Por Cleber Lourenço
O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), foi levado ao hospital DF Star, em Brasília, após passar mal e desmaiar durante a reunião do Colégio de Líderes da Casa nesta terça-feira (11). Segundo a bancada petista, o parlamentar teve o quadro estabilizado e estava consciente e orientado após receber os primeiros atendimentos.
Em nota oficial, a Liderança do PT informou que Uczai “sentiu-se indisposto e desmaiou” durante o encontro. O deputado foi atendido imediatamente no local e conduzido de maca ao Departamento Médico da Câmara dos Deputados (Demed).
“Após avaliação médica e estabilização do quadro, Pedro Uczai manteve contato com os profissionais, demonstrando consciência e orientação”, informou a bancada.
O líder do PT foi posteriormente transferido para o hospital DF Star. De acordo com a nota, a transferência ocorreu como medida preventiva para a realização de exames complementares e continuidade do acompanhamento diagnóstico. Até o momento, não foi informada a causa do desmaio.
O episódio ocorreu durante uma reunião do Colégio de Líderes marcada inicialmente para as 15h, mas que começou apenas às 16h45, com uma hora e 45 minutos de atraso. O encontro reunia o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), líderes partidários e representantes do governo para definir as prioridades de votação da Casa.
O que estava sendo discutido pelos líderes
Até o momento em que Uczai passou mal, as discussões haviam avançado sobre o Plano Nacional de Cultura e, principalmente, sobre o PLP 114/2026, projeto originalmente apresentado para tratar da tributação de combustíveis, mas que acabou sendo ampliado para funcionar como um “pacote” de medidas fiscais e setoriais.
Na prática, o projeto dos combustíveis nasceu como uma proposta para reorganizar regras de tributação e possíveis ajustes na política de preços e arrecadação do setor, mas passou a ser usado como um veículo legislativo para concentrar diferentes iniciativas do governo e de parlamentares.
Entre os pontos em negociação estava a inclusão de subsídios ao etanol, mecanismo que busca reduzir custos e dar competitividade ao biocombustível em relação à gasolina, com impacto direto na política energética e no setor sucroalcooleiro.
Outro eixo em discussão era a chamada antecipação de receitas da Defesa. Trata-se de uma operação que permite ao Ministério da Defesa acessar, de forma adiantada, recursos que seriam arrecadados futuramente, geralmente vinculados a receitas públicas específicas ou mecanismos de compensação fiscal. A medida é usada para reforçar o caixa da pasta e viabilizar investimentos e despesas já no curto prazo, sem depender integralmente do orçamento anual.
O pacote também passou a incorporar outras áreas. Estavam em negociação medidas ligadas ao Profert, programa voltado à expansão da produção nacional de fertilizantes, considerado estratégico para reduzir a dependência externa do Brasil no setor agrícola. Além disso, havia propostas relacionadas a minerais estratégicos e terras raras, insumos usados em tecnologias de alta complexidade e considerados relevantes para a indústria e a transição energética.
Outro ponto incluído nas conversas era a criação de benefícios tributários ligados à Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil, com possíveis isenções e incentivos fiscais relacionados à organização do evento e à Fifa.
A área da saúde também entrou no pacote, com a discussão sobre a destinação de cerca de R$ 3 bilhões do Fundo Social para o setor, além da vinculação de receitas do petróleo para reforçar o financiamento de políticas públicas de saúde.
Com isso, o PLP 114 deixou de ser apenas um projeto sobre combustíveis e passou a concentrar um conjunto amplo de medidas, abrangendo energia, defesa, agricultura, mineração, saúde e eventos esportivos.
No jargão do Congresso, a inclusão de temas sem relação direta com o objeto original de uma proposta é conhecida como “jabuti”. O desenho final do texto, no entanto, ainda não estava fechado no momento em que Uczai passou mal.
Até a interrupção da reunião, o encaminhamento era avançar com o Plano Nacional de Cultura, enquanto o PLP 114 seguia em negociação e sem previsão de votação imediata. A avaliação entre líderes era de que o projeto dificilmente seria apreciado ainda nesta terça-feira, podendo ficar para o dia seguinte.
Após o desmaio de Uczai, o presidente da Câmara, Hugo Motta, cancelou a sessão deliberativa prevista para esta terça-feira. As negociações sobre os projetos devem ser retomadas antes da próxima sessão do plenário.



