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terça-feira, 5 maio, 2026
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Lula, um presidente outsider antissistema: Alcolumbre muda campanha do PT

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De acordo com o painel Atlas/Bloomberg divulgado na semana passada, 81% dos eleitores brasileiros têm uma imagem negativa de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado Federal. É o vice-campeão de rejeição de imagem. O filme dele só está menos queimado que o de Hugo Mota (Republicanos-PB), presidente da Câmara, que é visto negativamente por 87% dos entrevistados no levantamento da empresa de pesquisas AtlasIntel.

Tendo ligado o motor que dá velocidade às proposições legislativas e obrigado os deputados a fazerem cinco sessões ordinárias esta semana a fim de serem contabilizadas para o prazo de tramitação da proposta de emenda à Constituição que institui a escala de trabalho de 40 horas semanais, como querem os autores da PEC, os governistas Érika Hilton (Psol-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG), o presidente da Câmara tenta se afastar da bolha nefasta dos extremistas de direita e fingir que apadrinha o projeto que antes rechaçava. Afinal, para Mota, vale tudo para surfar na popularidade da PEC do Fim da Escala 6 x 1 e, de lambuja, cabalar o apoio do presidente Lula para a pretensão do pai dele, Nabor Wanderley, candidato ao Senado pela Paraíba.

Davi Alcolumbre, presidente do Senado, qual menino buchudo e arengueiro em quermesse de igreja (evangélica), soprou um canudo com sabão na extremidade, ajudou a formação da bolha nefasta dos extremistas de direita e deixou-se prender dentro dela. Ao arquitetar a humilhação parlamentar à qual foi submetido o governo federal na semana passada com a derrota da indicação de Jorge Messias para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal, Alcolumbre tornou-se refém do ar tóxico que molda a bolha da extrema-direita.

Tendo sido eleito para o posto em fevereiro de 2025 com os votos de governistas e contra uma oposição xoxa dos senadores mais bundalelês da direita, como o espírita pró-armamentismo Eduardo Girão (Republicanos-CE) e o vendedor de travesseiros da Nasa, Marcos Pontes (PL-SP), Davi Alcolumbre decidiu mudar de lado e pagar com a moeda mais valiosa da política – a lealdade – a compra dos votos com os quais pretende se reeleger presidente do Senado em fevereiro de 2027. Além de negar ao presidente da República o direito constitucional que tem de repor as peças na Corte Constitucional do país, o amapaense egresso do baixo-clero parlamentar que preside a “Câmara Alta” brasileira ainda entregou no balaio de agressões indecentes à Democracia a redução de penas dos golpistas de 8 de janeiro de 2023 que foram condenados pelo STF a purgarem em regime fechado os crimes que cometeram.

Jorge Messias, o advogado pernambucano massacrado pelos ardis antirrepublicanos do presidente do Senado em conluio com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Rogério Marinho (PL-RN) e outros zumbis saídos dos porões da Casa Revisora do Parlamento, recebeu mais de 44 milhões de saudações e mensagens de apreço depois da derrota de seu nome no plenário. Messias colheu ainda o apoio explícito de várias denominações evangélicas e de personalidades caras à oposição ao presidente Lula e que estão na vida pública por representarem movimentos religiosos de cunho conservador e igualmente evangélico como a senadora Damares Alves (PL-DF) e o ministro do STF André Mendonça.

 

PRESIDENTE DO SENADO MUDOU DE TURMA – PARA SEMPRE

Ainda que tenham divergências quanto à raiz conservadora do credo religioso de Messias, vários movimentos progressistas da sociedade lamentaram a forma vil e flagrantemente cafajeste como ele foi usado na escalada de traições que visavam atingir o presidente da República. Ou seja, o espetáculo de traições e o destampatório de chantagens despudoradas ocorrido no Senado há uma semana expôs de forma muito clara a notória divisão da sociedade brasileira: de um lado, um projeto de inclusão social com buscas incessantes por abrir interlocuções com opositores – sobretudo, naquele caso específico, com quem faz oposição usando justificativas religiosas. Do outro lado, uma aposta única na sequência de tensões com a sociedade e no discurso de ódio estéril sem a proposição de nenhum programa que pacifique a cena brasileira.

