Por Cristiane Gercina
(Folhapress) – Mais da metade dos brasileiros espera se aposentar até os 60 anos, mas três em cada dez acreditam que não conseguirão e só vão ter o benefício do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) após os 61 anos.
Os dados fazem parte da 4ª edição da pesquisa “Percepção dos Brasileiros sobre Proteção e Planejamento”, encomendada pela Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida) ao Datafolha.
Os números mostram que 59% dos entrevistados que continuam no mercado de trabalho gostariam de se aposentar aos 60 anos, mas 32% sabem que não será possível.
Isso porque a reforma da Previdência de 2019, que alterou as regras da aposentadoria do INSS, implantou idade mínima de 62 e 65 anos para mulheres e homens, respectivamente, pedirem o benefício. Para quem já estava no mercado antes, há regras de transição.
O estudo ouviu 1.908 pessoas em todo o país entre os dias 8 e 16 de julho deste ano. Do total, 11% acreditam que nunca conseguirão parar e outros 12% não têm a intenção de pedir o benefício.
Os dados sobre o sonho da aposentadoria ainda na casa dos 50 anos são parecidos com os das edições anteriores, segundo os organizadores do estudo. Apenas 28% acreditam que realmente conseguirão parar de trabalhar nessa faixa etária.
A pesquisa mostra ainda que a maioria dos que já se aposentaram depende da Previdência Social. Nove em cada dez dos entrevistados (92%) disseram que dependem do INSS para se sustentar, com a Previdência sendo a principal fonte.
Entre os que ainda estão na ativa e que apenas pagam contribuições à Previdência, 65% disseram não saber quanto receberão ao se aposentar. Apenas 35% (3 em cada 10) disseram saber o quanto irão receber no futuro e 53% deles apontam que, no máximo, deverão ganhar um salário mínimo, hoje em R$ 1.621.
Ainda entre os que pretendem contar com o INSS no futuro, 56% acreditam que terão de cortar gastos para se manter, 25% esperam conseguir manter o modo de vida atual e 16% acham que não terão como se sustentar ou que vão passar por dificuldades por conta do baixo valor do benefício.
Dos entrevistados, 7 em cada 10 disseram ter medo de não ter dinheiro para ter acesso a atendimento médico no futuro, mas só 28% disseram ter adotado alguma medida preventiva para evitar ficar sem plano de saúde na aposentadoria.
A morte de um familiar também preocupa 70% dos participantes. Neste caso, apenas 22% se preparam. Outro medo é de doença grave, citado por 63%.
Para o setor de seguros, falta o brasileiro sentir que a área privada pode oferecer proteção. A pesquisa mostrou que apenas 13% da amostra entrevistada lembrou dos seguros e da previdência privada como meios de proteção contra imprevistos.
A principal forma indicada para se prevenir contra imprevistos no futuro é poupar ou investir, segundo 42%, mas 2 em cada 10 afirmam que problemas financeiros impedem de guardar dinheiro ou investir.
No entanto, 64% afirmaram ter a intenção de contratar ou renovar ao menos um seguro, ou plano de previdência privada no próximo ano.
Quais os motivos para não conseguir se aposentar antes dos 60?
A longevidade acelerada do brasileiro e as mudanças no mercado de trabalho estão fazendo com que a aposentadoria fique cada vez mais longe. Mas o principal motivo para não conseguir se aposentar antes dos 60 anos é a reforma da Previdência aprovada em 2019.
A emenda constitucional 103 alterou as regras justamente para que homens e mulheres adiassem o pedido de benefício e seguissem no mercado de trabalho.
Dados do INSS mostram que o brasileiro se aposenta hoje com 61 anos, em média, segundo dados da Previdência. Desde 2019, a idade mínima para se aposentar é de 65 anos, para homens, e 62, para mulheres, para quem entra no mercado de trabalho. Quem já estava contribuindo tem regras mais vantajosas na transição.
