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segunda-feira, 20 abril, 2026
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Jones Manoel denuncia censura das Big Techs após contas derrubadas

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Por Leila Cangussu

O cientista político e comunicador Jones Manoel afirma ter sido alvo de censura nas redes sociais após ter suas contas no Instagram e no Facebook derrubadas pela Meta sem explicação clara.

Em entrevista ao ICL Notícias, ele relata que nunca recebeu uma justificativa concreta da empresa e que decidiu levar o caso à Justiça para exigir esclarecimentos e reparação. Segundo ele, a exclusão aconteceu de forma repentina, sem qualquer aviso prévio ou indicação objetiva de qual conteúdo teria violado as regras da plataforma.

“Eu estava em casa lavando os pratos quando meu celular começou a tocar. Pessoas que trabalham comigo começaram a avisar que minhas contas no Instagram e no Facebook tinham caído”, contou. A única comunicação recebida indicava que ele teria violado os chamados “padrões da comunidade”. No entanto, nenhuma informação foi fornecida sobre qual conteúdo teria infringido as regras da plataforma.

Chegou um informe dizendo que eu tinha violado os padrões da comunidade, mas não dizia qual era a violação. As contas foram tiradas do ar e pronto”, afirmou. Até hoje, segundo ele, a Meta não apresentou qualquer explicação formal sobre o motivo da derrubada.

Impacto direto no trabalho e na renda

Para Jones Manoel, o bloqueio teve consequências imediatas sobre seu trabalho. As redes sociais são o principal meio de divulgação de suas atividades políticas, de seus livros e do portal de notícias Farol Brasil. Segundo ele, a interrupção do acesso às contas afetou diretamente a circulação de seus conteúdos e a relação com o público que acompanha seu trabalho.

“Foi um prejuízo gigantesco”, afirmou. “A gente usa as redes sociais como plataforma de divulgação política das nossas ideias, das nossas atividades pelo Brasil, dos livros que eu publico e vendo.” Ele afirma que o impacto foi percebido rapidamente em várias frentes: queda no engajamento de vídeos no YouTube, redução no tráfego do portal e diminuição nas vendas de livros e produtos associados ao seu trabalho.

Está diretamente associado à minha sobrevivência financeira”, disse. As contas foram posteriormente restituídas, mas o comunicador afirma que o problema não desapareceu. Segundo ele, mesmo após a reativação dos perfis, o alcance do conteúdo continua sendo afetado por restrições invisíveis impostas pela plataforma.

“Hoje elas voltaram, mas voltaram numa dinâmica de shadowban intermitente.” O termo se refere a uma prática em que o conteúdo permanece publicado, mas tem seu alcance reduzido sem aviso ao usuário. Segundo ele, sempre que algum conteúdo começa a ganhar grande alcance, o engajamento volta a cair abruptamente.

“Cada vez que acontece algum fato positivo e minhas redes começam a decolar, a Meta coloca shadowban e o crescimento para”, afirmou.

Pressão pública fez a empresa recuar

De acordo com Jones Manoel, a devolução das contas ocorreu apenas após forte repercussão pública. Ele relata que a derrubada das páginas gerou uma mobilização de apoiadores e de figuras públicas que passaram a questionar a decisão da empresa.

“Houve uma campanha nacional de solidariedade. Diversas figuras da cultura e do mundo político se pronunciaram questionando a Meta”, afirmou. Segundo ele, até mesmo integrantes do governo federal cobraram explicações da empresa sobre o ocorrido.

Na avaliação do comunicador, foi essa pressão pública que levou a empresa a restabelecer os perfis. Mesmo assim, afirma que nunca houve qualquer esclarecimento oficial sobre o motivo da suspensão ou sobre os critérios utilizados para derrubar as contas.

“As redes funcionam fora da democracia”

Para Jones Manoel, o episódio revela um problema mais profundo relacionado à forma como as plataformas digitais operam. Ele afirma que as empresas responsáveis pelas redes sociais tomam decisões que impactam diretamente o debate público, mas sem qualquer transparência ou controle institucional.

“Não existe transparência. As redes sociais funcionam como se fossem um microcosmo apartado do ordenamento jurídico brasileiro”, afirmou. Segundo ele, decisões fundamentais sobre circulação de conteúdo, alcance e moderação são tomadas por algoritmos controlados por empresas privadas.

