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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Líder do PL confirma desconforto entre Motta e Alcolumbre

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Por Cleber Lourenço

Parece que a relação entre Câmara e Senado não vai nada bem. No último domingo (21), em ligação telefônica com o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), Hugo Motta manifestou insatisfação em relação ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP). O motivo da reclamação foi a resistência de Alcolumbre em dar andamento à chamada PEC da Blindagem, proposta que amplia os mecanismos de proteção parlamentar contra responsabilização por crimes. A iniciativa foi duramente criticada nas ruas e classificada por juristas como um retrocesso institucional.

Sóstenes confirmou a conversa em que Motta desabafou sobre o tratamento recebido do presidente do Senado. O parlamentar relatou que o clima é de crescente desconforto, já que Alcolumbre tem se posicionado de forma cada vez mais firme contra o avanço da proposta. O episódio revela a dificuldade de entendimento entre as duas Casas e marca mais um capítulo da disputa política que se arrasta desde a aprovação relâmpago da PEC na Câmara.

De acordo com relatos de senadores, Alcolumbre evitou atender ligações de Hugo Motta no mesmo domingo, poucas horas após as manifestações que ocorreram em diversas capitais contra a PEC e também contra o projeto de anistia. A ausência de resposta foi interpretada como sinal de que o Senado não pretende assumir o desgaste de bancar uma agenda rechaçada pela sociedade. Para parlamentares ouvidos, foi um gesto calculado para marcar posição política e deixar claro que o tema está sem espaço no Senado.

Hugo Motta

Hugo Motta

Em tom de desabafo, Alcolumbre declarou publicamente: “Todos os dias, de manhã, de tarde, de noite, aparece alguém com alguma ideia”. A frase repercutiu entre seus pares e foi entendida como recado direto a Motta. Nos bastidores, comenta-se que o presidente da Câmara teria buscado o senador com diferentes propostas de acordo, na tentativa de salvar tanto a anistia quanto a PEC da Blindagem. O comentário de Alcolumbre traduziria, portanto, o cansaço com a insistência e a pressão constantes.

A relação entre Câmara e Senado já vinha tensionada desde a aprovação da PEC em dois turnos, em ritmo acelerado, surpreendendo e irritando senadores. Alcolumbre, ao receber o texto, encaminhou-o à Comissão de Constituição e Justiça, sem sinalizar qualquer pressa. A decisão foi lida como caminho para o arquivamento e deixou claro o contraste de posturas entre os presidentes das duas Casas.

O Planalto acompanha a disputa com atenção. A avaliação de interlocutores do governo é que Hugo Motta se isolou politicamente ao insistir em pautas com baixa aceitação social. Já Alcolumbre, ao adotar postura mais cautelosa e próxima da opinião pública, reforça seu papel de fiador institucional e aumenta sua influência em temas de interesse do Executivo. A expectativa é que esse embate tenha reflexos na articulação de outras propostas em tramitação.

As manifestações de rua contra a PEC e a anistia funcionaram como divisor de águas, ampliando a pressão sobre o Senado e retirando margem de manobra da Câmara. No fim, o desconforto entre Motta e Alcolumbre tornou-se mais um elemento da crise política em torno de pautas que buscam blindar parlamentares.



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