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quinta-feira, 5 novembro, 2026
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Lula convoca reunião com economistas próximos ao PT e quer ampliar discussão sobre cenário econômico

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Por Marcos Hermanson

(Folhapress) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai iniciar nesta quinta-feira (5) uma série de conversas com economistas e empresários de diferentes vertentes para decidir os rumos da política fiscal do governo, segundo apurou a Folha.

O primeiro encontro, nesta quinta, será com nomes mais próximos de Lula. O presidente espera receber o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do Planejamento Bruno Moretti, o presidente do BNDES Aloizio Mercadante, a ministra da Gestão e Inovação Esther Dweck, o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

Cotado para assumir o ministério da Fazenda no governo Lula 4, o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), não participa da reunião.

Futuro

Nas próximas semanas, Lula também vai escutar outros economistas, tanto ortodoxos como heterodoxos, sobre o cenário econômico. A sugestão de ampliar o processo de escuta partiu do próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan, segundo apurou a reportagem.

“É mais um esforço da gente dividir o cenário, os diagnósticos, e eu vou levar certamente as propostas, as ideias em termos gerais do que a gente deve fazer nas próximas semanas”, afirmou o ministro a jornalistas nesta quinta.

O governo está sob pressão de setores econômicos para que apresente um plano de ajuste fiscal capaz de conter a trajetória ascendente da dívida pública, em meio a escalada do dólar e queda da Bolsa de Valores desde o resultado do segundo turno.

Além dos encontros com economistas, o governo também foi procurado por empresários buscando interlocução e deve começar a programar agendas com os setores nas próximas semanas. Banqueiros, representantes do setor produtivo, empresários da construção civil estão na lista.

Pronunciamento

Como mostrou a Folha, o discurso preparado pelo governo para pronunciamento deste domingo (8) prevê que Lula reafirme sua preocupação com a taxa de juros e a dívida pública, apontando que tomará medidas necessárias para a estabilidade da economia e honrará seus compromissos de campanha de forma sustentável.

Na quarta-feira (4), o Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, interrompendo uma sequência de cinco cortes consecutivos da Selic. A decisão foi tomada em meio à turbulência nos mercados financeiros após a reeleição de Lula.

O Copom (Comitê de Política Monetária) citou o aumento das incertezas, a piora das expectativas de inflação e a desaceleração da atividade econômica para justificar a pausa, sem sinalizar quando poderá retomar a redução dos juros.

A reação dos investidores ao resultado eleitoral provocou uma sequência de perdas na Bolsa brasileira. Na semana passada, o Ibovespa acumulou queda de 18%, a maior desde 2020, enquanto o dólar avançou 9,18%, na maior alta semanal em 18 anos.

Na terça-feira (3), a Bolsa registrou o sexto pregão consecutivo de baixa e atingiu o menor patamar de fechamento desde janeiro. O índice voltou a subir na quarta (4), com valorização de 1,20%, enquanto o dólar recuou para R$ 5,45.

Parte da tensão foi alimentada pela repercussão de uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para reduzir os juros por meio de um novo arranjo entre as políticas fiscal e monetária.

A ideia prevê a criação de um conselho responsável por definir metas conjuntas e a redução gradual da Selic para 7,5% ao ano. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou à Folha que a proposta de tabelamento dos juros não está em discussão no governo.





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