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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Liquidação da REAG: BC entra na caixa-preta de fraudes em série no Sistema Financeiro

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Por Luís Costa Pinto e Leandro Demori

A REAG Trust DTVM foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central na manhã desta 5ª feira, 15 de janeiro de 2026, porque operava irresponsavelmente, ousadamente e ilegalmente emprestando dinheiro a seus controladores. Essa é uma irregularidade que, sozinha, levaria a “distribuidora de títulos e valores mobiliários” à liquidação. É conduta vedada pelas regras de operação do BC brasileiro. Mas, o assalto da REAG às normas do mercado financeiro e do próprio capitalismo minimamente civilizado não pararam ali.

A DTVM criada e comandada com mão-de-ferro pelo contador João Carlos Mansur, considerado um “às” do mercado financeiro brasileiro até o dia 28 de agosto de 2025, quando a Operação Carbono Oculto foi às ruas e começou a lançar uma nuvem pesada e sombria sobre seu modus operandi,  também figurava como sócia em operações estruturadas dos fundos administrados por ela. A REAG ainda fazia com que fundos sob sua operação confundissem o patrimônio deles com o do próprio administrador. Tudo isso é considerado conduta vedada pelas regras do Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários, que trata de regular o mercado financeiro a fim de tentar domar a selvageria.

Em síntese, a REAG DTVM, ou “CBSF DTVM”, como passou a se chamar depois da ultra exposição negativa de agosto do ano passado, quando vieram à tona as primeiras (e tênues) suspeitas de irregularidades operacionais misturadas com pesadas desconfianças de que “distribuidora” fundada por Mansur era um hub financeiro de lavagem de dinheiro e alavancagem de negócios tanto pelo PCC (Primeiro comando da Capital, uma organização criminosa facínora) quanto pelos controladores do extinto Banco Master.

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João Carlos Mansur. Reprodução/Linkedin

Reag: agressivo, arrogante, assediador

Mansur imprimiu à REAG um modelo de ação à sua imagem e semelhança: agressivo, ousado, assediador de novos clientes e parceiros e arrogante. Foi fazendo uso desses diferenciais competitivos, não necessariamente qualificantes, que atraiu o banqueiro Maurício Quadrado e o investidor Nelson Tanure para formarem o trio de ferro da DTVM – não necessariamente ou claramente como sócios, mas como parceiros. Os dois, Quadrado e Tanure, compartilham os mesmos valores de atuação no mercado.

Os três começaram, então, por meio de uma extensa e engenhosa rede de fundos e corretoras derivadas da REAG – Planner, Bravox, Sefer, Trustee, Arleen, Advanced – a fazer investimentos cruzados em outras empresas de capital aberto ou fechado. Entravam nelas como investidores-salvadores, assumiam o controle e esmagavam os sócios minoritários. Vencida a primeira fase do controle, criavam empréstimos sem lastro, muitas vezes remuneravam os constrangidos sócios com um percentual daquele falso empréstimo e lastreavam a ficção contábil com títulos podres como debêntures de bancos quebrados no passado (por exemplo, o BESC – Banco do Estado de Santa Catarina) ou instituições financeiras claudicantes do presente, como o liquidado Master e profundamente enrolado Banco Regional de Brasília (BRB).

Antônio Pereira de Souza, liquidante determinado pelo Banco Central para fechar as operações em aberto da REAG/CBSF, enviar aos investigadores o que tiver de ser investigado e passar adiante operações saudáveis (que existem), terá acesso a todo o rol de irregularidades, ilegalidades e irresponsabilidades cometidas pela turma que estava lá.

