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sábado, 17 outubro, 2026
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Liquidante do Master não encontra registros de financiamento ao filme de Bolsonaro

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Por Cleber Lourenço

O responsável pela liquidação do Banco Master informou que não encontrou documentos que comprovem financiamento ou patrocínio do banco ao filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro para a qual Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou recursos com o banqueiro Daniel Vorcaro. A informação consta de uma resposta oficial enviada ao deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), datada de 13 de outubro. O documento não esclarece a origem dos recursos destinados ao longa, que recebeu milhões de dólares por meio de operações financeiras envolvendo empresas intermediárias.

A resposta foi assinada por Eduardo Felix Bianchini, responsável técnico da empresa encarregada da liquidação das instituições do conglomerado Master. O documento atende a um requerimento apresentado por Lindbergh em 10 de outubro, solicitando informações sobre eventuais operações financeiras, diretas ou indiretas, relacionadas ao financiamento da produção, também chamada de O Capitão do Povo.

No item 2, o liquidante afirma:

“Após consulta aos acervos das instituições representadas, não foram encontrados documentos, registros contábeis ou contratuais que evidenciem a realização de operações destinadas ao financiamento, patrocínio ou aporte de recursos para a produção cinematográfica mencionada.”

O documento acrescenta que não foram identificados registros dessas operações, diretamente pelas instituições do grupo ou por intermédio de terceiros, dentro dos limites das informações examinadas.

A declaração não descarta a possibilidade de Vorcaro ter financiado a produção com recursos particulares ou por meio de outras empresas. No entanto, não oferece respaldo documental, nos acervos consultados, à hipótese de um patrocínio realizado pelas instituições do Banco Master.

Jim Caviezel em cena de 'Dark Horse', filme sobre Jair Bolsonaro Jim Caviezel em cena de 'Dark Horse', filme sobre Jair Bolsonaro - Reprodução
Jim Caviezel em cena de ‘Dark Horse’, filme sobre Jair Bolsonaro. (Foto: Reprodução)

Liquidante também não encontra operações com fundo no exterior

A resposta aborda ainda o Havengate Development Fund LP, fundo norte-americano que aparece nas investigações sobre as transferências destinadas à produção cinematográfica.

“Não foram localizados registros ou documentos que demonstrem eventuais operações das instituições representadas com o mencionado Havengate Development Fund LP, que possam estar relacionadas à referida produção cinematográfica”, informa o liquidante.

O fundo é apontado como destinatário de transferências realizadas pela Entre Investimentos e Participações, empresa envolvida na movimentação dos recursos.

Segundo informações divulgadas pelo UOL, Antonio Carlos Freixo Junior, ligado à Entre, declarou à Polícia Federal ter realizado sete transferências ao Havengate, totalizando US$ 12,3 milhões. Ele afirmou acreditar que os valores seriam destinados a investimentos imobiliários e não ao financiamento de um filme sobre Bolsonaro.

Banco invoca sigilo sobre operações de intermediária

Ao tratar da Entre Investimentos e Participações, entretanto, a resposta do liquidante adota uma posição diferente.

Em vez de informar se encontrou ou não operações envolvendo a empresa, o documento afirma que movimentações financeiras anteriores à liquidação estão protegidas pelo sigilo bancário previsto na Lei Complementar nº 105/2001.

O liquidante sustenta que não é suficiente, para afastar esse sigilo, “a mera formulação de requerimento administrativo ou a invocação genérica de interesse público”.

A resposta também menciona a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e afirma que a divulgação de informações protegidas depende de fundamento jurídico específico.

Com isso, permanecem sem esclarecimento público os detalhes de eventuais movimentações entre as instituições do Master e a Entre, empresa identificada nas investigações como uma das intermediárias das transferências internacionais.

Origem do dinheiro permanece sob questionamento

Flávio Bolsonaro reconheceu ter procurado Daniel Vorcaro para negociar recursos destinados à produção cinematográfica sobre seu pai. Sua assessoria afirmou à Folha de S.Paulo que ele não participou da execução dos pagamentos e desconhecia os meios utilizados para realizá-los. O candidato também negou ter recebido vantagens.

A resposta do liquidante não comprova irregularidades nas transferências, mas acrescenta uma informação à apuração: as instituições do Banco Master não localizaram, nos registros examinados, documentos que comprovem financiamento ou patrocínio bancário ao filme.

O esclarecimento mantém em aberto questões sobre a origem efetiva dos valores, a participação de intermediários e a destinação final dos recursos.

A dimensão da operação e o envolvimento de um banqueiro investigado, procurado pelo filho de um ex-presidente para financiar uma produção sobre sua trajetória política, tornam necessária a identificação documental de quem forneceu o dinheiro e em quais condições.

Até o momento, a resposta oficial não permite reconstruir integralmente o percurso dos recursos. A ausência de registros de patrocínio nas instituições do Master, somada às restrições de acesso às informações sobre a intermediária financeira, deixa sem resposta uma questão central: quem efetivamente financiou o filme de Jair Bolsonaro?





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