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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viaja ao Rio de Janeiro nesta sexta-feira (16) para se reunir com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O encontro, que ocorrerá no Palácio do Itamaraty, antecede a formalização simbólica do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, marcada para o sábado (17), em Assunção, no Paraguai.
Embora o tratado seja oficialmente celebrado na capital paraguaia, Lula não participará da cerimônia e será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
O Paraguai exerce a presidência pro tempore do Mercosul. Inicialmente, a assinatura do acordo estava prevista para ocorrer em nível ministerial, uma vez que o tratado é referendado pelos chanceleres dos países envolvidos.
A presidência paraguaia, no entanto, optou por ampliar o encontro, convidando chefes de Estado para a cerimônia.
Com isso, a solenidade em Assunção contará apenas com a presença dos presidentes da Argentina, Javier Milei; do Uruguai, Yamandú Orsi; e da Bolívia, Rodrigo Paz.
Disputa por protagonismo no Mercosul
Lula defendia que o acordo de livre comércio fosse chancelado ainda em dezembro, durante a 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada em Foz do Iguaçu (PR), como uma marca da presidência brasileira à frente do bloco. A expectativa, porém, foi frustrada diante de divergências internas na União Europeia, o que levou ao adiamento da decisão.
A estratégia adotada agora pelo Planalto busca preservar o protagonismo brasileiro no processo. No Rio, Lula posará para a foto oficial apenas com os líderes europeus, em um evento próprio solicitado por Ursula von der Leyen e António Costa, que farão escala na capital fluminense antes de seguir para Assunção.
Reunião reservada e discurso calibrado
Após um encontro reservado, os líderes devem conceder uma declaração conjunta à imprensa. Auxiliares do presidente dizem que o comunicado será restrito à celebração do acordo comercial, evitando temas sensíveis da agenda internacional, como os recentes conflitos envolvendo Estados Unidos, Venezuela e Irã — ainda que esses assuntos possam surgir na conversa privada.
Para o governo brasileiro, o gesto dos europeus reconhece o papel do Brasil na retomada e conclusão do acordo, negociado ao longo de mais de 25 anos e tecnicamente fechado desde 2019.
O que prevê o acordo Mercosul–UE
O tratado cria uma ampla zona de livre comércio entre os dois blocos, facilitando o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu, que reúne cerca de 450 milhões de consumidores. Entre os principais pontos estão a redução gradual de tarifas de importação sobre produtos agrícolas e industriais e o aumento da previsibilidade das regras comerciais.
Setores do agronegócio, como carnes, açúcar, etanol, suco de laranja e grãos, estão entre os mais beneficiados. O governo também aposta no aumento de investimentos estrangeiros em áreas como infraestrutura, indústria e tecnologia.
Juntos, Mercosul e União Europeia representam um mercado de aproximadamente 780 milhões de consumidores e um fluxo comercial bilionário.
Ratificação ainda enfrenta resistências
A expectativa do governo brasileiro é que o acordo entre em vigor no segundo semestre deste ano. Para isso, o texto precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos Legislativos dos países do Mercosul.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o Planalto espera aprovação no Congresso Nacional até o fim do primeiro semestre. Já na Europa, o processo tende a ser mais complexo.
Setores agrícolas, especialmente na França, pressionam contra o acordo, temendo concorrência de produtos sul-americanos. O presidente francês, Emmanuel Macron, é um dos críticos do tratado.
Cerca de 150 parlamentares europeus ameaçam recorrer ao Tribunal de Justiça da União Europeia para barrar o acordo, o que pode atrasar sua implementação por meses ou até anos.
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