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Jornalistas percorrem de bicicleta o trajeto das enchentes e transformam expedição em livro

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Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul viveu a maior tragédia climática de sua história. Cerca de três meses após as enchentes, os jornalistas Eduardo Seidl e Raphaela Donaduce Flores decidiram percorrer de bicicleta o mesmo caminho traçado pelas águas, a partir do Guaíba até encontrar o mar, na Praia do Cassino.

Em oito dias, foram cerca de 500 quilômetros pedalados, contornando a costa oeste da lagoa dos Patos, com paradas nas cidades de Barra do Ribeiro, Tapes, Arambaré, São Lourenço, Pelotas e Rio Grande.

Essa história é contada nas 152 páginas do livro Caminho das águas, uma viagem de bicicleta pela costa oeste da Lagoa dos Patos, publicado pela Editora Libretos. Narrado em forma de diário de viagem, numa expedição-resistência à velocidade e ao consumo, os viajantes percorrem o território, documentando as marcas deixadas na paisagem e na vida da população.

O livro será lançado ao longo do mês de outubro nas sete cidades percorridas, em eventos abertos ao público, com roda de conversa sobre o trabalho e tradução para a Língua Brasileira de Sinais – Foto: Projeto Caminho das Águas | Foto: Projeto Caminho das Águas

“A escolha da gente ter feito esse trabalho em formato de diário de viagem e ter feito essa travessia desse território nessa reportagem de bicicleta tem a ver com o nosso posicionamento político”, explica Seidl. “A gente quer trazer essa contribuição da cultura da bicicleta para o momento de crise climática e as urgências que precisam ser implementadas na nossa relação com o planeta, na relação do nosso consumo com as coisas, que envolvem desde a alimentação, passando pelo nosso dia a dia, a quantidade de lixo que produzimos, resíduos e também a forma que a gente se desloca, tanto nas cidades quanto no turismo, nas estradas, e redução de carbono e redução das velocidades.”

“A gente resolveu fazer esse percurso de bicicleta por vários motivos: seja para provocar um jeito diferente de olhar para o nosso território, para os nossos deslocamentos de forma mais desacelerada, na velocidade da bicicleta”, explicam os autores – Foto: Projeto Caminho das Águas

Flores complementa que, para eles,  a bicicleta não é apenas um meio de transporte, mas também uma forma de enxergar o mundo de outro jeito, por meio da mobilidade sustentável.  “Nós já estamos envolvidos nessa questão da luta por mobilidade urbana há mais tempo. A gente usa a bicicleta como meio de transporte em Porto Alegre e essa é uma luta coletiva, não é uma luta individual. Então a gente resolveu fazer esse percurso de bicicleta por vários motivos: seja para provocar um jeito diferente de olhar para o nosso território, para os nossos deslocamentos de forma mais desacelerada, na velocidade da bicicleta, em contato com a natureza, com o meio ambiente nesse trajeto, e também como uma forma de repensar a nossa ocupação da cidade. Então é também uma luta por mobilidade urbana, mobilidade humana.” 

Diário de viagem como esforço de memória diante do desastre vivido em 2024

“Sobre o tema em si, para além da bicicleta, há a documentação da enchente. O Rio Grande do Sul é um estado que vive enchentes anualmente. Não foi só a de 1941 e a de 2024. Elas acontecem todos os anos. Claro que a de 2024 foi a maior da história, com impactos que a gente sabe que até hoje têm gente fora de casa. Mas a gente precisa de alguma forma preservar essa memória, manter viva essa história e não esquecer que a gente é um estado em que esse tipo de fenômeno acontece todo ano”, destacam os autores.

“Esse livro também é uma intenção de manter e preservar a memória desse fato terrível para que a gente não esqueça e para que a gente lide diferente numa possível nova enchente, que infelizmente é bem provável que continue acontecendo”, explicam os autores – Foto: Projeto Caminho das Águas

Flores e Seidl reiteram que a falta de preparo e escuta de especialistas agravou o impacto do desastre: “Se a gente estivesse mais atento, estaríamos mais preparados, e os impactos poderiam ter sido menores. Se tivéssemos tido um sistema de gestão eficiente, se tivéssemos prestado atenção no que os cientistas e estudiosos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e de vários lugares já vinham avisando sobre essas possibilidades, talvez os impactos dessa enchente tivessem sido menores. Então esse livro também é uma intenção de manter e preservar a memória desse fato terrível para que a gente não esqueça e para que a gente lide diferente numa possível nova enchente, que infelizmente é bem provável que continue acontecendo”.

