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segunda-feira, 16 fevereiro, 2026
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Leilão do túnel Santos-Guarujá acontece nesta 6ª

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O leilão do túnel que ligará Santos e Guarujá, o primeiro submerso da América Latina, está marcado para esta sexta-feira (4), na sede da B3, às 16h, em São Paulo. Com orçamento estimado em R$ 6,8 bilhões, o projeto promete revolucionar a mobilidade da Baixada Santista e se consolidar como a maior obra do atual PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), retomado pelo governo do presidente Lula (PT).

O leilão de concessão para as obras, a maior do Novo PAC, será realizado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e o governo de São Paulo.

Mesmo sendo uma obra do governo federal, o governador de São Paulo, o carioca Tarcísio de Freitas (Republicanos) — a exemplo do que fez com a recente megaoperação envolvendo a Polícia Federal, a Receita e órgãos estaduais para desbaratar uma quadrilha de fraude fiscal no setor de combustíveis —, busca o protagonismo solo da grande obra.

De olho nas eleições presidenciais de 2026, Tarcísio, herdeiro do bolsonarismo, tem feito postagens nas redes sociais querendo colher os louros de uma obra que não é só do governo estadual — é fruto de uma parceria.

Leilão do túnel: como vai ser

Dois consórcios estrangeiros — Acciona Concesiones (Espanha) e Mota-Engil (Portugal) — estão habilitados para disputar a concessão, que terá duração de 30 anos. A empresa vencedora será aquela que oferecer o maior desconto sobre a contraprestação mensal paga pelo poder público durante a operação do túnel.

A obra prevê 1,5 km de extensão, dos quais cerca de 870 metros serão submersos. A tecnologia do túnel imerso — inédita no Brasil — utiliza blocos de concreto pré-moldados que são posicionados no leito do canal. A construção deve ser concluída até 2030 e permitirá a passagem de automóveis, caminhões, ônibus, bicicletas e pedestres. Atualmente, 78 mil pessoas fazem a travessia entre Santos e Guarujá diariamente, por meio de balsas e pequenas embarcações.

Distanciamento de Tarcísio

Apesar de ser um projeto viabilizado por uma rara aliança institucional entre governos federal e estadual, o túnel Santos-Guarujá tornou-se, nos bastidores, um campo de tensão entre Lula e Tarcísio. O pano de fundo, como já dito, são as eleições presidenciais de 2026. Tarcísio é o candidato do mercado financeiro, com a bênção da grande mídia.

No lançamento do edital, em fevereiro, o clima ainda era de cordialidade. Em evento público, Tarcísio elogiou o presidente por destravar a obra, enquanto Lula defendeu o diálogo federativo como instrumento de gestão — e não de afinidade ideológica. “Não é possível a gente deixar de trabalhar de forma conjunta, de compartilhar esforço, porque eu não gosto de fulano, o fulano não gosta de mim”, afirmou o presidente na ocasião.

Lembrando que Tarcísio ocupou a diretoria-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) entre setembro de 2014 e janeiro de 2015. Foi alçado ao posto pela então presidenta Dilma Rousseff. Depois, virou ministro da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro, de quem se tornou fiel escudeiro.

Depois de um primeiro momento mais cordial com Lula, a cordialidade foi substituída por gestos mais calculados.

A mudança de tom ficou evidente em viagens internacionais de Tarcísio, como o roadshow na Europa para atrair investidores ao projeto. Em entrevistas e apresentações, o governador exaltou a inovação técnica da obra, sem citar a parceria com o governo federal. O gesto não passou despercebido: aliados de Lula, como o deputado estadual Antonio Donato (PT-SP), reagiram com críticas públicas à tentativa de “apagar” a atuação federal no projeto.

Internamente, o Planalto também recuou. Lula parou de mencionar o túnel em suas postagens, e a expectativa é de que ele não compareça ao leilão desta sexta. O governo deve ser representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho — este último, uma das poucas autoridades que ainda mencionam explicitamente a colaboração entre os dois entes.

Um século de promessas, uma década de execução

A ideia de conectar Santos e Guarujá por um túnel submerso não é nova. O primeiro projeto data de 1927, durante o governo Júlio Prestes, e foi elaborado pelo engenheiro Enéas Marini. Desde então, a proposta ressurgiu e desapareceu inúmeras vezes do radar político, ora por inviabilidade técnica, ora por falta de consenso federativo.

Agora, com edital publicado e leilão confirmado, o projeto avança. O modelo de túnel imerso foi escolhido por razões técnicas e ambientais. Ao contrário de túneis escavados em rocha — como os do metrô —, os blocos serão construídos em terra firme e depois posicionados no fundo do canal, sob camadas de areia e pedra.

A opção por essa técnica levou em conta a instabilidade do solo local, composto por argilas moles e sedimentos fluviais. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, o método também reduz impactos ambientais e desapropriações urbanas. A construção de uma ponte foi descartada devido à Base Aérea de Santos e ao tráfego intenso de embarcações no canal portuário.

Etapas da obra: do concreto ao fundo do mar

O processo de execução será dividido em três etapas principais:

  • Preparação do leito do canal: Escavação do fundo, aplicação de base de concreto e testes de vedação nos blocos.
  • Transporte e submersão dos módulos: Rebocadores levarão as peças até o ponto de instalação, onde serão afundadas por bombeamento de água.
  • Encaixe e proteção: Os blocos serão acoplados com precisão, nivelados com sistemas hidráulicos e fixados com pinos de aço. Toda a estrutura será recoberta com pedras para garantir estabilidade.

 



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