Por Cleber Lourenço
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve comparecer à sessão solene em homenagem aos 200 anos da Câmara dos Deputados, marcada para esta terça-feira (6), no plenário Ulysses Guimarães. A informação foi confirmada por integrantes da assessoria do presidente da Casa, Hugo Motta que afirmaram que o presidente da República, até o momento, não confirmou presença na agenda, e reforçada, em caráter reservado, por aliados do Palácio do Planalto.
A ausência chama atenção pelo peso institucional do evento. Estão confirmadas as presenças do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, e do presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo Filho. Também participarão ex-presidentes da Câmara como Michel Temer, João Paulo Cunha, Arlindo Chinaglia, Marco Maia, Eduardo Cunha, Waldir Maranhão e Rodrigo Maia.
A lista de convidados transforma a solenidade em um retrato das últimas décadas da política brasileira, incluindo nomes diretamente associados a momentos de ruptura institucional e disputas de poder. Entre eles, Eduardo Cunha, que presidia a Câmara em 2016 e foi o responsável por dar andamento ao processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, decisão que redefiniu o cenário político nacional.
A presença de Cunha no evento, ao lado de outras figuras centrais daquele período, ocorre em um momento em que o Congresso volta a protagonizar movimentos de enfrentamento com o Executivo. Recentemente, deputados e senadores derrubaram o veto do presidente Lula ao projeto conhecido como PL da dosimetria, medida criticada por aliados do governo por abrir espaço para a redução de penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro.
Nos bastidores, a avaliação entre integrantes do governo é de que a derrubada do veto representou mais um episódio de desgaste na relação com o Legislativo, especialmente com setores do centrão. A decisão foi vista como um recado político claro da base parlamentar, indicando insatisfação com a condução da articulação do governo no Congresso.
A agenda oficial do presidente para o mesmo dia não inclui a participação na sessão solene. No mesmo horário do evento na Câmara, Lula tem uma reunião marcada com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, no Palácio do Planalto, além de outros compromissos internos ao longo do dia.
A ausência de Lula em um evento que reúne os chefes dos demais Poderes e figuras históricas da Câmara é interpretada, por interlocutores, como um gesto político em meio ao ambiente de tensão entre Executivo e Legislativo.
A sessão solene foi organizada pela presidência da Câmara como um dos principais atos comemorativos do bicentenário da instituição, com o objetivo de destacar o papel do Legislativo na história política do país.