Lançamentos

O livro será lançado ao longo do mês de outubro nas 7 cidades percorridas, em eventos abertos ao público, com roda de conversa sobre o trabalho e tradução para a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS.

Dia 6/10 – Porto Alegre, às 19h – Bar Térreo da Travessa dos Cataventos (CCMQ – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico)

Bate-papo com Eduardo Seidl e Raphaela Donaduce Flores mediado por Marcela Donini

Pocket show de Clarissa Ferreira

Dia 10/10 – São Lourenço, às 16h – Escola Marina Vargas – Av. Coronel Nono Centeno, 933

Dia 11/10 – Pelotas, às 12h no Cantinho da Gi e às 17h na 4 Galeria e Café – Rua Doutor Amarante 608

Dia 12/10 – Rio Grande, às 15h – Palacete Bianchini, Av. Rio Grande, 186, Praia do Cassino

Dia 24/10 – Barra do Ribeiro, às 16h – Galpão Crioulo da Prefeitura (Rua 14 de julho s/ n°)

Dia 25/10 – Arambaré, às 10h – Biblioteca Pública Municipal Sílvia Centeno Xavier – Rua Donário Lopes, 85

Dia 25/10 – Tapes às 18h na Associação Comercial – Accita e, ainda, um almoço na vila de pescadores no dia 26/10

“Esse evento realizado na Casa de Cultura Mario Quintana, no dia 6, é bem simbólico porque é um lugar que foi alagado na enchente. Então lançar esse livro lá é para nós bem significativo. Logo nas primeiras páginas do livro tem uma foto da Casa de Cultura alagada. Vai ter um bate-papo sobre essas questões de meio ambiente, da enchente, da bicicleta em si, e também um show da Clarissa Ferreira”, destaca Flores.

Além de Porto Alegre, o livro será lançado em outras seis cidades, com a proposta de reunir comunidades em torno do tema. “A intenção é reunir a comunidade, reunir as pessoas que estão retratadas, reunir as pessoas ao redor dessa pauta para fazer uma devolução. Que esse assunto continue presente, que a gente siga falando sobre isso e não deixe esquecer esse fato que aconteceu”, comentam.

Haverá distribuição gratuita de exemplares para escolas públicas, museus, bibliotecas, pontos de cultura, universidades e instituições culturais dos municípios envolvidos. Outra parte da tiragem será comercializada, com valor subsidiado de R$ 50, nas principais livrarias da cidade, no site da Libretos e também diretamente com os autores.

Contemplado pelo Edital Sedac Pnab RS – 31/2024 – Memória e Patrimônio, este projeto é financiado pela Política Nacional Aldir Blanc, Pró-Cultura RS – Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul e realização do Ministério da Cultura – Governo Federal.

Autores

Raphaela Donaduce Flores é jornalista e trabalha com comunicação desde 2006. Especialista na área cultural, gerencia projetos de comunicação e atua como assessora de imprensa pela Dona Flor Comunicação, agência que fundou em 2011. Pós graduada em gestão cultural e comunicação empresarial, com MBA em em Desenvolvimento Sustentável e Economia Circular, é também graduanda no curso de Escrita Criativa, na PUCRS. Pedala desde criança, mas foi na pandemia que começou a fazer longas distâncias. É mãe do também ciclista Joaquim.  

Eduardo Seidl é jornalista, mestre em linguagens e práticas jornalísticas pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos. Docente e coordenador do Laboratório de Aprendizagem em Fotografia da Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos – PUCRS. Repórter fotográfico, com mais de 20 anos de experiência, com passagens em assessorias de comunicação e veículos de imprensa. Fundador e educador popular do Núcleo Imagens Faladas do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, em Porto Alegre. Atua em projetos culturais e de pesquisa concentrados em narrativas visuais, fotolivro e percurso como processo criativo. É pai dos ciclistas Sebastião e Matias.

Ficha técnica

Autores: Eduardo Seidl e Raphaela Flores

Projeto gráfico: Danusa Oliveira

Mapas: Mari Froner

Leitura de originais: Pedro Gonzaga

Editora: Libretos

Consultoria editorial: Clô Barcellos

Revisão: Beto Arreguy

Produção executiva: Liége Biasotto

Redes sociais: Julia Barros

Assessoria de Imprensa: Simone Lersch

Site: Vicente Lobraico Filho

Audiobook, com audiodescrição: Narrativas produtora

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Fonte: Brasil de Fato

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