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domingo, 2 agosto, 2026
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Lula se lança à reeleição e reforça defesa da soberania

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A convenção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), realizada neste domingo (02), em São Paulo, oficializou a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição e apresentou as principais diretrizes que devem orientar sua campanha à presidência da república. Com forte apelo à defesa da soberania nacional, valorização do Brasil e da pauta trabalhista, o encontro reuniu lideranças dos partidos aliados e durou cerca de quatro horas e meia.

A programação começou pouco antes das 10h e terminou por volta das 14h30. Lula subiu ao palco perto do meio-dia e discursou durante aproximadamente uma hora. Antes dele, falaram o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente nacional do PT, Edinho Silva.

“Agora que temos o básico garantido é a hora de dar um salto”, disse Lula.

“Nós vamos para uma campanha em que qualquer assunto, em qualquer estado, com qualquer governador, vocês podem ter orgulho de defender o que o governo federal fez naquele estado. (…) Fizemos tudo? Não. Deus levou sete dias para fazer o mundo e ainda não acabou, porque só vai acabar o dia que a gente acabar com gente ruim no mundo, sobretudo com a violência de homem contra a mulher”, afirmou Lula durante a convenção.

A cerimônia foi marcada por símbolos nacionais. O público exibiu bandeiras do Brasil e um grande bandeirão ocupou parte da plateia. Antes da entrada de Lula, foram apresentadas as bandeiras dos 26 estados e do Distrito Federal, em uma encenação voltada a reforçar a ideia de unidade do país.

Os organizadores destacaram a participação dos partidos que integram a coligação governista. Lideranças do PCdoB, PV, PSB, PDT e da Federação PSOL-Rede foram chamadas ao palco, em um gesto para evidenciar a amplitude da aliança construída em torno da candidatura petista.

A trilha sonora da convenção também teve papel de destaque. Um dos lançamentos foi o chamado “Rap da Silva”, adaptação da música “Eu Sou Mais o Silva”, com referências a Lula. Outro jingle executado repetidas vezes foi “Tapete Vermelho”, que ressalta o reconhecimento internacional do presidente.

Foto: William De Lucca

Defesa dos trabalhadores

A defesa dos trabalhadores apareceu como um dos principais pilares da campanha. A proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 foi mencionada diversas vezes ao longo do evento e deverá ser uma das principais bandeiras eleitorais do PT. O tema também será o foco de um grande ato marcado para 16 de agosto, no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.

Em seu pronunciamento, Geraldo Alckmin fez um discurso de união nacional e aproveitou para defender a confiabilidade das urnas eletrônicas. Em tom de brincadeira, afirmou que elas “são tão competentes que não aceitam voto de argentino nem de americano”. No encerramento de sua fala, resgatou o slogan “Lula e Chuchu”, utilizado na campanha presidencial de 2022.

Fernando Haddad também enfatizou a defesa da soberania brasileira e afirmou que, no Brasil, “ninguém coloca boné de outro país”, em uma crítica indireta aos adversários políticos.

Discurso de Lula

Durante cerca de uma hora de discurso, Lula evitou citar nominalmente o principal adversário na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL). As poucas referências à oposição foram dirigidas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, chamado de “traste” durante uma comparação entre o programa Minha Casa, Minha Vida e o Casa Verde e Amarela, lançado na gestão anterior.

O presidente também criticou o atual modelo de financiamento dos partidos políticos. Lula disse que não concorda com o fundo partidário por considerar que os recursos poderiam ser destinados a outras prioridades nacionais.

“Minha quarta presidência é pra mudar muita coisa. Vai ter briga com emenda parlamentar. (…)
Esse negócio de fundo partidário não me agrada, está levando os partidos à promiscuidade. Fez todos nós iguais”, disse.

Na área de educação e inovação, Lula defendeu investimentos em inteligência artificial e afirmou que o país precisa ampliar a formação de profissionais nas áreas de matemática, física e outras ciências exatas para fortalecer o desenvolvimento tecnológico brasileiro.

Em determinado momento, o presidente interrompeu sua fala para destacar que apenas homens haviam discursado até então. Lula afirmou que era importante ampliar a participação feminina em eventos políticos e reforçou a necessidade de garantir maior representatividade das mulheres.

Foto: William De Lucca

Cinco compromissos para um novo mandato

Na parte final do discurso, Lula apresentou o que classificou como cinco prioridades para um eventual novo governo.

A primeira delas é ampliar os investimentos em educação, considerada por ele uma das principais ferramentas para o desenvolvimento do país. “É mais barato investir em educação do que manter alguém na prisão. E quem pode ir pra prisão é esse jovem, se a gente não investir nele”, disse Lula.

Em seguida, defendeu a criação de novas políticas voltadas à população idosa, afirmando que o Brasil precisa “pagar uma dívida” com quem já trabalhou e contribuiu para o crescimento nacional, por meio de melhorias na Previdência e em programas destinados à terceira idade.

O terceiro compromisso foi o fortalecimento da área de defesa. Lula afirmou que a esquerda não deve tratar o tema como um tabu e defendeu investimentos nas Forças Armadas e na proteção da costa brasileira, argumentando que a defesa do território faz parte da agenda de soberania nacional.

Outro ponto destacado foi a aceleração da transição energética, com incentivo às fontes limpas e renováveis de energia.

Por fim, Lula voltou a colocar a inclusão social como prioridade de seu projeto político, afirmando que reduzir desigualdades continua sendo uma “obsessão” de sua trajetória pública.

Ao encerrar o discurso, o presidente também fez referência ao slogan “Lulinha Paz e Amor”, utilizado na campanha de 2002. Segundo ele, o momento atual exige outra postura. Lula afirmou que sua prioridade agora será aprofundar as políticas de inclusão social e enfrentar os desafios do país a partir desse compromisso. “No quarto mandato, eu não quero Lulinha paz e amor, quero Lulinha porreta”, disse.

 

*Com informações de André Uzeda.





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