24.1 C
Manaus
segunda-feira, 8 junho, 2026
InícioBrasilIrã retalia Israel após novos ataques e acusa regime sionista de iniciar...

Irã retalia Israel após novos ataques e acusa regime sionista de iniciar ‘jogo perigoso’

Date:


Por Brasil de Fato 

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, responsabilizou, nesta segunda-feira (8), os Estados Unidos pela escalada militar na região.

Segundo Baghaei, Israel não age sem coordenação prévia com Washington. “Ninguém na região acredita que o regime sionista possa realizar tais ações sem cooperação, coordenação ou ao menos aprovação dos Estados Unidos”, afirmou.

A declaração ocorreu após ataques israelenses contra alvos militares e instalações de energia no Irã. Entre os locais atingidos está a Companhia Petroquímica Karoun, localizada em Mahshahr, um dos principais polos industriais do país. Autoridades iranianas afirmam que os bombardeios causaram danos à infraestrutura energética e elevaram o risco para a produção e exportação de derivados de petróleo.

“Advertimos que o inimigo iniciou um jogo perigoso ao agir contra alvos civis e atacar a indústria petrolífera. O alcance dessa ação incluirá todos os alvos energéticos da região, e as consequências para a economia global serão responsabilidade do principal instigador desse cenário, os Estados Unidos”, declarou a Guarda Revolucionária.

Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica anunciou o lançamento de mísseis contra instalações petroquímicas em Haifa, no norte de Israel. Segundo o comunicado divulgado pelo grupo, a operação teve como alvo centros ligados ao setor de energia e foi uma resposta direta aos ataques israelenses contra a infraestrutura iraniana.

A Guarda Revolucionária declarou ainda que as forças iranianas possuem capacidade para atingir uma gama maior de alvos estratégicos caso os ataques continuem. Segundo o comunicado, a ampliação das operações poderá afetar instalações energéticas em diferentes pontos da região.

De acordo com Baghaei, Washington participou dos entendimentos que resultaram no cessar-fogo firmado em abril e, por isso, deve responder pelas consequências da retomada das hostilidades. O representante iraniano afirmou que os Estados Unidos são “plenamente responsáveis” pelas ações israelenses e acusou o governo estadunidense de não cumprir os compromissos assumidos durante as negociações.

“Qualquer ação na região, seja diretamente pelos Estados Unidos ou por meio do regime israelense no Líbano, torna Washington plenamente responsável, e as consequências da escalada recairão sobre ele”, afirmou.

Segundo o porta-voz, as conversas entre Teerã e Washington tinham como objetivo encerrar a guerra contra o Irã e criar condições para reduzir os conflitos em outras frentes do Oriente Médio. Nesse sentido, a continuidade dos ataques compromete o processo diplomático e dificulta a implementação dos acordos discutidos nos últimos meses.

O cessar-fogo firmado em abril havia interrompido semanas de confrontos que envolveram ataques diretos entre Israel e Irã, além de ações de grupos aliados de Teerã em diferentes países da região. A troca de ataques registrada nos últimos dias representa a primeira ruptura significativa do acordo.

Além dos confrontos entre os dois países, a crise tem provocado reações de aliados iranianos. Os houthis do Iêmen anunciaram novas medidas contra os interesses israelenses no Mar Vermelho e afirmaram que pretendem impedir a passagem de embarcações ligadas a Israel pela região. O grupo declarou que as ações continuarão enquanto os ataques israelenses forem mantidos.

Ataque de Israel no Líbano | Crédito: Kawnat Haju/AFP
Ataque de Israel no Líbano. (Foto: Kawnat Haju/AFP)

‘EUA dá as cartas’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta segunda-feira (8) que Israel e Irã interrompam os ataques após a retomada dos confrontos entre os dois países. A declaração foi feita em meio à escalada militar que levou Teerã a retaliar novos bombardeios israelenses e responsabilizar Washington pelos acontecimentos.

“Israel e Irã devem parar de ‘atirar’ imediatamente”, escreveu Trump na rede Truth Social. Dois dias antes, o presidente estadunidense afirmou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, teria de aceitar um acordo com o Irã.

Na ocasião, Trump declarou que Netanyahu “não dá as cartas” e que as negociações conduzidas por Washington deveriam prevalecer sobre qualquer iniciativa unilateral do governo israelense. “Quem dá as cartas sou eu. Eu dou todas as cartas. Ele (Netanyahu) não dá as cartas”, disse Trump ao Financial Times. “Ele não terá escolha”, declarou.





ICL Notícias

spot_img
spot_img