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quarta-feira, 21 outubro, 2026
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‘LAS QUEMAS’- arte premonitória

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Crônica da semana por Leyla Leong


No começo dos anos dois mil, Márcio Souza publicou no jornal A Crítica uma crônica sobre
uma pintora amazonense que vivia em Cali, na Colômbia e pintava telas de grandes formatos cuja temática era os incêndios na floresta amazônica.

Liguei para o Márcio e ele me disse que havia conhecido Maria Thereza Negreiros em uma das suas viagens à Colômbia, mais precisamente a Cali, para onde tinha ido a convite de uma universidade para lançar um dos seus livros. Acabou me passando o e-mail e o telefone da artista o que me proporcionou um contato direto com ela.

Nossas conversas durante um tempo prendiam-se ao meu desejo (com o qual ela se
entusiasmou) de trazer a sua exposição “Quemas” a Manaus, sua terra natal, onde as florestas são pontual e criminosamente incendiadas até hoje.

Acionei todos os meus contatos com possíveis patrocinadores, oficiais ou não, sem que
qualquer um deles se interessasse em arcar com os custos de transporte aéreo, seguro e
montagem das obras de arte.

Diante de tantas pedras intransponíveis no caminho, a nossa conversa foi murchando até ficar eu aqui e o Márcio no céu dos escritores a lembrarmos dessa grande artista considerada pela crítica internacional como a grande pintora da Amazônia, injustamente desconhecida em sua terra.

Maria Thereza Negreiros nasceu na década de 1930 em Maués, passou a primeira infância no interior, de onde saiu para estudar no Colégio Santa Doroteia em Manaus.

Mudou-se para o Rio de Janeiro e ingressou na Escola Nacional de Belas Artes, onde conheceu o colombiano Ernesto Patiño Barney com quem se casou e a levou para morar em Cali, onde desenvolveu sua pintura e fez parte de um grupo de artistas de vanguarda fundadores do “Grupo del Taller”.

Sua primeira exposição acontece em 1961 onde desponta com sua pintura abstrata, chamando a atenção da crítica internacional com suas próximas exposições “Ojos”, entre outras e a definitiva “Série Amazônica”.


Atualmente Maria Thereza Negreiros vive em Cali e se identifica como uma pintora Colombo-Brasileira.

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