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terça-feira, 12 maio, 2026
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Letalidade policial cresce em SP e alerta sobre PMs

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Por Cleber Lourenço

A política de segurança pública do governo Tarcísio de Freitas voltou a registrar aumento da letalidade policial em São Paulo. Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) e analisados pelo Instituto Sou da Paz mostram crescimento nas mortes decorrentes de intervenção policial no primeiro trimestre de 2026, tanto em ocorrências envolvendo policiais em serviço quanto em casos registrados durante o período de folga.

Segundo os dados, o estado registrou 143 mortes provocadas por policiais em serviço nos três primeiros meses de 2026. No mesmo período de 2025, haviam sido 132 casos, o que representa aumento de 8,3%. O número também supera os 75 casos registrados no primeiro trimestre de 2023, primeiro ano da gestão Tarcísio.

Já as mortes cometidas por policiais durante o período de folga passaram de 28 casos em 2025 para 34 em 2026, crescimento de 21,4%. Em 2023, haviam sido registrados 29 casos.

Na capital paulista, o avanço foi ainda mais expressivo. As mortes decorrentes de intervenção policial em serviço saltaram de 38 casos no primeiro trimestre de 2025 para 52 em 2026, alta de 36,8%. Em 2023, o número havia sido de 30 casos.

Os dados analisados pelo Instituto Sou da Paz apontam para um crescimento contínuo da letalidade policial ao longo da atual gestão estadual, especialmente após o endurecimento do discurso de enfrentamento adotado pelo governo e pela cúpula da segurança pública.

O relatório afirma que os números reforçam a percepção de enfraquecimento das políticas de controle do uso da força e de ampliação de discursos públicos favoráveis ao confronto policial.

“Os números reforçam a avaliação de que houve um enfraquecimento das políticas de controle do uso da força, simultaneamente à ampliação de discursos públicos que valorizam o confronto policial”, afirma o documento.

O cenário também acende alerta para a situação dos próprios policiais militares mortos fora do serviço. Segundo os dados da SSP-SP, quatro policiais foram assassinados durante o período de folga no primeiro trimestre de 2026. O número é o mesmo registrado em 2025 e permanece acima do observado em 2023, quando dois policiais morreram fora do serviço.

Já as mortes de policiais em serviço passaram de dois casos em 2025 para três em 2026, aumento de 50%. Em 2023, também haviam sido registrados dois casos.

Na avaliação do Instituto Sou da Paz, os dados mostram que o aumento da letalidade policial não tem sido acompanhado por redução consistente da vitimização dos próprios agentes de segurança.

Para Carolina Ricardo, diretora executiva do instituto, a redução das mortes de policiais depende de protocolos operacionais mais rígidos, investimento em inteligência e fortalecimento de mecanismos de profissionalização das corporações.

“A redução da vitimização policial exige inteligência operacional e protocolos de atuação que priorizem a preservação da vida do agente de segurança e a diminuição da lógica de confronto”, afirma.

Os dados do primeiro trimestre de 2026 aprofundam um debate que já vinha crescendo em São Paulo desde o início da atual gestão: o aumento simultâneo da letalidade policial e da exposição de agentes à violência, especialmente fora do horário de serviço, em um modelo de segurança pública cada vez mais baseado em operações de confronto.

Tags: São Paulo, Tarcísio de Freitas, SSP-SP, letalidade policial, PM, Polícia Militar, violência policial, Sou da Paz, segurança pública, mortes de policiais





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