
A rede pública de saúde de Manaus começou a ofertar o implante contraceptivo subdérmico liberador de etonogestrel, conhecido como Implanon, método de alta eficácia que pode atuar no organismo por até três anos sem necessidade de intervenções durante esse período. Mais de 7 mil unidades do contraceptivo já estão disponíveis na capital amazonense, inicialmente em nove Unidades de Saúde da Família (USF) preparadas para realizar o procedimento, após capacitação específica de médicos da rede municipal. A iniciativa integra a estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) de ampliar o acesso a métodos contraceptivos de longa duração, especialmente para adolescentes a partir de 14 anos e mulheres em situação de vulnerabilidade social, com expectativa de impacto direto na redução de gestações não intencionais e na mortalidade materna, fetal e infantil.
Método de longa duração e alta eficácia
O implante subdérmico é um pequeno bastão flexível inserido sob a pele do braço da usuária, que libera continuamente o hormônio etonogestrel. Sua principal característica é a duração prolongada, com ação contraceptiva por até três anos, sem necessidade de uso diário ou aplicações periódicas, como ocorre com pílulas ou injetáveis hormonais. Ao final desse período, o implante deve ser retirado e, caso haja interesse, um novo pode ser inserido imediatamente pelo próprio SUS.
Outro ponto relevante é a rápida retomada da fertilidade após a remoção do dispositivo, o que reforça o caráter reversível do método. Essa característica é considerada estratégica no planejamento reprodutivo, pois permite que a mulher tenha autonomia para decidir quando deseja engravidar, sem impactos prolongados sobre sua capacidade reprodutiva.
Especialistas em saúde pública destacam que métodos como o implante subdérmico reduzem falhas relacionadas ao esquecimento ou ao uso inadequado, comuns em contraceptivos que dependem da adesão diária ou mensal. Por isso, são classificados como altamente eficazes, com taxas de falha significativamente menores em comparação a métodos tradicionais.
LARC e o planejamento reprodutivo no SUS
Entre os contraceptivos atualmente oferecidos pelo SUS, até então apenas o DIU de cobre era classificado como LARC, sigla em inglês para contraceptivos reversíveis de longa duração. Os LARC são reconhecidos internacionalmente como uma das estratégias mais eficientes para o planejamento reprodutivo, justamente por não dependerem do uso contínuo ou correto por parte da usuária.
Com a incorporação do implante subdérmico, o SUS amplia o leque de opções desse tipo, fortalecendo a política de saúde sexual e reprodutiva. Além do Implanon e do DIU de cobre, a rede pública disponibiliza preservativos externos e internos, anticoncepcional oral combinado, pílula oral de progestagênio, injetáveis hormonais mensais e trimestrais, além de métodos definitivos como laqueadura tubária bilateral e vasectomia.
Entre todos esses métodos, apenas os preservativos oferecem proteção contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), o que reforça a importância da orientação adequada nas unidades de saúde, para que a contracepção seja associada à prevenção de doenças, especialmente entre adolescentes e populações mais vulneráveis.
Incorporação do implante ao SUS
A decisão de incorporar o implante contraceptivo subdérmico ao SUS foi apresentada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) em julho de 2025. A partir da publicação das portarias que oficializaram a inclusão do método, o Ministério da Saúde passou a atuar em diferentes frentes para viabilizar a oferta em todo o país.
Entre as ações em andamento estão a atualização das diretrizes clínicas, a aquisição e distribuição do insumo, a qualificação e habilitação de profissionais de saúde e a organização dos fluxos de atendimento nos estados e municípios. O processo envolve desde a capacitação técnica para a inserção e retirada do implante até a definição de critérios de prioridade para o acesso, considerando o contexto epidemiológico e social de cada localidade.
Em Manaus, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) se antecipou a essa demanda, estruturando nove Unidades de Saúde da Família para iniciar o atendimento. Médicos da rede passaram por treinamento específico para garantir segurança e padronização do procedimento, que é simples, realizado em ambiente ambulatorial e com anestesia local.
Foco inicial em grupos vulneráveis
Neste primeiro momento, a oferta do implante contraceptivo em Manaus será direcionada prioritariamente a adolescentes a partir de 14 anos e mulheres em situação de vulnerabilidade social. A estratégia segue as diretrizes nacionais, que preveem a destinação inicial do método a grupos com maior risco de gravidez não planejada e com maiores dificuldades de acesso contínuo aos serviços de saúde.
A primeira remessa do implante subdérmico será destinada a públicos considerados prioritários, como pessoas em situação de rua, indígenas, migrantes, mulheres vivendo com HIV que fazem uso do medicamento Dolutegravir, homens trans, entre outros grupos em contextos de maior vulnerabilidade. A escolha desses públicos leva em conta fatores sociais, econômicos e de saúde, além de evidências científicas que apontam maior benefício do método nesses contextos.
A ampliação do acesso para um público maior está prevista à medida que novos quantitativos do contraceptivo sejam encaminhados aos municípios pelo Ministério da Saúde. A expectativa é que, com o aumento da oferta, o implante passe a integrar de forma mais ampla a rotina dos serviços de atenção primária.
Impacto na redução da mortalidade materna e infantil
A introdução do implante subdérmico no SUS é vista como uma medida estratégica para reduzir indicadores negativos associados à gravidez não intencional. Estudos apontam que a falta de planejamento reprodutivo está diretamente relacionada a maiores riscos de complicações durante a gestação, parto e puerpério, especialmente entre adolescentes e mulheres em situação de vulnerabilidade.
Com a ampliação do acesso a métodos contraceptivos de longa duração, a expectativa é de redução da mortalidade materna, fetal e infantil. O impacto tende a ser ainda mais significativo em contextos onde há dificuldades de acompanhamento pré-natal adequado ou maior incidência de gestações em idades extremas.
Além dos efeitos diretos na saúde, a política também pode gerar impactos sociais positivos, como a redução da evasão escolar entre adolescentes, maior autonomia reprodutiva das mulheres e melhor planejamento familiar, com reflexos na renda e na qualidade de vida.
Locais de atendimento
O implante subdérmico está disponível em nove unidades de saúde da rede municipal, localizadas nas zonas urbana e rural de Manaus.
Na zona Sul, o serviço foi implantado na USF Dr. José Rayol dos Santos, avenida Constantino Nery, s/n, Flores.
Na zona Oeste, o atendimento pode ser feito nas USFs Silvio Santos (rua Teotônio Vilela, s/n, Compensa) e Adalgiza Barbosa de Lima (rua Laguna, s/n, Lírio do Vale) e no Ambulatório de Planejamento Reprodutivo da Maternidade Moura Tapajóz, na avenida Brasil, 1.335, Compensa.
Na zona rural, a população pode ser atendida na Unidade de Saúde Pau-Rosa, no ramal do Pau-Rosa, s/n, entrada do quilômetro 21 da BR – 174, assentamento Tarumã-Mirim.
Na zona Leste, o serviço foi implantado nas USFs José Avelino Pereira, (rua Cravinho, s/n – Jorge Teixeira) e Amazonas Palhano (rua Antônio Mathias, s/n, São José).
As USFs Armando Mendes, na rua Aragarças, 786, conjunto Manôa, Cidade Nova; e Professor Carlson Gracie, na avenida Curaçao, s/n, Nova Cidade, atendem a população da zona Norte.