Especialistas afirmam que uma nova reforma precisa começar a ser discutida a partir de 2027, e há algumas propostas em debate. Todas elas, no entanto, sugerem elevar a idade mínima na aposentadoria para 67 anos, igualando as regras entre homens e mulheres.
Regras de transição da aposentadoria do INSS em 2026
Pedágio de 100%
- Os segurados que estão na ativa podem se enquadrar na regra de transição do pedágio de 100%, que consiste em trabalhar e pagar o INSS por mais 100% do tempo que faltava para a aposentadoria na data de início da reforma -novembro de 2019
- Se o trabalhador estava a dois anos do benefício por tempo de contribuição, por exemplo, que exige 30 anos de pagamentos ao INSS das mulheres e 35 anos, dos homens, deve trabalhar mais dois anos, somando quatro
Pontos
- Há também a regra de transição por pontos, que determina o direito à aposentadoria ao atingir uma pontuação mínima, somando tempo de contribuição e idade. Em 2026, a pontuação será de 103 pontos para os homens e 93 para as mulheres
- Os pontos sobem a cada ano, até chegar a 105 (homens) e 100 (mulheres) a partir de 2033. É preciso ter o tempo mínimo de contribuição de 35 anos e 30 anos, respectivamente
Veja a pontuação mínima para se aposentar a cada ano
Ano – Homens – Mulheres
2019 – 96 – 86
2020 – 97 – 87
2021 – 98 – 88
2022 – 99 – 89
2023 – 100 – 90
2024 – 101 – 91
2025 – 102 – 92
2026 – 103 – 93
2027 – 104 – 94
2028 – 105 – 95
2029 – 105 – 96
2030 – 105 – 97
2031 – 105 – 98
2032 – 105 – 99
A partir de 2033 – 105 – 100
Idade mínima
- Outra regra de transição válida é a da idade mínima para a aposentadoria por tempo de contribuição
- Homens devem ter, no mínimo, 35 anos de contribuição ao INSS e mulheres, 30 anos na data do pedido
- A idade mínima exigida deles é de 64 anos e seis meses e, a delas, 59 anos e seis meses. Essa idade sobe meio ponto a cada ano
Veja a idade mínima para se aposentar a cada ano
Ano – Homens – Mulheres
2019 – 61 – 56
2020 – 61 anos e 6 meses – 56 anos e 6 meses
2021 – 62 – 57
2022 – 62 anos e 6 meses – 57 anos e 6 meses
2023 – 63 – 58
2024 – 63 anos e 6 meses – 58 anos e 6 meses
2025 – 64 – 59
2026 – 64 anos e 6 meses – 59 anos e 6 meses
2027 – 65 – 60
2028 – 65 – 60 anos e 6 meses
2029 – 65 – 61
2030 – 65 – 61 anos e 6 meses
A partir de 2031 – 65 – 62
Professores
- Os professores que já estavam no mercado de trabalho formal, em escola particular, podem se aposentar pela regra de transição, que também muda em 2026
- Há duas opções: por pontos e por idade mínima
- A diferença é que professores e professoras se aposentam com tempo mínimo menor do que os demais segurados
- Na transição por pontos, eles devem cumprir o tempo mínimo de contribuição e atingir a soma necessária da idade e do tempo de contribuição. A pontuação será acrescida de um ponto a cada ano até atingir o limite de 100 pontos para mulher e 105 pontos para homem
Veja como funciona
- Em 2026, a soma da idade e do tempo de contribuição é de 88 pontos para as mulheres e 98 pontos para os homens
- O tempo mínimo de contribuição é de 25 e 30 anos, respectivamente
Idade mínima
- Em 2026, a idade mínima de contribuição será de 54 anos e seis meses para mulheres e 59 e seis meses para os homens
- O tempo de contribuição mínimo é de 25 e 30 anos, respectivamente
- A idade aumenta seis meses a cada ano até atingir o limite de 57 anos para mulher e 60 anos para homem