Ao agir da forma como agiu, Alcolumbre decretou o caráter definitivo de sua mudança de turma no Congresso e assinou a ficha de filiação da oposição ao governo federal. Esperava uma senha para ir ao Palácio do Planalto recompor com o presidente Lula, saindo-se amplamente vencedor no embate. Não terá nem o pedido de desculpas, nem gesto algum de armistício ou recomposição. O presidente do Senado precisa começar a preparar os amigos, afilhados políticos e cúmplices que distribuiu em cargos públicos federais para o bilhete de emissão e de corte de ponto com o acréscimo, em alguns casos, de abertura de investigações por eventuais males feitos no rastro da ocupação imprópria de espaços no Estado.

Ministra da Casa Civil há um mês no cargo, Miriam Belchior sucedeu ao controvertido Rui Costa (PT-BA) expondo dentro do Palácio do Planalto o rol de virtudes que tem contra os amargos defeitos apresentados pelo baiano enquanto a cadeira operacional do governo. Foi Miriam quem recebeu do presidente Lula a missão de esquadrinhar as nomeações do senador amapaense espalhadas por toda a Esplanada dos Ministérios e por cargos federais em seu estado e em outras unidades da federação. Davi Alcolumbre conhecerá a excelência da formação política e partidária da ministra da Casa Civil e tem de estar preparado para os reveses que lhe provocarão a fúria da vingança palaciana.

 

ALCOLUMBRE DEVOLVEU A LULA A ‘SKIN’ DE SALVADOR DA PÁTRIA

Para muito além desse embate pessoal, o presidente do Senado revelou-se como chefe da camarilha parlamentar brasileira – e é o Congresso que consolida no imaginário popular a impressão de que políticos não trabalham, só roubam e nunca pensam nos mais pobres e nas fatias menos favorecidas da população. Flávio Bolsonaro, aliado cujo colo e ventre Alcolumbre abraçou e beijou depois de derrotar Lula, tem em Rogério Marinho o coordenador de sua campanha e de seu programa de governo.

Marinho foi a criatura desumana que, sob as ordens de Michel Temer, em 2017, promoveu a reforma trabalhista que aniquilou os valores da Carteira de Trabalho no mercado, revogou conquistas sociais que demoraram décadas para serem consolidadas a favor dos trabalhadores e, agora, é favorável a novos arrochos fiscais e ao fim dos aumentos reais do salário mínimo e das aposentadorias e pensões do INSS. Ou seja, Davi Alcolumbre se converteu na personagem icônica de chefe do lado desalmado e corrupto da política e deu de presente ao presidente Lula a oportunidade única de reencarnar no figurino que lhe alçou por três vezes à presidência: o de defensor dos mais pobres, o de líder do grupo que promove o resgate social dos brasileiros, o de salvador da pátria porque faz política com um projeto de sociedade nas mãos.

Tendo liderado o espetáculo de chantagens do Senado contra o Planalto na semana passada, Alcolumbre deu a Lula a oportunidade rara de ser um presidente candidato à reeleição e empunhar a bandeira de alguém antissistema – porque o “sistema político” está dominado e controlado pelo presidente do Senado. O amapaense concedeu ao antagonista até mesmo alguma folga para se apresentar nos estratos mais populares como um outsider da política, “gente como a gente” ,nas periferias. O ex-sindicalista passou a vida inteira nessa skin, sente-se à vontade nela, com ela perdeu três eleições presidenciais e venceu outras cinco – 2002, 2006, 2010, 2014 e 2022. Agora, está de volta ao figurino que pode consolidar a seu favor os 6 a 8 milhões de votos necessários a dar-lhe e ao seu grupo, a esquerda, o PT, a sexta vitória presidencial em um quarto de século.





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