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quinta-feira, 15 outubro, 2026
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Incêndio na Floresta

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Eu devia ter uns cinco anos quando estreou em Manaus o clássico “Bambi”, da Disney. 

Meu avô me levou pela mão à matinal do cine Polytheama, que ficava a dois quarteirões da rua Lauro Cavalcanti, onde morávamos, na movimentada avenida Getúlio Vargas, pavimentada com paralelepípedos cinzentos, esquina com a Sete de Setembro.

Inspirado no romance “Bambi, uma Vida na Floresta”, de Felix Salten, o filme, um clássico de todos os tempos, tinha sido lançado em 1942, pela RKO Radio Pictures em Londres e Estados Unidos simultaneamente, onde recebeu três indicações ao Oscar (Melhor Som, Melhor Canção Original e Melhor Trilha Sonora).

Na fachada do Polytheama, duas sereias convidavam o público a sair da realidade e entrar no mundo mágico da dramaturgia cinematográfica.

Naquela manhã, o cinema estava lotado de crianças inquietas que disfarçavam a emoção impaciente mastigando sôfregas os bombons “Busy” vendidos por rapazes – os bombomzeiros- dentro da sala de espetáculo antes do filme começar.

Lembro que meu coraçãozinho bateu mais forte quando as luzes baixaram para dar passagem ao mundo colorido de Bambi, criado pelo ilustrador Maurice Day.

O centro da história desse desenho animado é a formação do pequeno Bambi, aconselhado pela mãe sobre as belezas da Natureza e os perigos que moram nela e que a rodeiam. Principalmente o homem. Fuja dele, alerta.

Esse homem que também é citado pelo genial Chico Buarque, décadas depois, na bela canção “Passaredo” composta em parceria com Francis Hime. 

Sim, mas voltando àquela manhã de domingo em Manaus, apaixonei-me pelo Bambi seus amigos e a floresta até que o meu enlevo infantil foi brutalmente cortado por um grande incêndio na floresta.

Fechei os olhos, apertei a mão do meu avô, comecei a soluçar e pedi para ir embora.

Muitas décadas depois publico meu primeiro livro “Essa Tal de Natureza”, onde falo de uma floresta devastada. No ano seguinte toco no mesmo tema em “Cida a Macaca Travessa” e em “ Sua Majestade o Gavião Real”.

Pois bem, ontem chorei baixinho na minha sala enfumaçada ao saber que a nossa floresta está sendo morta pelas mãos criminosas do homem, tal qual a mãe do Bambi alertou. 

Pena que não é um filme, não sou criança e não posso sair correndo do Polytheama.

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