Por Brasil de Fato
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste sábado (7) que não haverá uma “rendição incondicional” como os Estados Unidos desejam e que o país está comprometido com a paz. Ele também anunciou que haverá uma suspensão dos ataques aos países vizinhos usados como base para as forças militares estadunidenses, mas salientou que agressões originadas desses territórios serão retaliadas.
Em uma publicação nas redes sociais, Pezeshkian afirmou que o Irã não terá dúvidas em defender a honra e a autoridade do país.
“Alguns países iniciaram esforços de mediação. Nossa resposta a eles é clara: estamos comprometidos com a paz duradoura na região, mas não temos dúvidas nem hesitação em defender a honra e a autoridade do nosso país. Os alvos apropriados desses esforços de mediação são aqueles que, ao subestimarem o povo iraniano, incendeiam a região”, disse.
A mensagem foi uma resposta a uma série de investidas diplomáticas realizada pelos países vizinhos em busca de paralisação nos bombardeios.
No mesmo comunicado, o líder iraniano afirmou que as exigências impostas pelos Estados Unidos em torno de uma rendição incondicional não serão aceitas. Ele declarou que os inimigos do Irã “levarão para o túmulo seus sonhos de nossa rendição incondicional”.
Suspensão de ataques
O Conselho de Liderança Temporária anunciou que os ataques aos países vizinhos serão suspensos. Esta suspensão será reavaliada caso o Irã seja atacado novamente, afirmou o presidente.
“Ontem, o Conselho de Liderança Temporária aprovou que não haverá mais ataques contra países vizinhos nem lançamentos de mísseis, a menos que ocorra um ataque contra o Irã por parte desses países”, declarou o presidente.
Pezeshkian aproveitou o contexto para pedir desculpas aos países que foram atacados pelo Irã ao longo da semana, desde o bombardeio de Israel e Estados Unidos, no sábado (28), contra Teerã e o assassinato do líder supremo Ali Khamenei.
Ele afirmou que o Irã “não tem intenção de agressão” e disse que será recíproco com eventuais novos ataques a partir destes territórios poupados no momento
Trump faz novas ameças
Neste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que fará novos ataques contra o Irã e chamou o país persa de “perdedor do Oriente Médio”.
Em publicação na rede social Truth, Trump desclassificou o Irã e anunciou que hoje haverá um ataque intenso, destruindo áreas estratégicas iranianas.
“Hoje, o Irã será duramente atingido. Áreas e grupos de pessoas que não eram considerados alvos até este momento estão sob séria consideração para destruição completa e morte certa, devido ao mau comportamento do Irã”
Em resposta à decisão do Irã de suspender os ataques contra os países vizinhos, Trump afirmou que o anúncio iraniano é resultado direto “do ataque implacável dos EUA e de Israel”.
“Eles buscavam dominar e governar o Oriente Médio. É a primeira vez em milhares de anos que o Irã perde para os países vizinhos do Oriente Médio”, provocou.
Por fim, o líder estadunidense lançou ataques diminuindo a importância geopolítica do Irã na região.
“Pediu desculpas e se rendeu aos seus vizinhos do Oriente Médio. O Irã não é mais o ‘valentão do Oriente Médio’, mas sim ‘o perdedor do Oriente Médio’, e continuará sendo por muitas décadas até se render ou, mais provavelmente, entrar em colapso total!”
Uma semana de ataques
Os ataques conjuntos, não provocados e considerados ilegais pelas leis internacionais, dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciados no sábado (27), ocorreram em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano. Apesar da disposição anunciada pelo país persa em cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica e se comprometer a usar seu programa nuclear exclusivamente para fins pacíficos, Israel e EUA – ambas potências nucleares – acusam Teerã de secretamente buscar a construção de armas atômicas.
Tel Aviv também acusa o Irã de ser “ameaça existencial” ao país, mas a acusação é rebatida por analistas que argumentam que o governo iraniano se encontra hoje muito enfraquecido pelos ataques de junho de 2025, pelas sanções impostas pelos EUA, protestos internos e o fim do corredor até o Líbano, após a queda de Bashar al-Assad na Síria.
A derrubada do governo em Teerã é objetivo cultivado por Washington e Tel Aviv desde a instalação da República Islâmica, em 1979, que substituiu o regime vassalo do Ocidente e instituiu o governo teocrático nacionalista. Nos primeiros dias de ataques, bombardeios mataram lideranças iranianas, incluindo o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que governava o país desde 1989.
Terceiro maior produtor de petróleo do mundo, o Irã fechou, após o início das agressões, o Estreito de Ormuz, por onde é escoada a produção de vários países do Golfo. Por lá passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, o que gera temores de uma crise inflacionária internacional. Outro temor, apontado por analistas, é que o conflito se expanda para outros países da região, com consequências imprevisíveis.



