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terça-feira, 3 março, 2026
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Ibovespa despenca 3,3% com guerra no Oriente Médio

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O Ibovespa encerrou esta terça-feira (3) com queda de 3,28%, aos 183.104,87 pontos, após chegar a recuar mais de 4% no pior momento do pregão. No câmbio, o dólar à vista avançou 1,92%, a R$ 5,2652, refletindo o movimento global de aversão a risco.

O estopim veio do exterior. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter ordenado apoio militar a Israel contra o Irã, sob a justificativa de que Teerã estaria prestes a atacar interesses norte-americanos. A escalada elevou as cotações do petróleo e intensificou o temor de um choque inflacionário global.

Com a disparada da commodity, o mercado brasileiro passou a revisar expectativas para a política monetária. A aposta majoritária, que até então indicava corte de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, migrou para uma redução mais moderada, de 0,25 ponto. A leitura é que pressões inflacionárias importadas podem exigir maior cautela do BC brasileiro.

Apesar de dados domésticos relativamente sólidos — Produto Interno Bruto (PIB) com alta de 0,1% no quarto trimestre e crescimento de 2,3% em 2025, além da criação de 112 mil vagas formais em janeiro segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) —, o noticiário interno ficou em segundo plano diante do risco geopolítico.

O movimento atingiu em cheio empresas sensíveis a juros e consumo. Apenas duas das 85 ações do índice fecharam em alta: Raízen (RAIZ4), com avanço de 6,15%, e Braskem (BRKM5), que subiu 3,24%.

Na ponta negativa, o destaque foi o GPA (PCAR3), com tombo de 17,78%, após a agência Fitch Ratings rebaixar sua nota de crédito de “A” para “CCC”, citando riscos de refinanciamento e fluxo de caixa livre negativo. A companhia também pediu o bloqueio de ações detidas pelo grupo francês Casino Guichard-Perrachon no contexto de uma arbitragem em curso.

O setor de varejo liderou as perdas na B3, pressionado pela combinação de petróleo em alta e perspectiva de juros menos acomodatícios. A leitura predominante é que um novo ciclo de pressão sobre combustíveis pode contaminar preços ao consumidor, reduzindo o espaço para estímulos monetários.

Em um ambiente de conflito aberto no Oriente Médio e volatilidade nas commodities, a Bolsa brasileira acompanhou o mau humor global — sinalizando que, no curto prazo, o risco externo voltou a ditar o ritmo dos ativos domésticos.

Mercado externo

Os índices de Wall Street voltaram a cair diante do temor de novos impactos inflacionários provocados pela guerra no Irã e pela disparada do petróleo. Dirigentes do Federal Reserve, o banco central estadunidense, afirmaram que ainda é cedo para medir os efeitos do conflito, mas alertaram para possível pressão inflacionária no curto prazo. Na Europa, o Stoxx 600 caiu 3,18%, renovando o movimento de aversão a risco. Na Ásia, o Nikkei 225 recuou 3,06%, enquanto o Hang Seng perdeu 1,12%. O cenário global reflete a crescente cautela dos investidores diante do risco geopolítico e de seus efeitos sobre juros e inflação.

O Dow Jones caiu 0,83%, aos 48.501,27 pontos; o S&P 500, -0,94%, aos 6.816,63 pontos; e o Nasdaq, -1,02%, aos 22.516,69 pontos.





ICL Notícias

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