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quinta-feira, 22 outubro, 2026
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Inventar o Brasil – ICL Notícias

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Certo Brasil parece sempre querer caminhar a passos céleres para cumprir a sua grande vocação como empreendimento de gestão (para usar uma expressão da moda): a de ser um engenho monocultor, com os senhores e sinhás, os mestres gestores, os consumidores do que é gestado e os empregados cativos dos senhores.

As notícias que chegam sobre o arremedo de projeto de governo da extrema-direita apontam para o lançamento dos alicerces de um projeto que levará, se o empreendimento der certo, o Brasil de volta ao século XVI em grande estilo.

Seremos, nesse caso, o arremedo de uma colônia racista, misógina, preconceituosa, mesquinha e doente, comandada pelos filhos de algumas das ditas boas famílias brasileiras, herdeiras dos “homens bons” de quinhentos anos atrás: aquelas que desde a Casa-Grande não conseguem conceber o mundo sem os seus escravizados, feitores, capatazes, serviçais, capangas e capitães do mato.

O contraponto a esse repertório de horror pressupõe uma tarefa institucional mais urgente, a de votar em Lula, mas impõe mergulhos mais amplos e desafiadores nos próximos anos. Não me parece que nossa tarefa tenha que se limitar, simplesmente, a resistir a esse obsceno avanço do retrocesso.

Penso aqui no vasto campo material e simbólico que define as culturas populares brasileiras, minha área de reflexão, produção e ação. Resistência, por definição, é a capacidade que uma força tem de se opor a outra; um conjunto de atos de defesa contra determinadas ações. Por isso acho insuficiente dizer que as culturas populares do Brasil são “de resistência”.

Mas elas não são? Também são, mas é pouco. Pensemos nas festas da brasilidade como exemplo. Festejar não é só resistir (opor-se ao outro). É também inventar a vida e organizar o mundo em dimensões materiais, políticas, afetivas, poéticas e espirituais que o oponente não alcança.

É por isso, enfim, que gosto de falar de culturas de invenção: aquelas que resistem, mas vão além da resistência, não se limitam a reagir e ousam construir mundos e celebrar a vida onde, aparentemente, só a morte deveria imperar.

O desafio está colocado.





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