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segunda-feira, 30 março, 2026
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Jornalista ligado ao PSOL vira alvo de ameaças e perseguição

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Por Flávio V M Costa e Cleber Lourenço

O jornalista Fernando Busian, que presta serviços de assessoria de imprensa ao PSOL, registrou um boletim de ocorrência nesta segunda-feira (30) após uma sequência de episódios que, segundo ele, indicam uma ação coordenada de intimidação iniciada logo após o envio de um material do partido.

Os fatos começaram na manhã do dia 25 de março, quando o profissional disparou, por meio da plataforma Comunique-se, um texto informando a mudança na presidência da federação PSOL-Rede. O conteúdo foi enviado a mais de 1,7 mil jornalistas de política em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal.

Poucas horas após o envio, começaram os primeiros sinais de anormalidade. Na tarde do mesmo dia, o jornalista passou a receber mensagens de funerárias e cemitérios, como Ossel e Memorial Parque das Cerejeiras. As empresas afirmavam estar retornando solicitações de orçamento feitas em seu nome.

Ele afirma que não fez qualquer contato com esses serviços. Na mesma noite, a situação ganhou outro contorno. O jornalista recebeu um SMS da plataforma GetNinjas informando que um pedido havia sido contratado por um prestador. Em seguida, passou a ser procurado por profissionais via WhatsApp. Entre os contatos, um oferecia serviços de segurança privada.

Os episódios levaram o jornalista a concluir que não se tratava de erro ou coincidência. “A combinação de cemitérios e segurança soou como uma ameaça”, relatou.

O caso foi comunicado à equipe do PSOL, que também avaliou tratar-se de uma ação direcionada.

No dia seguinte, 26 de março, os contatos continuaram. O jornalista foi procurado por outras empresas, entre elas o Memorial Phoenix e a seguradora Tokio Marine.

Na manhã de sexta-feira, 27, o padrão se repetiu. Ele recebeu mensagens de um vendedor da Honda, sobre suposto interesse em motocicleta, e de um corretor da Prudential do Brasil. A repetição de contatos de naturezas distintas passou a indicar o uso sistemático de seus dados pessoais.

Uso de dados pessoais

Ao tentar identificar a origem das solicitações, o jornalista entrou em contato com as empresas e verificou que, em alguns casos, o número do seu CPF havia sido utilizado para registrar os pedidos.

O episódio mais grave ocorreu na tarde de sexta-feira, quando o jornalista passou a receber mensagens anônimas com referências diretas ao local onde mora, o que elevou o nível de preocupação.

Em seguida, uma nova mensagem fez menção direta à sua mãe, utilizando corretamente o nome dela. A referência a familiares e ao local de residência fez com que o caso passasse a ser tratado como ameaça direta. Diante da situação, o jornalista acionou um advogado, registrou boletim de ocorrência e deixou sua residência, seguindo orientação de segurança.

Ele também comunicou a situação à direção do PSOL. Em nota, o presidente da Federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, afirmou que o caso se insere em um contexto mais amplo de pressão política.

“A violência política contra a esquerda tem sido uma realidade no Brasil nos últimos anos. Depois de perseguirem e intimidarem parlamentares e dirigentes, agora tentam disseminar ódio contra nossos colaboradores, isso é inaceitável.”

No boletim de ocorrência, o caso é classificado como crime de ameaça, com uso de dados pessoais da vítima nas mensagens. Até o momento, a autoria das ações não foi identificada.





ICL Notícias

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