Na prática, diz o cientista político, essas empresas passaram a exercer enorme influência sobre a esfera pública sem qualquer controle democrático. “A governança algorítmica das redes sociais é decidida privadamente, à revelia da Constituição e à revelia da democracia.”

Acusação de motivação política

Jones Manoel afirma acreditar que a derrubada de suas contas teve motivação política. Para ele, a forma como determinados conteúdos são tratados pelas plataformas revela um padrão de favorecimento de discursos conservadores.

“Eu tenho certeza”, disse. Segundo ele, pesquisas acadêmicas e reportagens já demonstraram que os algoritmos das plataformas tendem a favorecer conteúdos da extrema direita.

“Há diversas pesquisas mostrando que a governança algorítmica das redes sociais privilegia a circulação de conteúdos da extrema direita”, afirmou. Ele também cita casos recentes em que políticos conservadores espalharam desinformação sem sofrer punição por parte das plataformas.

“Isso não acontece com figuras que disseminam mentiras e desinformação. Já quando é um comunista que defende, por exemplo, o povo palestino, o engajamento desaparece”, disse. Segundo ele, críticas ao governo de Israel ou manifestações de apoio à Palestina costumam sofrer restrições de alcance nas redes.

Conflito também envolve mecanismos de busca

Jones Manoel também critica o funcionamento do Google, afirmando que o buscador dificulta a circulação de conteúdos produzidos por ele. Segundo o comunicador, ao pesquisar seu nome, raramente aparecem em destaque seu canal no YouTube, seus livros ou seu site.

“Tendencialmente aparecem notícias negativas plantadas pela mídia empresarial”, afirmou. Ele afirma que o sistema de busca prioriza conteúdos pagos ou veículos com maior poder econômico.

“Se você quiser que apareçam elementos positivos sobre você no buscador, precisa pagar rios de dinheiro”, disse.

Disputa agora segue na Justiça

Após a derrubada das contas, Jones Manoel decidiu processar a Meta. Segundo ele, a ação judicial busca não apenas uma compensação financeira, mas também uma explicação formal da empresa sobre o ocorrido.

“Estou processando a empresa solicitando uma indenização e uma justificativa formal”, afirmou. De acordo com ele, uma audiência deve ocorrer nos próximos meses.

O comunicador afirma que passou a adotar uma estratégia jurídica mais agressiva para lidar com restrições impostas pelas plataformas.

“Cada vez que a Meta me coloca em shadowban, a gente entra com ação judicial”, disse.

Debate sobre regulação das plataformas

Para Jones Manoel, episódios como esse reforçam a necessidade de regulamentação das Big Techs no Brasil. Ele argumenta que empresas privadas já demonstraram, em diferentes setores da economia, que não priorizam necessariamente o interesse público.

“A empresa privada se preocupa única e exclusivamente com o lucro”, afirmou. Como exemplo, ele cita desastres ambientais ligados à mineração, falhas em serviços privatizados e o alto número de reclamações contra empresas privadas em órgãos de defesa do consumidor.

Na sua avaliação, deixar a comunicação digital sob controle exclusivo dessas empresas representa um risco para o funcionamento democrático da sociedade.

“Big Techs são um braço do imperialismo”

Jones Manoel defende que o Brasil precisa discutir formas de reduzir a dependência das grandes plataformas estrangeiras. Para ele, as Big Techs passaram a atuar diretamente sobre o debate político em diferentes países.

“As Big Techs são um braço do imperialismo. Elas atuam contra a soberania nacional brasileira”, afirmou.

Segundo ele, a comunicação digital já se tornou parte central da esfera pública e não pode ficar sob controle de poucas empresas estrangeiras.

“Não dá para falar em soberania quando meia dúzia de empresas dos Estados Unidos manda na comunicação de mais de 200 milhões de brasileiros.”

 

Contas podem ser derrubadas, alcance pode desaparecer e ninguém explica. O controle das plataformas sobre o debate público já é parte do cotidiano. No Dia D, o ICL apresenta uma resposta a esse modelo e mostra como romper com a dependência das big techs. Evento gratuito em 28 de abril, terça-feira, às 20h, ao vivo e com vagas limitadas. Garanta sua vaga. 





ICL Notícias

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