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A Argentina encerrou 2025 com inflação acumulada de 31,5%, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgados nesta terça-feira (13) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O resultado representa uma queda expressiva em relação aos 117,8% registrados em 2024, mas não veio sem um custo pesado para a população mais pobre, a mais impactada pelo arrocho promovido pelo governo do anarcocapitalista de ultradireita, Javier Milei.
Apesar do alívio no índice anual, o comportamento recente dos preços indica um cenário menos favorável. Em dezembro, a inflação mensal acelerou pelo quarto mês consecutivo, alcançando 2,8%, acima dos 2,5% de novembro. Ao longo de 2025, a taxa mensal oscilou majoritariamente entre 2% e 3%, com raros momentos abaixo desse patamar, e passou a mostrar tendência de alta a partir de maio.
A queda da inflação, principal bandeira do governo Milei, foi alcançada em meio a um duro ajuste econômico.
Desde que assumiu o cargo, em dezembro de 2023, o presidente promoveu um amplo programa de arrocho fiscal, com paralisação de obras públicas, corte de repasses federais às províncias e retirada de subsídios a tarifas de água, gás, energia elétrica, transporte público e outros serviços essenciais. O efeito imediato foi um forte aumento do custo de vida, que pesou de forma desproporcional sobre as famílias de menor renda.
Pobreza ainda é desafio
Dados do Indec mostram que, no primeiro semestre de 2025, a proporção de domicílios abaixo da linha da pobreza (LP) alcançou 24,1%; neles vivem 31,6% da população de um total de 46.387.098 pessoas. Dentro desse conjunto, 5,6% dos domicílios estão abaixo da linha de indigência (LI), que incluem 6,9% das pessoas.
Isso implica que, no universo dos 31 aglomerados urbanos, encontram-se abaixo da linha de pobreza 2.456.090 domicílios, que abrangem 9.451.018 pessoas; e, dentro desse conjunto, 565.821 domicílios estão abaixo da linha de indigência, o que representa 2.051.984 pessoas em situação de indigência.
Em relação ao segundo semestre de 2024, a incidência da pobreza registrou queda tanto nos domicílios quanto nas pessoas, de 4,5 e 6,5 pontos percentuais (p.p.), respectivamente. No caso da indigência, houve redução de 0,8 p.p. nos domicílios e de 1,3 p.p. nas pessoas.
No primeiro semestre de 2024, a pobreza atingia 52,9% da população argentina, refletindo a combinação de recessão, perda de renda e encarecimento de serviços básicos. Embora o indicador tenha recuado para 31% no primeiro semestre de 2025, o nível ainda revela um quadro social frágil e expõe o custo humano da estratégia de estabilização adotada pelo governo.
Superávit nas contas públicas
Do ponto de vista fiscal, o pacote de Milei obteve avanços relevantes, mas a base comparativa é bastante frágil. Houve sucessivos superávits nas contas públicas e melhora na percepção de parte do mercado financeiro. No entanto, a trajetória econômica foi marcada por instabilidade política.
No segundo semestre de 2025, um escândalo envolvendo Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, desencadeou uma crise que abalou expectativas e pressionou os ativos argentinos. A derrota do governo nas eleições da província de Buenos Aires agravou o cenário, levando à forte desvalorização do peso e à queda de títulos e ações.
A deterioração cambial reacendeu pressões inflacionárias e evidenciou a fragilidade do processo de desinflação. O peso argentino acumulou queda de quase 40% frente ao dólar em 2025, encerrando o ano em um patamar historicamente baixo, o que encarece importações e dificulta o controle dos preços.
Apoio dos EUA
O cenário só começou a se estabilizar após o anúncio de apoio financeiro dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, incluindo um acordo de swap cambial que elevou o socorro à Argentina para US$ 40 bilhões. O respaldo externo ajudou a conter a volatilidade do câmbio e fortaleceu politicamente Milei, que obteve vitória nas eleições legislativas de meio de mandato.
Ainda assim, a estratégia do governo segue apoiada em um ajuste rigoroso, respaldado por acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e por medidas de liberalização cambial e monetária que, como já dito, penaliza os mais pobres.
Filme do ICL
O economista e fundador do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Eduardo Moreira, esteve na Argentina, onde produziu o documentário “Vai para a Argentina, Carajo!”, um retrato sobre a situação do país vizinho do Brasil.
Assista ao trailer do doc abaixo:
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