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sexta-feira, 17 abril, 2026
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Maioria dos trabalhadores não acredita que perderá o emprego no curto prazo, aponta estudo

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A maior parte dos trabalhadores brasileiros não acredita que perderá o emprego ou sua principal fonte de renda no curto prazo, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Por outro lado, começa a ganhar força a percepção de risco, indicando uma mudança gradual no sentimento em relação ao mercado de trabalho.

As informações constam na décima edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem de Mercado de Trabalho. Segundo os dados do trimestre encerrado em março de 2026, 56,5% dos respondentes consideram improvável ou muito improvável perder o emprego ou fonte de renda nos próximos seis meses.

Apesar do avanço da incerteza, a percepção de estabilidade segue como dominante. A parcela que considera improvável a perda de ocupação permanece como a mais expressiva e apresenta relativa estabilidade nos últimos meses.

Por outro lado, 17,2% dos trabalhadores avaliam como provável ou muito provável a perda da principal fonte de renda, enquanto 26,3% afirmam não saber responder — um indicativo de incerteza ainda relevante no cenário atual.

A percepção mostrada pelo levantamento converge com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram um mercado de trabalho resiliente, apesar do aumento da taxa de desemprego no Brasil no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, que alcançou 5,8%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

O avanço interrompe a trajetória recente de queda e foi impulsionado, principalmente, pela redução de vagas em setores com forte influência sazonal no início do ano.

Ao todo, 6,2 milhões de pessoas estavam desocupadas no período — um aumento de 600 mil em relação ao trimestre anterior.

Aumento da preocupação atinge maior nível

Contudo, o levantamento do FGV Ibre mostra que houve um leve aumento na proporção de trabalhadores que enxergam risco de desemprego, atingindo o maior patamar desde o início da série, em junho de 2025.

Como os dados ainda não contam com ajuste sazonal e a série histórica é recente, comparações ao longo do tempo devem ser interpretadas com cautela. Ainda assim, o movimento sugere uma inflexão no sentimento dos trabalhadores.

Para o economista do FGV Ibre Rodolpho Tobler, os resultados refletem um mercado de trabalho que segue aquecido, mas já apresenta perda de fôlego.

Segundo ele, embora mais da metade dos trabalhadores demonstre segurança em relação ao futuro próximo, o aumento da parcela que teme perder a ocupação acompanha sinais de desaceleração na evolução do mercado. O cenário macroeconômico desafiador e o aumento da incerteza também tendem a influenciar essa percepção nos próximos meses.

Qualidade do emprego

Divulgados mensalmente desde julho de 2025, os Indicadores de Qualidade do Trabalho são baseados em médias móveis trimestrais e integram a Sondagem de Mercado de Trabalho, pesquisa nacional realizada com a população em idade ativa.

A iniciativa busca complementar as estatísticas tradicionais ao incorporar a percepção dos trabalhadores sobre suas condições de trabalho. Entre os principais temas abordados estão satisfação no emprego, risco de perda de renda, proteção social, suficiência da renda, avaliação do mercado de trabalho e expectativas para os meses seguintes.

Como a coleta teve início recente, os relatórios ainda têm caráter predominantemente descritivo, sem base suficiente para análises de longo prazo.

Sobre o estudo

São consultadas pessoas de todos território nacional, em idade para trabalhar, e que respondem sobre seis diferentes temas:

•    Satisfação com trabalho;
•    Chance de perder emprego e/ou fonte de renda;
•    Proteção social;
•    Renda suficiente;
•    Percepção geral sobre o mercado de trabalho;
•    E expectativa para os próximos 6 meses do mercado de trabalho em geral.

Como a coleta de informações começou em 2025, ainda não é possível fazer comparações históricas e analisar o nível dos indicadores.





ICL Notícias

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