Por Igor Gielow
(Folhapress) – O novo levantamento do Datafolha sobre a corrida presidencial, feito em meio à crise no STF (Supremo Tribunal Federal), traz Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) empatados tecnicamente no primeiro turno, com o petista marcando 39%, ante 36% do rival.
No segundo, eles mantêm o empate da rodada anterior: 46% para o presidente e 44% para o senador.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos. Há uma semana, Lula marcava 39% e o filho do seu antecessor Jair Bolsonaro, 35%. Agora, a distância entre eles fica no menor patamar da disputa, 3 pontos, ante 10 registrados em maio.
Na primeira rodada, atrás dos líderes vêm Augusto Cury (Avante), com 6%, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%. Marcam 1% Samara (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO). Aqueles que declaram votar em branco ou nulo são 6%, e os indecisos, 3%.
O Datafolha ouviu 2.002 pessoas, em 125 municípios, de terça (15) a quinta (17). O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-04029/2026.
Considerando os votos válidos, que excluem a votação em branco no dia da votação (e que são usados para já definir o resultado se o vitorioso tiver ao menos 50% mais um), Lula hoje tem 43%, Flávio, 39% e os demais, 16%.
Na pesquisa espontânea, sem a apresentação dos nomes dos concorrentes, Lula oscilou de 33% para 35% e Flávio, de 25% para 26% em uma semana.
Na simulação de segundo turno agora, Lula segue com 46% e Flávio, com 44%. O petista também empata, aí numericamente, em 44% a 44% com Cury. Bate Caiado no limite da margem por 46% a 42% e supera Zema (48% a 39%) e Renan (47% a 38%) com mais facilidade.
Do ponto de vista de perfil em grandes estratos da amostra do Datafolha, não há mudanças radicais. Lula segue melhor que Flávio entre os 49% mais pobres (46% a 29%), os 28% menos escolarizados (47% a 30%), os 27% de nordestinos (56% a 26%) e os 50% de católicos (43% a 34%).
Um desafio para a campanha é motivar o eleitorado mais pobre e com estudo até o fundamental a ir votar, dado que eles representaram a maior parte dos 20,9% de eleitores que se abstiveram de ir às urnas no primeiro turno de 2022.
Já o senador mantém sua liderança entre os 34% que ganham de 2 a 5 salários mínimos (41% a 33%) e os 12% que ganham mais de 5 mínimos (44% a 28%), contando que nos dois grupos a margem de erro sobe a seis pontos.
Ele também bate Lula entre os 15% de sulistas (45% a 27%) e entre os 28% de evangélicos (48% a 26%). No Sudeste, principal colégio eleitoral com 42% da amostra da pesquisa, há um empate com vantagem numérica para Flávio: 37% a 35%.
O levantamento, contratado pela Folha e pela TV Globo, foi feito integralmente sob o impacto da grave crise envolvendo o Supremo, que transbordou na campanha eleitoral e dominou a política do país.
No quesito rejeição, como reflexo da polarização extrema do eleitorado brasileiro, os líderes da campanha presidencial continuam empatados: dizem não votar de forma alguma em Flávio e Lula os mesmos 47% (há uma semana, eram 46%).
A pesquisa também mostra que o governo Lula é visto como ruim ou péssimo por 42% dos brasileiros (mesma situação da semana anterior), enquanto 34% o avaliam como ótimo e bom (antes eram 32%). Outros 23% afirmam que ele é regular (no levantamento anterior eram 25%).
Também reprovaram pessoalmente o presidente 50%, ante 48% que o aprovam, índice semelhante ao aferido na semana passada (50% a 47%), com ligeira oscilação do dado favorável a Lula para cima.
Na última terça (15), o STF suspendeu a sessão em que seria avaliada a abertura de investigação sobre as relações do ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master com quem o escritório de advocacia da mulher do magistrado tinha um contrato de R$ 131 milhões.
O grupo pró-Moraes, associado politicamente a Lula, operou para que o indicado por Bolsonaro à corte Kassio Nunes Marques se declarasse impedido. Depois, Flávio Dino, ex-ministro da Justiça de Lula, encerrou o bate-boca no plenário pedindo vista de uma questão de ordem em debate.
Tudo isso jogou para depois das eleições a discussão, mas o estrago político para Lula já estava feito, dada a associação política entre ele e Moraes.
O acusador do ministro, seu colega André Mendonça, outro indicado por Bolsonaro ao Supremo, também foi criticado por sua condução vista como política do caso, mas entre líderes partidários a avaliação é de que Moraes é o principal perdedor do debate.
Como diz um importante presidente de partido de centro, foi Lula quem colocou no colo Moraes, que encarnou a defesa contra o golpismo bolsonarista e comandou o julgamento que deu 27 anos e três meses de prisão para o ex-presidente.
Pelo que se aferiu até a semana passada, a crise não mudava o voto da maioria dos brasileiros, mas influenciava uma fatia suficiente para alterar o resultado em um pleito tão apertado.
O presidente ensaia uma reação em outra frente ao anunciar um reajuste de 15% para o Bolsa Família, já quando o trabalho dos pesquisadores do Datafolha estava se encerrando.
A tática deu certo para alavancar Bolsonaro pai na disputa que acabou perdendo para Lula em 2022, mas é incerto o efeito agora, dado que o petista já pontua com muita vantagem entre os beneficiários do programa.
Nesta pesquisa, 53% daqueles que recebem o benefício declaram voto em Lula, ante 28% em Flávio. Já entre quem não recebe, há empate: 37% votam no senador e 36%, no presidente.
Já contra Flávio há a possibilidade de a manutenção da crise no noticiário fazer surgir novidades acerca de sua própria relação com Vorcaro, a quem chamava de “meu irmão” e de quem cobrou dinheiro para supostamente bancar a produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre seu pai.
O sigilo sobre o caso foi retirado, e há toda a questão a ser esmiuçada do caminho dos quase R$ 70 milhões que o ex-banqueiro desembolsou.



