O mercado financeiro encerrou esta quinta-feira (11) em forte alta, impulsionado pela redução das tensões no Oriente Médio e pela perspectiva de uma solução diplomática para o conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. O Ibovespa avançou 1,71%, aos 171.497 pontos, acumulando ganho de quase 2.900 pontos no pregão.
O principal fator por trás do movimento foi a mudança de tom do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou a suspensão de ataques militares que estavam previstos contra o Irã. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que as negociações com o governo iraniano avançaram para os mais altos níveis de liderança, o que levou ao cancelamento das operações planejadas.
Posteriormente, Trump declarou que as conversas estão em estágio avançado e que um acordo poderá ser concluído nos próximos dias, com previsão de assinatura na Europa durante o fim de semana.
A sinalização de uma possível solução diplomática foi bem recebida pelos investidores ao redor do mundo. Em Wall Street, os principais índices ampliaram os ganhos após as declarações de Trump e encerraram o dia com altas superiores a 1%.
O mercado de petróleo também refletiu a melhora no cenário geopolítico. Os contratos futuros da commodity recuaram mais de 2%, reduzindo preocupações sobre eventuais interrupções na oferta global de energia.
Na Europa, os principais índices acionários fecharam em alta, interrompendo uma sequência de perdas registrada nos últimos pregões. O movimento ocorreu em meio às expectativas de redução dos riscos associados ao conflito no Oriente Médio.
Dólar cai e juros futuros recuam no Brasil
No mercado doméstico, o alívio externo favoreceu os ativos brasileiros. O dólar comercial caiu 1,37%, encerrando o dia cotado a R$ 5,10. Os contratos de juros futuros também registraram queda ao longo de toda a curva, refletindo a melhora da percepção de risco global.
A valorização dos ativos brasileiros ocorreu mesmo diante de preocupações persistentes com o cenário fiscal. Nesta semana, o Senado aprovou uma proposta de refinanciamento de dívidas rurais que, segundo estimativas do Ministério da Fazenda, pode gerar impacto bilionário para as contas públicas.
Apesar do otimismo nos mercados, alguns indicadores continuaram gerando cautela entre os investidores. Nos Estados Unidos, o índice de preços ao produtor (PPI) mostrou aceleração da inflação anual para 6,5%, reforçando dúvidas sobre os próximos passos da política monetária americana.
Outro destaque do mercado internacional é a estreia das ações da SpaceX na Nasdaq. A companhia de Elon Musk pretende realizar uma captação estimada em US$ 75 bilhões, operação que poderá se tornar o maior IPO da história, superando o recorde estabelecido pela Saudi Aramco em 2019.
No Brasil, os investidores também acompanharam dados positivos da atividade econômica. O setor de serviços cresceu 1,2% em abril, resultado acima das expectativas do mercado. Além disso, o governo federal divulgou novos indicadores mostrando avanço no combate ao desmatamento.
Destaques do Ibovespa
Entre as ações de maior peso do Ibovespa, a Petrobras conseguiu reverter as perdas registradas ao longo do pregão e encerrou o dia com leve alta de 0,14%, apesar da queda do petróleo no mercado internacional.
A Vale avançou 1,36%, enquanto os grandes bancos contribuíram significativamente para o desempenho do índice. As ações do Banco do Brasil subiram 2,21%, Bradesco ganhou 2,72%, Itaú Unibanco avançou 2,79% e Santander registrou alta de 0,63%.
No setor de varejo, Magazine Luiza valorizou 4,10%, enquanto Lojas Renner subiu 3,71%, apoiada pela manutenção de recomendações positivas de analistas.
Outro destaque foi a Braskem, que avançou 4,53% após notícias relacionadas ao processo de oferta pública de aquisição (OPA) envolvendo seu controlador.



