Sirenes soaram nas principais cidades do Oriente Médio uma vez mais na madrugada desta quinta-feira. O governo de Israel anunciou que iniciou uma nova ofensiva de mísseis e drones contra posições estratégicas no Irã, assim como contra o Hezbollah, no Líbano. O governo de Teerã retaliou, obrigando residentes de Tel Aviv e Jerusalém buscar refúgio. Explosões ainda foram registradas em Doha e em diversas cidades pela região.
Mas as ameaças para o Irã não chegam apenas dos céus. O governo afirmou ter atacado grupos curdos no Iraque e alertou os “grupos separatistas” contra qualquer tipo de ação. Nos últimos dias, diante da resistência do regime em Teerã, o governo dos EUA passou a financiar e incentivar que milícias locais e em países vizinhos atuem por terra contra as forças iranianas.
O cenário de uma infiltração por terra abriu temores na região e na ONU de que uma guerra civil poderia eclodir, com enormes consequências num país com 90 milhões de habitantes. “Os grupos separatistas não devem tentar agir”, disse o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani. “Não os toleraremos de forma alguma”, alertou.
Petroleiro americano atingido
A Guarda Revolucionária Islâmica ainda afirmou ter atingido um petroleiro americano no norte do Golfo Pérsico na manhã desta quinta-feira e insistiu que navios militares e comerciais pertencentes aos EUA, Israel e países europeus que os apoiam “não terão permissão para passar” pelo Estreito de Ormuz.
“Já havíamos dito anteriormente que, com base em leis e resoluções internacionais, em tempos de guerra, a República Islâmica do Irã terá o direito de controlar a passagem pelo Estreito de Ormuz”, afirmou.
Se confirmado, o ataque desmente a versão de Donald Trump de que os iranianos estariam perdendo força ou sendo incapazes de usar suas armas. O governo americano ainda seria desmentido quanto à sua garantia de que o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial, não estaria sob o controle do Irã.
EUA dizem ao governo de Israel: “continuem até o fim”
De ambos os lados, o tom é de que não haverá um espaço neste momento para negociações. O Ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, conversou na noite passada com seu homólogo americano, Pete Hegseth. Num comunicado, Hegseth teria encorajado Katz a “continuar até o fim, estamos com você”.
O apoio foi dado depois que, em Washington, o Senado rejeitou uma moção para limitar os poderes de Donald Trump de atacar o Irã e prestar apoio ao governo de Israel.
O tom desafiador também vem do lado iraniano. O Ministério das Relações Exteriores, em Teerã, alertou que os EUA vão “se arrepender” de ter bombardeado com um submarino um navio de guerra iraniano, nas costas do Sri Lanka.
O general iraniano Kioumars Heydari prometeu que o Irã “não abandonará esta guerra” até atingir seus objetivos e infligir duros golpes aos EUA. “Não nos importa quantos dias esta guerra dure”, disse Heydari, vice-comandante do Quartel-General Central de Khatam al-Anbia, em declarações divulgadas pela agência de notícias semioficial iraniana Tasnim.
“Estamos vivendo uma guerra de oito anos e só a encerraremos quando tivermos alcançado nossos objetivos e feito o inimigo se arrepender e se desesperar por seu ato vergonhoso.”
Ataques contra civis
Ao contrário da versão dos EUA de que não ataca alvos civis, a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano afirmou nesta quinta-feira ter registrado 1.332 ataques das forças americanas e israelenses no Irã desde sábado, com incursões documentadas em 636 locais, incluindo pelo menos 105 instalações civis.
O levantamento aponta que 14 instalações médicas e sete prédios do Crescente Vermelho foram atingidos. Pelo menos 174 cidades foram atingidas.
Já o governo iraniano explicou que os ataques causaram danos em instalações de abastecimento de água e eletricidade.
Êxodo
Enquanto os ataques continuam, entidades internacionais alertam para o risco de uma crise humanitárias.
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) afirma que a intensificação da violência no Oriente Médio já provocou um movimento populacional significativo. Cerca de 100 mil pessoas deixaram Teerã e, no Líbano, 58 mil pessoas estavam abrigadas em locais coletivos, embora autoridades libanesas afirmem que o número seja superior a 80 mil. Pelo menos 11 mil refugiados sírios que estavam no Líbano cruzaram a fronteira, em direção às cidades da Síria.
Nesta noite, três pessoas morreram e outras seis ficaram feridas após dois ataques israelenses perto da capital do Líbano..



