O jornal britânico Morning Star publicou uma reportagem destacando a atuação de agentes de inteligência do Reino Unido no treinamento de militares brasileiros durante a ditadura civil-militar (1964-1985) e repercutindo revelações investigadas pelo ICL, que apontam que oficiais britânicos teriam ensinado técnicas de interrogatório, vigilância e repressão utilizadas posteriormente pelos órgãos de tortura do regime brasileiro.
Segundo documentos e depoimentos citados pela reportagem, militares brasileiros receberam treinamento de agentes britânicos em métodos de “tortura psicológica” e interrogatórios considerados mais “sofisticados”, conhecidos entre oficiais da repressão como o “sistema inglês”.
O coronel reformado Paulo Malhães, um dos agentes da repressão ouvidos pela Comissão Nacional da Verdade, afirmou que a Inglaterra era vista como referência em técnicas de obtenção de informações sem deixar marcas físicas evidentes.
A publicação britânica também lembra que integrantes das forças de segurança brasileiras participaram de cursos sobre espionagem, escutas telefônicas e interrogatórios ministrados por agentes estrangeiros no Rio de Janeiro. As revelações reforçam o papel internacional de apoio às ditaduras latino-americanas durante a Guerra Fria, especialmente sob o argumento do combate ao comunismo.
De acordo com o texto, a colaboração entre os governos do Reino Unido e do Brasil se somava ao apoio já conhecido dos Estados Unidos às forças repressivas latino-americanas.
A Comissão Nacional da Verdade apontou que centenas de militares brasileiros receberam treinamento estrangeiro em técnicas de contra-insurgência, inteligência e interrogatório durante o período ditatorial.
A reportagem do Morning Star repercute a investigação do ICL como parte de uma revisão histórica sobre o envolvimento de potências ocidentais em violações de direitos humanos cometidas por regimes autoritários na América Latina.



