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segunda-feira, 22 junho, 2026
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ICL e Instituto FSC entregam acervo da ditadura ao AN

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O ICL e o Instituto Felipe Santa Cruz farão nesta segunda-feira (22) a entrega dos documentos do Exército que estiveram por décadas em posse do coronel Cyro Guedes Etchegoyen, chefe da seção de contrainformações do Exército, entre 1969 e 1974, período mais violento da durante a ditadura militar. A entrega se dará no prédio do Arquivo Nacional a partir das 14 horas.

São 23 pastas com cerca de 3 mil páginas de documentos que serão devolvidos ao estado e incorporados ao acervo da instituição. Eles foram revelados no projeto “Bandidos de farda”, do ICL Notícias, a partir de abril deste ano. A equipe de reportagem trabalhou por sete meses em uma série de reportagens e um documentário.

O projeto revelou os crimes que o coronel Cyro escondeu em um imenso arquivo mantido por ele até sua morte. Os documentos pertenciam ao acervo do Exército brasileiro, mas que foram levados ilegalmente pelo coronel Cyro e que ficaram guardados com um outro militar após a sua morte. Em outubro do ano passado, uma fonte, que terá sua identidade mantida em sigilo por segurança, entregou uma primeira parte ao Instituto Fernando Santa Cruz, idealizado pelo ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. Fernando era militante da Ação Popular (AP), está desaparecido desde 23 de fevereiro de 1974 e Felipe é seu filho. Uma segunda parte dos documentos do coronel Cyro foi entregue pela mesma fonte em fevereiro deste ano à jornalista Juliana Dal Piva, repórter do ICL Notícias.

Por isso, o acervo será entregue pelo Instituto Fernando Santa Cruz e pelo ICL Notícias. Participam do ato: Felipe Santa Cruz, ex-presidente da OAB e idealizador do Instituto Fernando Santa Cruz; Juliana Dal Piva, jornalista coordenadora da série Bandidos de farda, do ICL Notícias; Paula Franco, Coordenadora-Geral de Políticas de Memória e Verdade do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania; Paulo Thadeu Gomes da Silva, Procurador da República; Monica Lima, Diretora-Geral do Arquivo Nacional; Thiago Vieira, Diretor de Processamento Técnico, Preservação e Acesso ao Acervo; Thiago Mourelle, chefe do Centro de Referência Memórias Reveladas.

Sobre o CIE e o aparato repressivo

Criado em 1967, o CIE atuava ao lado do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) e do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (CISA) como parte do aparato de repressão da ditadura. O Arquivo Nacional custodia atualmente apenas parte da documentação do CISA. A maior parcela dos documentos produzidos pelos órgãos militares ainda se encontra dispersa.

Sobre o Memórias Reveladas

A entrega foi intermediada pelo Centro de Referência Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional, cujo objetivo é reunir a documentação produzida durante o período ditatorial. O acesso a esses registros é peça central do direito à memória e à verdade. São documentos que podem contribuir para o esclarecimento de violações de direitos humanos, a identificação de vítimas e a reparação às famílias de desaparecidos políticos.

Serviço
Ato de Entrega de Acervo de Documentos do CIE
22 de junho, às 14h
Arquivo Nacional
Praça da República, 173, Rio de Janeiro





ICL Notícias

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