O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado o termômetro do PIB, registrou alta de 0,6% em fevereiro, na comparação com o mês anterior. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (16).
O resultado foi calculado com ajuste sazonal, metodologia que elimina efeitos de calendário para permitir a comparação entre períodos diferentes.
Na prática, trata-se da quinta alta mensal consecutiva do indicador, ainda que em ritmo mais moderado em relação ao início do ano.
Indústria lidera crescimento no mês
Entre os setores analisados, a indústria teve o melhor desempenho em fevereiro, seguida por serviços e agropecuária.
Desempenho setorial em fevereiro:
- Indústria: +1,2%
- Serviços: +0,3%
- Agropecuária: +0,2%
Indicador mostra perda de fôlego na base anual
Apesar da sequência de altas mensais, o IBC-Br mostrou sinais de desaceleração em outras bases de comparação.
Na comparação com fevereiro do ano passado, houve queda de 0,3%. Já no acumulado:
- No ano (janeiro a fevereiro): +0,4%
- Em 12 meses até fevereiro: +1,9%
Nesses dois últimos casos, o cálculo é feito sem ajuste sazonal.
O que é o termômetro do PIB
O IBC-Br é conhecido como uma espécie de “termômetro do PIB” por antecipar tendências da atividade econômica, embora não substitua o cálculo oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O indicador do Banco Central:
- reúne estimativas da agropecuária, indústria e serviços
- incorpora também impostos
- não inclui a ótica da demanda, presente no PIB oficial
O PIB, por sua vez, é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país e é a medida oficial da economia brasileira.
Juros altos explicam desaceleração esperada
A perda de ritmo da economia ao longo de 2025 e 2026 já é amplamente esperada por analistas e pelo Banco Central, em meio ao ambiente de juros elevados.
Atualmente, a taxa Selic está em 14,75% ao ano, patamar considerado restritivo para o crescimento econômico.
Projeções do mercado indicam que o PIB deve crescer cerca de 1,85% em 2026, abaixo do avanço estimado para 2025 (2,3%).
O BC tem reiterado que a desaceleração da atividade é parte do processo de controle da inflação, visando a convergência da meta de 3%.
Na avaliação mais recente da autoridade monetária, o chamado hiato do produto permanece positivo — indicando que a economia ainda opera acima de seu potencial, o que mantém pressão inflacionária.
Crescimento moderado e cenário externo
No cenário internacional, projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam crescimento de 1,9% do PIB brasileiro em 2026, com leve revisão positiva.
O órgão também projeta o Brasil entre as 10 maiores economias do mundo no período, destacando efeitos pontuais do cenário externo, incluindo o impacto da guerra no Oriente Médio sobre exportadores de energia.



