[ad_1]
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x
Israel ampliou nesta sexta-feira (29) a pressão sobre a Cidade de Gaza ao classificá-la oficialmente como “zona de combate perigosa”, medida que encerra a pausa humanitária temporária que vinha permitindo a entrada de alimentos na região. O anúncio sinaliza que a maior cidade da Faixa de Gaza, com cerca de 1 milhão de habitantes, se tornou o próximo grande alvo do Exército israelense, que já movimenta tropas e tanques para uma ofensiva terrestre em larga escala.
A decisão ocorre em meio a um cenário de agravamento humanitário: segundo a ONU, a fome já é generalizada na cidade, primeira vez que essa condição é registrada no Oriente Médio. Milhares de moradores têm deixado suas casas, mas muitos permanecem diante da incerteza sobre a sobrevivência no sul, área indicada por Israel como destino para evacuação.
Enquanto reforça o cerco militar, Israel anunciou também a recuperação do corpo de um refém, identificado como Ilan Weiss, e a localização de evidências relacionadas a outro refém morto, ainda sem identificação. O governo de Benjamin Netanyahu acredita que cerca de 50 reféns israelenses permanecem em poder do Hamas, sendo aproximadamente 20 ainda vivos.
“A partir de hoje (sexta-feira), às 10h00 (4h no horário de Brasília), a pausa tática local nas atividades militares não se aplicará à área da Cidade de Gaza, que passa a constituir uma zona de combate perigosa”, informou o Exército em comunicado. O corredor humanitário, estabelecido em julho, tinha como objetivo ampliar a distribuição de alimentos à população civil.
Israel fechou corredor humanitário que ajudava a chegar comida na cidade, segundo a ONU, a fome é generalizada (Foto: Eyad BABA / AFP)
Netanyahu afirma que a tomada da Cidade de Gaza é parte de um plano mais amplo para derrotar totalmente o Hamas e assumir o controle de todo o território palestino. Desde o início de agosto, quando o governo Israelense aprovou os planos para tomar a cidade, o Exército intensificou os bombardeios sobre a cidade, especialmente em bairros periféricos como Ebad-Alrahman e Zeitoun.
A ONU e diversos países alertam que uma investida militar em uma área tão populosa pode gerar consequências catastróficas, inclusive configurando crime de guerra por deslocamento forçado em massa. Autoridades religiosas locais afirmaram nesta semana que não deixarão a cidade, alegando que fugir para o sul equivaleria a “uma sentença de morte”.
Em resposta às críticas internacionais, o porta-voz do exército, Avichay Adraee, disse que famílias deslocadas receberão apoio humanitário no sul da Faixa de Gaza, incluindo tendas, centros de distribuição de alimentos e acesso a água. Ainda assim, imagens recentes da AFP mostram longas filas de carros carregados de colchões e utensílios domésticos em direção ao sul, reforçando o êxodo em curso.
Ações de Israel
Nos bastidores, Netanyahu ordenou a redução dos prazos para a captura dos principais redutos do Hamas, ao mesmo tempo em que convocou 60 mil reservistas para a nova fase da guerra. O comando militar israelense definiu a operação como “progressiva, precisa e seletiva”, mas antecipou que pode se estender até 2026.
Israel Katz, o ministro da Defesa israelense, prometeu na semana passada destruir a Cidade de Gaza caso o Hamas não aceite o fim da guerra sob as condições do país.
Já o Hamas classificou o plano de Israel como “um desrespeito flagrante” aos esforços de mediação. O grupo havia aceitado, neste mês, uma proposta de cessar-fogo negociada pelo Egito e pelo Catar.



