e fundamentais. Os protestos aconteceram com a participação do pastor Martin Luther King Jr., mas com amplo apoio da sociedade que acabaram por aprovar a Lei dos Direitos ao Voto dos Negros naquele ano.

No Brasil, além de rememoramos essas datas de lutas e resistências, no mês de março passou a ser comemorado como o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé. Instituído pela Lei 14.519/2023, o projeto original previa que o dia fosse comemorado em setembro, contudo o senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu que o dia escolhido fosse 21 de março, pois é o dia escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial.

Entretanto, para além das rememorações das datas e da instituição da lei brasileira, é sempre bom ressaltar que nos, pessoas negras, existimos e resistimos para além do mês de março e que as reivindicações dos movimentos negros e de axé são pautadas historicamente em prol do reconhecimento social, politico e econômico enquanto participante na formação e na construção da sociedade brasileira.





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