Israel lançou ataques aéreos contra regiões centrais e ocidentais do Irã nesta segunda-feira (8), poucas horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedir ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que evitasse uma retaliação imediata aos recentes ataques iranianos. A nova escalada aumenta os temores de uma guerra regional no Oriente Médio.
Trump afirmou que telefonou a Netanyahu para pedir moderação após ataques de mísseis iranianos na noite de domingo (7). O presidente americano declarou: “Quem dá todas as ordens sou eu. Ele [Netanyahu] não dá as ordens”.
Segundo a mídia estatal iraniana, explosões foram registradas em Teerã, Isfahan, Karaj e Tabriz. A Guarda Revolucionária afirmou que Israel empregou mísseis balísticos lançados por aeronaves. Após os bombardeios, o Irã fechou o espaço aéreo ao redor do Aeroporto Internacional Imam Khomeini, principal terminal aéreo do país.
A ofensiva israelense ocorreu após Teerã lançar cerca de dez mísseis balísticos contra o norte de Israel em resposta a um ataque israelense contra um alvo no sul de Beirute, no Líbano. De acordo com as Forças Armadas israelenses, todos os projéteis foram interceptados ou caíram em áreas abertas.
A Casa Branca não informou se os bombardeios israelenses foram coordenados com Washington.
A tensão também se espalhou pela região. A Arábia Saudita acionou sirenes de alerta para mísseis em uma área que abriga a Base Aérea Prince Sultan, utilizada por militares americanos. Israel, por sua vez, informou que tentava interceptar um míssil lançado a partir do Iêmen, onde rebeldes houthis apoiados pelo Irã têm realizado ataques contra o país.
No Líbano, o governo israelense afirmou ter atingido um centro de comando do Hezbollah no distrito de Dahiyeh, em Beirute, em resposta a disparos contra território israelense. O Ministério da Saúde libanês informou que o ataque deixou dois mortos e 20 feridos.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os Estados Unidos de terem dado “sinal verde” à ofensiva em Beirute e declarou que interesses americanos e israelenses passaram a ser considerados alvos legítimos.
Após a retaliação iraniana, Trump disse à Fox News que deseja ver Teerã interromper os lançamentos de mísseis e retornar às negociações. Ele também afirmou que os ataques israelenses no Líbano não foram coordenados pelos Estados Unidos e demonstrou insatisfação com a ação.
Em entrevista ao Financial Times antes dos bombardeios, Trump voltou a afirmar que exerce influência decisiva sobre a condução do conflito por Israel. “Ele não terá escolha”, disse o presidente ao se referir a Netanyahu.
A troca de ataques ocorre em meio às negociações entre Washington e Teerã, que seguem enfrentando dificuldades. O governo iraniano defende que o Líbano seja incluído em qualquer acordo mais amplo de cessar-fogo.
Os mercados reagiram imediatamente à escalada. O petróleo Brent subiu US$ 3,50, alcançando US$ 96,59 por barril, enquanto bolsas asiáticas registraram fortes perdas diante do receio de interrupções no fornecimento global de energia.
O conflito no Líbano se intensificou em março e já deixou mais de 3,6 mil mortos no país, segundo autoridades locais. Do lado israelense, ao menos 30 soldados e três civis morreram em confrontos com o Hezbollah.