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Daniel Vorcaro

A chegada de Vorcaro, Lima e Zettel

Quando o sistema começou a rodar pesado no mercado e a REAG ganhou fama de dínamo operacional do “capitalismo brasileiro”, isso durante a pandemia por coronavírus de 2020 e sob os anos trágicos da “Era Bolsonaro”, os ainda banqueiros (agora ex) Daniel Vorcaro e Augusto Lima se uniram à trinca. Cunhado de Vorcaro e igualmente arrogante e agressivo como Mansur, o pastor e investidor Fabiano Zettel completou o sexteto. Esses três últimos eram uma espécie de obreiros da engrenagem de irregularidades e de ataques às regras do mercado financeiro que funcionava a partir do comando de Mansur, Tanure e Quadrado.

Por fim, assegurando que criaria um sistema de proteção midiático capaz de reduzir exposições à “marca” da turma, uniu-se ao sexteto o sétimo integrante da cúpula ora em ruína e no foco dos holofotes e das lentes das fiscalizações do BC, da Polícia Federal e do Ministério Público: Antônio Carlos Freitas Júnior, vulgo “Mineiro”. Ele foi levado para dentro do sistema pelas mãos de Vorcaro e de Zettel e já tratava de estruturar uma rede de veículos de mídia destinada a dar curso e vezo aos interesses e às versões do grupo. “Mineiro” havia comprado a operação digital da revista Istoé, quebrada nas mãos da família Alzugaray, tornou-se sócio do “Brazil Journal”, uma espécie de “diário oficioso” de um núcleo determinado de instituições da avenida Faria Lima (coração financeiro do país), do site “Platô.Br” e, por meio desse site, estava até o fim de dezembro de 2025 tentando adquirir o controle da massa quase falida dos Diários Associados – o combalido conglomerado jornalístico montado por Assis Chateaubriand que ainda conserva os prestigiosos títulos Correio Braziliense, de Brasília, e Estado de Minas, em Minas Gerais.

Um fundo chamado “Leal”, criado por “Mineiro”, era o braço operacional nessa área midiática. Associado a um operador chamado Flávio Carneiro, Antônio Carlos Freixo Júnior funcionava como abre-alas essencial aos interesses de Vorcaro, de Lima e do Master em Brasília e na Faria Lima. Essa era a face pública do grupo que se unia embaixo do guarda-chuva da REAG DTVM sem que fossem necessariamente sócios de papéis (públicos) passados em contratos transparentes.

Esquema Ponzi

A teia operacional montada pela turma que agora enfrenta um duro processo de liquidação extrajudicial pelo Banco Central e terá todos os seus documentos, mídias digitais, celulares e vida financeira e patrimonial esquadrinhadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, foi um típico “Esquema Ponzi”. Quando ocorre uma fraude de investimentos onde lucros prometidos aos investidores chegam do dinheiro de novos participantes, e não de um negócio real e palpável, funcionando como uma pirâmide financeira disfarçada, dá-se a isso o nome de “Esquema Ponzi”.

Charles Ponzi foi um vigarista italiano. Tornou-se famoso nos anos 1920, quando criou um esquema de investimentos fraudulentos prometendo lucros altíssimos em curto prazo. Pagava investidores antigos com “lucros novos”. Foi daí que surgiu a analogia com as “pirâmides financeiras” e a denominação é usada até hoje.

Tão logo decretou a liquidação extrajudicial da REAG DTVM, o Banco Central determinou que seu ex-funcionário de carreira, Antônio Pereira de Souza, fosse o liquidante da operadora. Experiente, Pereira de Souza atuou na liquidação extrajudicial do Bamerindus, em 1997. Banco com forte presença no financiamento ao agronegócio, o Bamerindus quebrou justamente por cometer fraudes na estruturação de falsos empréstimos a produtores rurais. José Eduardo Andrade Vieira, herdeiro e controlador do Bamerindus na época da liquidação, havia sido ministro da Agricultura de Itamar Franco e colega de senado e de ministério de Fernando Henrique Cardoso, presidente durante a ruína da instituição – ou seja, o liquidante do REAG tem experiência em lidar com embates políticos e lobbies pesados.

 

 



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