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A inflação desacelerou em junho para as quatro faixas de renda mais baixas da população brasileira, segundo o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, divulgado na quinta-feira (15). A descompressão foi puxada, principalmente, pela queda no preço dos alimentos consumidos no domicílio. Por outro lado, a inflação avançou entre os grupos de renda média-alta e alta, impulsionada pelo encarecimento dos transportes e serviços.
Entre as famílias de renda muito baixa, segundo o Ipea, a inflação mensal recuou de 0,38% em maio para 0,20% em junho, mesmo com o aumento nas tarifas de energia elétrica. Já para as famílias de renda alta, a taxa acelerou de 0,08% para 0,28%, refletindo aumentos significativos nos transportes por aplicativo, aluguel de veículos e seguros.
Apesar do alívio de curto prazo, os dados do Ipea mostram que, no acumulado de 2025, os mais pobres continuam enfrentando maior pressão inflacionária: alta de 3,2%, influenciada por aumentos de 7,0% na energia elétrica e 3,6% nos alimentos. Para as classes de renda mais alta, o avanço acumulado é de 2,6%, favorecido pela forte queda nas passagens aéreas (-27,9%).
Ipea: Habitação pesa e alimentação alivia
Na análise por grupos, os dados do Ipea mostram que a habitação foi o principal vetor inflacionário para a maioria das faixas de renda, com destaque para os reajustes da energia elétrica (3,0%) e da água e esgoto (0,59%). Já nas rendas mais altas, o grupo transportes liderou os impactos, puxado por aumentos expressivos no transporte por aplicativo (13,7%) e em serviços associados à mobilidade.
A inflação nos alimentos teve efeito oposto. A queda de 0,4% nos preços no domicílio – com destaque para hortaliças, frutas, carnes e ovos – proporcionou alívio relevante para as famílias de menor renda, onde o peso desse grupo no orçamento é maior. No entanto, para os mais ricos, o impacto foi diluído pelo aumento de 0,46% nos gastos com alimentação fora de casa.
Comparando com junho de 2024, houve recuo na inflação para as três faixas de renda mais baixa e aceleração para as mais altas. A inflação da classe muito baixa caiu de 0,29% para 0,20%, enquanto a da faixa de renda alta subiu de 0,04% para 0,28%.
Acumulado em 12 meses
No acumulado de doze meses, a tendência se inverte: a inflação da faixa de renda alta é a mais elevada (5,4%), superando levemente a registrada entre os mais pobres (5,2%). A composição da pressão inflacionária nesse período inclui alta de alimentos como café (77,9%) e carne (23,7%), além de reajustes relevantes em transporte público, energia, combustíveis e serviços educacionais e pessoais.
Veja o resumo dos dados encontrados pelo Ipea:
Inflação em junho de 2025
- Renda muito baixa: recuou de 0,38% (maio) para 0,20% (junho)
- Renda alta: subiu de 0,08% (maio) para 0,28% (junho)
Acumulado no ano (jan-jun/2025)
Maior inflação: Renda muito baixa (3,2%), pressionada por:
- Alimentos no domicílio: +3,6%
- Energia elétrica: +7,0%
Menor inflação: Renda alta (2,6%), beneficiada por:
- Passagens aéreas: -27,9%
Acumulado em 12 meses (jun/2024 a jun/2025)
- Renda baixa: menor taxa – 5,2%
- Renda alta: maior taxa – 5,4%
Principais pressões inflacionárias por grupo
Alimentos no domicílio:
- Quedas: cereais (-2,7%), hortaliças (-3,0%), frutas (-2,2%)
- Altas (12 meses): café (+77,9%), carnes (+23,7%), óleo de soja (+19,5%)
Habitação:
- Energia elétrica: +6,1% (12 meses)
- Gás de botijão: +7,3%
Transportes:
- Transporte por aplicativo: +13,7% (junho) e +44,5% (12 meses)
- Gasolina: +6,6%
- Etanol: +11,2%
Saúde e cuidados pessoais:
- Produtos farmacêuticos: +4,6%
- Planos de saúde: +7,1%
Destaques comparativos junho/24 x junho/25
- Inflação desacelerou para as 3 faixas mais baixas
- Inflação acelerou para as 3 faixas mais altas
- Alívio para os mais pobres veio da deflação dos alimentos
- Pressão para os mais ricos veio de transportes e serviços



