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sábado, 7 novembro, 2026
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Senado do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña por unanimidade

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O Senado paraguaio aprovou, nesta sexta-feira (6), o impeachment do presidente Santiago Peña. A destituição recebeu os votos favoráveis dos 44 senadores presentes à sessão. A Casa tem 45 integrantes, mas um parlamentar não compareceu.

A decisão encerra o processo de julgamento político aberto contra Peña em meio à crise provocada pela quebra do Ueno Bank, instituição financeira que entrou em liquidação após apresentar problemas de capacidade de pagamento. O caso deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios recursos, provocou protestos no país e ampliou a pressão sobre o governo.

Peña passou a ser alvo de acusações de responsabilidade política pela crise devido à sua ligação empresarial com o grupo controlador do banco. O presidente manteve participação societária na holding ligada à instituição até março de 2025.

O Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação após identificar problemas nas operações de crédito, irregularidades na contabilização de ativos e insuficiência de capital para manter o funcionamento da instituição.

Na quinta-feira (5), Peña apresentou uma carta de renúncia à Presidência. Ele justificou a decisão como uma tentativa de preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas. O anúncio, no entanto, não interrompeu o julgamento, que prosseguiu até a votação desta sexta.

Com a condenação, Peña perde o mandato e também deixa de ter direito à condição de senador vitalício, prerrogativa que garante imunidade parlamentar a ex-presidentes paraguaios que não tenham sido condenados em julgamento político.

O vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência e concluir o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028. A data da posse ainda precisa ser definida.

Do lado de fora do Congresso, na Plaza de Armas, em Assunção, manifestantes comemoraram a decisão.

Santiago Penã anuncia renúncia — Foto: Reprodução

Julgamento teve cinco etapas e terminou nesta sexta

O presidente do Congresso paraguaio, Basilio Núñez, havia antecipado na quinta-feira que o processo não seria concluído em apenas um dia. O julgamento foi organizado em cinco fases, que foram realizadas e encerradas nesta sexta-feira.

Para aprovar o impeachment, eram necessários pelo menos 30 votos favoráveis, o equivalente a dois terços dos 45 integrantes do Senado. O resultado, com 44 votos pela destituição, superou o mínimo exigido.

A sessão começou às 10h45, com a análise de um pedido apresentado por Peña para adiar sua defesa em 72 horas. O presidente alegou que havia recebido a acusação, composta por 15 páginas e acompanhada de aproximadamente 300 páginas de documentos, na noite anterior. Segundo ele, o prazo inferior a 12 horas não permitia examinar o material e preparar adequadamente os argumentos.

Os senadores rejeitaram a solicitação por 39 votos contrários, três favoráveis e duas abstenções. Na mesma sessão, aprovaram por unanimidade a inclusão das provas apresentadas pela comissão de acusação da Câmara dos Deputados, com 41 votos favoráveis e nenhum contrário.

Peña não compareceu pessoalmente ao Congresso. Sua defesa foi representada pelos advogados Ricardo Preda e Adolfo Ferreiro, que questionaram a validade do procedimento e alegaram desrespeito ao direito à ampla defesa.

Os representantes também sustentaram que a renúncia apresentada pelo presidente tornava desnecessária a continuidade do julgamento. Argumentaram ainda que a acusação não havia demonstrado participação direta de Peña nas decisões relacionadas ao Ueno Bank.

Preda afirmou que a incorporação do Visión Banco pelo Ueno havia sido autorizada pelo Banco Central paraguaio e que o processo começou em 2021, antes do governo Peña. Sobre a crise financeira, argumentou que a quebra de instituições bancárias ocorre em diferentes países e não seria, isoladamente, motivo suficiente para destituir um presidente.

Os advogados também negaram irregularidades no patrimônio pessoal de Peña e afirmaram que as acusações não apresentavam provas suficientes.

Acusação aponta documentos oficiais e conflito de interesses

A comissão acusadora, formada por deputados, rebateu os argumentos da defesa. A deputada Rocío Vallejo afirmou que as denúncias estavam fundamentadas em documentos oficiais, e não em notícias ou rumores.

Ela também acusou Peña de comprometer a credibilidade do Banco Central ao permitir que interesses financeiros ligados ao seu entorno influenciassem a atuação da instituição.

Outros parlamentares classificaram a crise do Ueno Bank como uma fraude contra o Estado e os clientes do banco. Eles defenderam a destituição do presidente e solicitaram que os documentos reunidos no processo fossem encaminhados ao Ministério Público para subsidiar as investigações criminais.

A defesa encerrou sua participação no fim da tarde. Ferreiro voltou a questionar a legalidade do julgamento e afirmou que Peña poderá recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos, sob a alegação de que as garantias legais do processo foram desrespeitadas.

Paralelamente ao julgamento político, o Ministério Público abriu investigações criminais sobre o caso. As apurações envolvem Peña, o vice-presidente Pedro Alliana e autoridades do Banco Central paraguaio.

ICL Notícias

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