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segunda-feira, 11 maio, 2026
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Lula transforma em lei o Dia das Vítimas da Covid-19 e o Amazonas relembra a tragédia que o negacionismo tentou apagar.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A criação da data reacende uma lembrança que ainda dói profundamente no Amazonas, estado que se tornou símbolo mundial do colapso sanitário durante a pandemia.

Entre a primeira e a segunda onda da Covid-19, milhares de amazonenses perderam a vida em meio ao caos na saúde pública, à falta de planejamento e ao negacionismo político.

Na primeira onda, entre março e dezembro de 2020, o Amazonas registrou mais de 5,2 mil mortes por Covid-19. Já na segunda onda, que atingiu o pico em janeiro de 2021, a situação se tornou ainda mais devastadora: somente nos primeiros meses de 2021, o número de mortes já havia ultrapassado todo o total do ano anterior.

Foi em janeiro de 2021 que Manaus viveu uma das cenas mais cruéis da pandemia. Hospitais ficaram sem oxigênio e pacientes morreram asfixiados enquanto familiares tentavam encontrar cilindros pelas ruas da cidade. O colapso aconteceu mesmo após alertas prévios sobre o risco de desabastecimento.

Enquanto o Amazonas enterrava seus mortos, o Brasil assistia a um governo federal minimizar a gravidade da pandemia. Jair Bolsonaro chamou a Covid-19 de “gripezinha”, afirmou “não sou coveiro” ao ser questionado sobre o aumento das mortes e colocou em dúvida a vacinação em diferentes declarações públicas.

Ao invés de fortalecer campanhas de vacinação e medidas sanitárias, o país viu a promoção de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19. No auge da crise em Manaus, o Ministério da Saúde enviou milhares de comprimidos de cloroquina ao Amazonas enquanto hospitais enfrentavam falta de oxigênio.

A tragédia do Amazonas escancarou algo que nunca deveria ser tratado como debate ideológico: saúde pública salva vidas. Quando um governo escolhe negar a ciência, desacreditar vacinas e ignorar alertas técnicos, quem paga a conta é a população mais pobre, mais vulnerável e mais distante dos grandes centros.

A pandemia mostrou a diferença entre um governo que cuida do povo e um governo negacionista. Um investe em vacina, planejamento e proteção social. O outro transforma mortes em estatística e sofrimento em disputa política.

Por isso, criar um Dia em Memória das Vítimas da Covid-19 não é apenas um gesto simbólico. É um compromisso com a verdade histórica. É lembrar que vidas não podem ser tratadas como números ou disputa política.

O Amazonas não esquece os corredores lotados, os cemitérios abarrotados e as famílias destruídas pela dor.
E o Brasil também não deveria esquecer.

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