O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou na ONU nesta terça-feira que as potências precisam assumir suas responsabilidades e insistiu que a guerra é a “falência total da política”. Mas foi para Donald Trump que Lula reservou grande parte de seus recados.
Segundo ele, a América Latina vive “tentações hegemônicas”. Mas alertou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
Lula defendeu que a região precisa de uma agenda positiva e que diferenças ideologias não podem ser obstáculos para a integração.
Para ele, a democracia está sob ataque e denunciou que estamos vendo “ingerência em processos eleitorais”.
Lula ainda criticou as ações neocoloniais e, apesar de defende a luta contra o crime organizado, indicou que não irá aceitar “terceirizar a responsabilidade” de segurança das fronteiras. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, defendeu.
O brasileiro ainda criticou a “chantagem” feita por Trump com as barreiras comerciais e insistiu que a exploração de terras raras vai ter de gerar benefícios aos brasileiros.
O discurso de Lula abriu a Assembleia Geral da ONU, evento que irá reunir 71 chefes de estado, 45 chefes de governo, 50 ministros e onze vice-presidentes ao longo dos próximos dias. Mas, desta vez, ele acontece ainda numa encruzilhada histórica da política brasileira. Às vésperas da eleição e sob ataques dos EUA, a decisão do governo foi a de usar a tribuna mais importante da diplomacia mundial para sair em defesa da democracia brasileira, do processo eleitoral e do princípios de que países não podem se meter nos assuntos domésticos de outros.
O ICL Notícias antecipou, na semana passada, os principais pontos do discurso do presidente: soberania, democracia, a luta contra o crime organizado e a defesa do multilateralismo. Nesta terça-feira, ele seguiu o roteiro que havia sido construídos nas últimas semanas no Palácio do Planalto e no Itamaraty.
Na bancada do Brasil na Assembleia estavam a primeira-dama, Janja, o chanceler Mauro Vieira, o assessor especial Celso Amorim, o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, o ministro do Desenvolvimento, Wellington Dias, além do embaixador Audo Faleiro. O brasileiro retorna ainda hoje ao Brasil para retomar a campanha eleitoral.



